{"id":5021,"date":"2025-10-22T12:00:00","date_gmt":"2025-10-22T17:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=5021"},"modified":"2025-10-25T11:09:40","modified_gmt":"2025-10-25T16:09:40","slug":"tradicao-ou-conservadorismo-quem-paga-a-conta-no-primeiro-encontro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=5021","title":{"rendered":"Tradi\u00e7\u00e3o ou conservadorismo: quem paga a conta no primeiro encontro?"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Gabriela Fintelman e Nat\u00e1lia Lindoso<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea \u00e9 um usu\u00e1rio de redes sociais como o Instagram e o X (Twitter), certamente j\u00e1 viu ou participou de debates acalorados sobre quem paga as despesas do primeiro encontro. A discuss\u00e3o volta e meia reaparece e assombra os corredores da internet, revelando como ainda estamos presos a certos pap\u00e9is de g\u00eanero, com expectativas e tradi\u00e7\u00f5es que insistem em resistir ao tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para muitas pessoas heterossexuais (que se atraem sexualmente pelo sexo oposto), sejam elas solteiras ou n\u00e3o, muitas vezes \u00e9 algo natural que o homem tome a iniciativa. \u201c\u00c9 o m\u00ednimo que o homem pode fazer\u201d, diz o diretor de audiovisual La\u00e9rcio Oliveira, de 35 anos. Esse pensamento divide opini\u00f5es e resulta, muitas vezes, em debate nas redes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O editor de v\u00eddeo Ilgner Fernandes acha que depende da inten\u00e7\u00e3o de quem est\u00e1 fazendo o convite. \u201cSe ele quiser um relacionamento no futuro, eu acho que ele vai pensar em pagar a conta. Mas hoje em dia, com o empoderamento das mulheres e o movimento feminista, a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 meio querendo se equilibrar, cada um est\u00e1 pagando a sua conta\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"555\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Ilgner-Fernandes-edited.jpeg?resize=740%2C555&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-5034\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Ilgner-Fernandes-edited.jpeg?w=1200&amp;ssl=1 1200w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Ilgner-Fernandes-edited.jpeg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Ilgner-Fernandes-edited.jpeg?resize=1024%2C768&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Ilgner-Fernandes-edited.jpeg?resize=768%2C576&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: cedida<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Henrique Damasceno, de 22 anos, bissexual e solteiro, afirma que a sua forma de lidar com a quest\u00e3o fianceira no primeiro encontro muda de acordo com o g\u00eanero da pessoa com quem ele est\u00e1 saindo. \u201cNa quest\u00e3o de sair com um homem, quem convida paga o jantar, j\u00e1 com uma mulher muda muito. \u00c9 sempre bom ser cavalheiro com a mo\u00e7a que est\u00e1 afim. Ent\u00e3o, convidar e pagar a conta no primeiro encontro \u00e9 muito importante\u201d, disse.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A jornalista Camila Holsbach, casada h\u00e1 18 anos com o tamb\u00e9m jornalista M\u00e1rcio Bleiner, relata diferen\u00e7as entre primeiros encontros e relacionamento s\u00e9rio. \u201cEle que pagava todas as contas no in\u00edcio do nosso namoro. Hoje j\u00e1 \u00e9 uma coisa mais flu\u00edda. Por exemplo, na maioria das contas, tanto em casa quanto nas sa\u00eddas, \u00e9 ele quem banca. Mas se um dia do m\u00eas eu estiver afim de comer e a grana para ele est\u00e1 curta ou tem outras coisas que ele tem que pagar, eu pago sem problema\u201d, diz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"556\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Camila-Holsbach-edited.jpeg?resize=740%2C556&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-5033\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Camila-Holsbach-edited.jpeg?w=899&amp;ssl=1 899w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Camila-Holsbach-edited.jpeg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Camila-Holsbach-edited.jpeg?resize=768%2C577&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: cedida<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A operadora de \u00e1udio L\u00edlia Moreira, de 26 anos, n\u00e3o v\u00ea problema em dividir a conta: \u201ceu n\u00e3o me importo em dividir a conta, mas eu acho que \u00e9 um cavalheirismo. Se ele convidou, ent\u00e3o, acho que o correto seria ele pagar a conta\u201d, avalia.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora n\u00e3o se sinta pressionado e ache que a mulher pode pagar ou dividir a conta, o rep\u00f3rter Jo\u00e3o Cardoso assume que at\u00e9 gosta de pagar em um primeiro encontro. \u201cEu acho que isso depende muito da iniciativa da pessoa, afinal de contas quando eu sa\u00ed com a pessoa que eu estou, fui eu que chamei. Ent\u00e3o, se eu estava chamando, eu tinha que pagar\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"556\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Lilia-Moreira-edited.jpeg?resize=740%2C556&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-5035\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Lilia-Moreira-edited.jpeg?w=899&amp;ssl=1 899w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Lilia-Moreira-edited.jpeg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Lilia-Moreira-edited.jpeg?resize=768%2C577&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: cedida<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Padr\u00f5es impostos<\/h2>\n\n\n\n<p>Nos dias atuais, com a complexidade das rela\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas, que se estende para fora de um padr\u00e3o tradicional, \u00e9 necess\u00e1rio que haja espa\u00e7o para novas maneiras de pensar. A pesquisadora Lis\u00e2nia Ghisi, Mestre em Letras, estuda e desenvolve pesquisas sobre quest\u00f5es de g\u00eanero e afirma que essa binariedade que define os pap\u00e9is de homens e mulheres \u00e9 quase que uma l\u00f3gica universalizante.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA nossa sociedade foi constitu\u00edda de discursos que carregam dualismos. Ou seja, um mundo dividido em dois: entre certo e errado, bonito e feio, homem e mulher, quem paga e quem n\u00e3o paga. O binarismo heteronormativo que est\u00e1 impregnado no nosso cotidiano\u201d, explica Ghisi.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisadora ainda ressalta que esse padr\u00e3o imposto socialmente tamb\u00e9m atinge os outros modelos de relacionamento que divergem da heteronormatividade. Ou seja, a partir da l\u00f3gica hist\u00f3rica e cultural, relacionamentos homossexuais tamb\u00e9m podem ser afetados por essa perspectiva do \u201cquem deve pagar a conta\u201d. \u201cAfinal, dentro de uma sociedade heteronormativa, quaisquer rela\u00e7\u00f5es v\u00e3o sempre partir do binarismo masculino e feminino. Consequentemente, cada pessoa ter\u00e1 ali, um papel ou dever a ser seguido dentro desse encontro\u201d, acrescentou.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"494\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Lisania-Ghisi.jpeg?resize=740%2C494&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-5025\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Lisania-Ghisi.jpeg?resize=1024%2C683&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Lisania-Ghisi.jpeg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Lisania-Ghisi.jpeg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Lisania-Ghisi.jpeg?resize=1536%2C1024&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Lisania-Ghisi.jpeg?w=1560&amp;ssl=1 1560w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Lisania-Ghisi.jpeg?w=1480&amp;ssl=1 1480w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: cedida<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Conservadorismo virou tend\u00eancia<strong>\u00a0<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A discuss\u00e3o sobre pagar a conta em primeiros encontros ganhou for\u00e7a em 2022 na Internet, quando o ator global Caio Castro viralizou ao dizer em um podcast que se sente incomodado de ter a obriga\u00e7\u00e3o de pagar a conta no primeiro encontro. Essa declara\u00e7\u00e3o gerou discuss\u00e3o nas redes e o artista foi duramente criticado por muitos internautas. Os desdobramentos mostraram que o conservadorismo est\u00e1 viv\u00edssimo entre os jovens.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O pensamento conservador ganha for\u00e7a nas redes sociais atrav\u00e9s de jovens e adolescentes que refor\u00e7am padr\u00f5es comportamentais tradicionais. Termos como \u201cesposa trof\u00e9u\u201d e \u201cmacho alfa\u201d circulam junto com uma lista de comportamentos a serem seguidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Lis\u00e2nia Ghisi destaca que as supostas obriga\u00e7\u00f5es existem tanto para homens como para mulheres e o debate da \u201cdin\u00e2mica de encontros\u201d, no entanto, \u00e9 bem mais antigo. \u201cH\u00e1 s\u00e9culos, pap\u00e9is de g\u00eanero s\u00e3o definidos, disseminados e ordenados dentro da sociedade. Assim, quando a gente diz que o homem \u2018deve\u2019 pagar a conta, seria semelhante quando algu\u00e9m diz que \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o da mulher lavar a lou\u00e7a, por exemplo\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ghisi explica que por tr\u00e1s dessa ideia do \u201cdever\u201d, existem quest\u00f5es socioculturais que acompanham e influenciam diretamente a compreens\u00e3o sobre o mundo das pessoas. Esse contexto hist\u00f3rico, social e cultural traz a ideia de que o homem fica destinado aos custos financeiros, pois trabalha e det\u00e9m os recursos, enquanto a mulher espera o convite.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssa no\u00e7\u00e3o sobre pap\u00e9is de g\u00eanero n\u00e3o abarca s\u00f3 encontros, as diversas din\u00e2micas que comp\u00f5em nosso cotidiano est\u00e3o entranhadas de divis\u00f5es socioculturais bin\u00e1rias. Ou voc\u00ea acha que \u00e9 \u2018normal\u2019, numa festinha de escola, por exemplo, os meninos ficarem respons\u00e1veis por pagar os refrigerantes, enquanto para as meninas a obriga\u00e7\u00e3o \u00e9 de providenciar a comida, quando n\u00e3o a ornamenta\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o\u201d, diz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quem t\u00e1 liso n\u00e3o namora\u00a0<\/h2>\n\n\n\n<p>O pensamento conservador traz com ele a capitaliza\u00e7\u00e3o do romance. A ideia de que o homem deve sempre pagar a conta, ou que apenas uma das partes deva arcar com isso, levanta a hip\u00f3tese de que quem n\u00e3o t\u00eam abund\u00e2ncia de recursos financeiros n\u00e3o deva viver uma rela\u00e7\u00e3o amorosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Bord\u00f5es como \u201ct\u00e1 liso dorme\u201d ou \u201cse n\u00e3o tem dinheiro para levar a namorada para sair, n\u00e3o tem que namorar, tem que procurar emprego\u201d denunciam que, al\u00e9m de g\u00eanero, a classe social tamb\u00e9m define quem \u00e9 voc\u00ea no campo das rela\u00e7\u00f5es. O amor vale muito, mas n\u00e3o precisa custar caro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A discuss\u00e3o sobre \u201cquem paga a conta?\u201d, \u00e9 um reflexo de desigualdades maiores presentes nas rela\u00e7\u00f5es afetivas e sociais. A estrutura social e capitalista, com a qual a sociedade se organiza, reflete nas rela\u00e7\u00f5es amorosas. Para a soci\u00f3loga Marisol Brandt, isso tamb\u00e9m \u00e9 um legado do patriarcado, que coloca o homem na posi\u00e7\u00e3o de provedor, e a mulher na posi\u00e7\u00e3o de quem cuida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para Brandt, a cultura que se constituiu sobre quem paga espelha a base da sociedade brasileira. \u201cEssa discuss\u00e3o tamb\u00e9m reflete a desigualdade econ\u00f4mica e social. A gente n\u00e3o pode desvincular desse ponto. Eu penso que existe um fator hist\u00f3rico, que \u00e9 a forma como a sociedade brasileira se organizou ao longo do tempo, profundamente desigual\u201d, explica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"853\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Marisol-Brandt.jpeg?resize=740%2C853&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-5030\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Marisol-Brandt.jpeg?resize=888%2C1024&amp;ssl=1 888w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Marisol-Brandt.jpeg?resize=260%2C300&amp;ssl=1 260w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Marisol-Brandt.jpeg?resize=768%2C885&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Marisol-Brandt.jpeg?w=1080&amp;ssl=1 1080w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Foto: cedida<\/p>\n\n\n\n<p>A estudante de Letras Portugu\u00eas, Brenda Feitosa, de 22 anos, \u00e9 pansexual (pessoas que n\u00e3o determinam com quem se relacionam por g\u00eanero) e acredita que mesmo em rela\u00e7\u00f5es sem um homem, podem existir preconceitos, \u201cse na teoria o homem tem que pagar a conta, sem o homem fica complicado. Mas tem outros preconceitos, digamos assim, outros estere\u00f3tipos, como a pessoa mais velha, a pessoa que tem mais dinheiro, por exemplo\u201d, diz.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Isso revela que a discuss\u00e3o vai al\u00e9m da escolha individual e est\u00e1 diretamente conectada a constru\u00e7\u00f5es sociais mais amplas. Para a soci\u00f3loga, essas expectativas s\u00e3o reflexo de uma desigualdade hist\u00f3rica e estrutural, marcada por um legado patriarcal e patrimonial que ainda influencia as rela\u00e7\u00f5es afetivas atuais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs desigualdades econ\u00f4micas e socioecon\u00f4micas podem influenciar sobre quem tem maior poder aquisitivo e tamb\u00e9m, nesse sentido, sobre quem paga. Por outro lado, tamb\u00e9m a expectativa da sociedade, a expectativa cultural pode variar de acordo com a classe social e com a ra\u00e7a. A expectativa sobre quem paga \u00e9 sociocultural\u201d, resume.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"998\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Brenda-Feitoza.jpeg?resize=740%2C998&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-5031\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Brenda-Feitoza.jpeg?resize=759%2C1024&amp;ssl=1 759w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Brenda-Feitoza.jpeg?resize=222%2C300&amp;ssl=1 222w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Brenda-Feitoza.jpeg?resize=768%2C1036&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Brenda-Feitoza.jpeg?w=780&amp;ssl=1 780w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: cedida<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">As defini\u00e7\u00f5es de \u201cprimeiro encontro\u201d foram atualizadas\u00a0<\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se assuste com o barulho, esse \u00e9 o som do tabu sendo quebrado. E se, ao inv\u00e9s de vivermos como nossos pais, viv\u00eassemos como nossos irm\u00e3os? Aquele irm\u00e3o \u201covelha negra\u201d que tem coragem de questionar, e n\u00e3o tem medo de remar contra a mar\u00e9.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00e9dico Lucas Lins, de 25 anos, \u00e9 homossexual e se encontra em um relaciomento s\u00e9rio com outro homem. Para ele, a defini\u00e7\u00e3o de \u201cquem paga a conta?\u201d deve ser natural, e n\u00e3o \u00e9 algo t\u00e3o complexo quanto muitas pessoas acabam interpretando.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPessoalmente, n\u00e3o me sinto pressionado em rela\u00e7\u00e3o a esse tema. Por exemplo, se eu convido meu namorado para sairmos, n\u00e3o espero que ele arque com os custos; eu pago com tranquilidade, sem qualquer problema\u201d, relata.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para a psic\u00f3loga Madge Porto, existe uma ideia de que n\u00e3o se deve discutir sobre dinheiro nas rela\u00e7\u00f5es afetivas, o que causa um certo constrangimento. Esse ideal impregnado na sociedade \u00e9 encarado como uma \u201cquebra\u201d do romantismo, entretanto, \u00e9 necess\u00e1rio que cada um se posicione acerca do que espera em uma rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEstamos em um momento em que h\u00e1 a coloca\u00e7\u00e3o de duas refer\u00eancias de modelos de relacionamento, modelos conservadores e tradicionais e modelos igualit\u00e1rios. Cada pessoa precisa ter no\u00e7\u00e3o de que tipo de relacionamento pretende e que \u00e9 mais positivo e saud\u00e1vel para apresentar o seu desejo\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"200\" height=\"200\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Madge-Porto.jpeg?resize=200%2C200&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-5029\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Madge-Porto.jpeg?w=200&amp;ssl=1 200w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Madge-Porto.jpeg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Madge-Porto.jpeg?resize=80%2C80&amp;ssl=1 80w\" sizes=\"(max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: cedida<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A psic\u00f3loga ressalta que, nos primeiros encontros, muitas pessoas acabam tentando adotar estrat\u00e9gias para agradar o outro, mesmo que isso signifique se submeter a situa\u00e7\u00f5es desconfort\u00e1veis. No entanto, ela explica que esse esfor\u00e7o \u00e9 tempor\u00e1rio, j\u00e1 que, com o tempo, a forma como cada indiv\u00edduo realmente vive e se posiciona na vida inevitavelmente aparece.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQue pagar ou n\u00e3o pagar n\u00e3o seja o mais importante, mas sim o que cada um est\u00e1 dispon\u00edvel para construir junto com o outro\u201d, finaliza.<\/p>\n\n\n\n<p>Dividir as despesas n\u00e3o \u00e9 mesquinho, \u00e9 esfor\u00e7o m\u00fatuo. Aceitar que paguem a sua parte n\u00e3o \u00e9 vergonha, \u00e9 saber aceitar um gesto de generosidade. Se prender a uma s\u00f3 \u201cf\u00f3rmula\u201d n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 atraso, mas tamb\u00e9m limitante.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O debate \u201cmilenar\u201d revela mais sobre as estruturas da sociedade do que voc\u00ea imagina <\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":5026,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[3],"tags":[147,40,8,47],"coauthors":[136],"class_list":["post-5021","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-corriqueiras","tag-a-catraia","tag-acre","tag-destaque","tag-ufac"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/FOTO-DE-CAPA.jpeg?fit=1706%2C2560&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5021","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5021"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5021\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5036,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5021\/revisions\/5036"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5026"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5021"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5021"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5021"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcoauthors&post=5021"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}