{"id":4989,"date":"2025-10-20T14:20:02","date_gmt":"2025-10-20T19:20:02","guid":{"rendered":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=4989"},"modified":"2025-10-20T16:37:18","modified_gmt":"2025-10-20T21:37:18","slug":"o-preco-da-identidade-a-luta-diaria-de-mulheres-trans-no-combate-a-violencia-no-acre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=4989","title":{"rendered":"O pre\u00e7o da identidade: a luta di\u00e1ria de mulheres trans no combate \u00e0 viol\u00eancia no Acre"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: Wellington Vidal e Danniely Avlis<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma madrugada escura e silenciosa, enquanto trabalhava em um ponto de prostitui\u00e7\u00e3o, Fernanda Machado da Silva, uma travesti de 27 anos, lutava para sobreviver da viol\u00eancia da qual havia sido v\u00edtima. Ela foi abordada por dois homens que acusaram-na de ter furtado um celular. Sem poder se defender e mesmo negando a acusa\u00e7\u00e3o, a jovem foi v\u00edtima de uma viol\u00eancia brutal, espancada a pauladas, sozinha em meio a escurid\u00e3o da noite, sua vida se esvaiu.<\/p>\n\n\n\n<p><br>A hist\u00f3ria de Fernanda, conhecida por participar ativamente de debates sobre a viol\u00eancia contra a comunidade LGBTQIAPN+, reflete uma dura realidade social. Antes de ser assassinada, ela havia participado de uma campanha publicit\u00e1ria do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Acre (MPAC), ao lado da m\u00e3e, Raimunda Nonata.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Segundo o Dossi\u00ea Assassinatos e Viol\u00eancias contra Travestis e Transexuais Brasileiras, da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), o Acre ocupa o 23\u00ba lugar no ranking de assassinatos de pessoas trans. Em 2022, 19 pessoas trans foram agredidas por dia no Brasil, segundo o Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Agravos de Notifica\u00e7\u00e3o (Sinan), do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"418\" height=\"238\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/img-4.jpg?resize=418%2C238&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-4991\" style=\"width:646px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/img-4.jpg?w=418&amp;ssl=1 418w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/img-4.jpg?resize=300%2C171&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"(max-width: 418px) 100vw, 418px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Fonte: Bases de dados de agress\u00e3o do Sinan<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"203\" height=\"266\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/img-5.jpg?resize=203%2C266&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-4992\" style=\"width:276px;height:auto\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Fonte: Bases de dados de agress\u00e3o do Sinan<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o estudo, 64% dos casos ocorrem com mulheres trans, e 60% das travestis agredidas s\u00e3o negras. Em 2023, houve um aumento de 4,6% nos assassinatos de travestis e mulheres trans \u2014 136 das 145 v\u00edtimas registradas pertenciam a essa popula\u00e7\u00e3o. Estes n\u00fameros evidenciam um padr\u00e3o: ser travesti, mulher trans e negra aumenta exponencialmente o risco de morte no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Dahlia Pagu, travesti, psic\u00f3loga e respons\u00e1vel pela Divis\u00e3o de Diversidade de Orienta\u00e7\u00e3o Sexual e Identidade de G\u00eanero da Secretaria de Estado da Mulher do Acre (Semulher), explica que os dados sobre viol\u00eancia contra mulheres trans e travestis no estado s\u00e3o dif\u00edceis de contabilizar, sendo as principais informa\u00e7\u00f5es provenientes dos boletins da Antra.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Pelo 16\u00ba ano consecutivo, o Brasil \u00e9 o pa\u00eds que mais mata pessoas trans no mundo. Os casos subnotificados evidenciam a dificuldade em noticiar e caracterizar corretamente os crimes como transfeminic\u00eddios. Al\u00e9m da brutalidade dos assassinatos, muitas v\u00edtimas sofrem outra viol\u00eancia ao serem noticiadas com o nome de batismo, o chamado nome morto, uma identidade que n\u00e3o reflete quem realmente s\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Dahlia tamb\u00e9m comenta sobre os desafios no enfrentamento desse tipo de viol\u00eancia: \u201cO acesso ao cuidado, ao atendimento e ao amparo das mais diversas redes no que tange \u00e0 escuta sens\u00edvel da popula\u00e7\u00e3o trans ainda \u00e9 limitado. Estamos caminhando quanto a isso, mas \u00e9 preciso avan\u00e7ar mais, pois temos sede de vida, e vida com qualidade\u201d, declara.<\/p>\n\n\n\n<p><br>A atriz trans Brenn Souza refor\u00e7a as dificuldades vivenciadas na regi\u00e3o. De acordo com ela, trata-se de uma quest\u00e3o pol\u00edtica, social e cultural que permeia a constru\u00e7\u00e3o social do Acre. \u201cAcredito que, acima de tudo, \u00e9 um processo de constru\u00e7\u00e3o social no territ\u00f3rio em que nos encontramos e na atual conjuntura do pa\u00eds e do mundo, que insiste em apagar a hist\u00f3ria e a exist\u00eancia de pessoas trans\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><br><strong>\u201cA viol\u00eancia permeia o corpo de pessoas trans em toda a sua exist\u00eancia\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><br>Seja verbal, f\u00edsica, psicol\u00f3gica, sexual ou familiar, a viol\u00eancia est\u00e1 presente no cotidiano de pessoas trans que vivem \u00e0 margem de uma sociedade cercada por preconceitos. Brenn compartilha parte de sua experi\u00eancia pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p><br>\u201cJ\u00e1 sofri viol\u00eancia verbal, que \u00e9 a mais comum no dia a dia. \u00c9 sair na rua e ouvir um erro proposital de pronome ou de nome, vindo at\u00e9 de pessoas conhecidas. O olhar tamb\u00e9m pode ser violento. Tenho amigas que j\u00e1 sofreram agress\u00f5es e at\u00e9 foram assassinadas. A viol\u00eancia est\u00e1 presente em nossas vidas e redes de afeto. Nossos corpos vivem em constante processo de receber viol\u00eancia por parte da sociedade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Dahlia refor\u00e7a que tamb\u00e9m vivencia a viol\u00eancia di\u00e1ria por ser travesti, mesmo com privil\u00e9gios que n\u00e3o a imunizam. \u201cRelatar viol\u00eancias \u00e9 reviv\u00ea-las, e isso n\u00e3o \u00e9 confort\u00e1vel. \u00c9 sofrido saber que, por mais que n\u00e3o desejemos, nossas trajet\u00f3rias acabam sendo marcadas por essas dores. Precisamos trabalhar para modificar essa cultura que age contra corpos trans\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"494\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/img-6-1.jpg?resize=740%2C494&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-4999\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/img-6-1.jpg?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/img-6-1.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/img-6-1.jpg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Dahlia Pagu \u00e9 respons\u00e1vel pela Divis\u00e3o de Diversidade de Orienta\u00e7\u00e3o Sexual e Identidade de G\u00eanero da Semulher. Foto: Kau\u00e3 Cabral\/&nbsp;Semulher<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><br><strong>Um local de acolhimento e combate contra a viol\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><br>No Acre, a Semulher atua como ponto estrat\u00e9gico para acolhimento, suporte e enfrentamento das viol\u00eancias direcionadas a mulheres, incluindo mulheres trans e travestis. Reimplantada oficialmente em 1\u00ba de mar\u00e7o de 2023, a institui\u00e7\u00e3o, tem entre suas compet\u00eancias, promover pol\u00edticas p\u00fablicas de igualdade de g\u00eanero, assist\u00eancia social, prote\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o para eliminar discrimina\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Para qualificar este trabalho, recentemente, no \u00faltimo dia 25 de julho, a Semulher lan\u00e7ou a segunda edi\u00e7\u00e3o da cartilha Sou A Travesti, Existo!, que vem sendo distribu\u00edda em centros comerciais e espa\u00e7os p\u00fablicos em Rio Branco, Brasil\u00e9ia e Cruzeiro do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p><br>A cartilha aborda identidade de g\u00eanero, cidadania, enfrentamento \u00e0 transfobia e direitos fundamentais. A iniciativa inclui distribui\u00e7\u00e3o em locais como o Mercado Municipal Elias Mansour e o Shopping Aquiry, com o objetivo de sensibilizar servidores, comerciantes e a comunidade em geral para a exist\u00eancia e o respeito \u00e0s mulheres trans e travestis.<\/p>\n\n\n\n<p><br>No lan\u00e7amento da cartilha, a secret\u00e1ria da Mulher, M\u00e1rdhia El-Shawwa Pereira, destacou que o documento \u00e9 educativo e um instrumento de empoderamento que evidencia que a expectativa de vida de pessoas trans no Brasil gira em torno de 35 anos. Ela reitera ainda que essas mulheres precisam ser reconhecidas, protegidas e respeitadas. \u201cA cartilha tem um car\u00e1ter transformador e visa sensibilizar diferentes setores sociais para os preju\u00edzos causados por discrimina\u00e7\u00f5es que, muitas vezes, escalam para viol\u00eancia\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Para Dahlia Pagu, a cartilha refor\u00e7a o compromisso \u00e9tico da institui\u00e7\u00e3o em cuidar dessa popula\u00e7\u00e3o com seus afetos, dores, sonhos e hist\u00f3rias e afirma que tais pol\u00edticas s\u00e3o centrais n\u00e3o s\u00f3 para informar, mas para demonstrar que mulheres trans e travestis n\u00e3o est\u00e3o s\u00f3, que h\u00e1 respaldo institucional e social para sua exist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><br>De acordo com a representante do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (Cedim), Ant\u00f4nia Rodrigues, o principal objetivo da cartilha \u00e9, justamente, a inclus\u00e3o. \u201c\u00c9 um programa importante e \u00e9 um trabalho bonito que a Semulher vem fazendo. Isto porque todas as mulheres v\u00e3o saber que est\u00e3o sendo resguardadas e que n\u00e3o est\u00e3o sozinhas, que podem contar com a Secretaria da Mulher e com o governo do Estado\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p><br>A ideia \u00e9 que a secretaria n\u00e3o atue s\u00f3 como s\u00edmbolo institucional, mas como ponte entre indiv\u00edduos em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade e as redes de atendimento (jur\u00eddico, psicol\u00f3gico, social). A cartilha Sou a Travesti, Existo! passa a integrar essa estrat\u00e9gia, fortalecendo o discurso institucional de que mulheres trans e travestis n\u00e3o est\u00e3o sozinhas e que h\u00e1 respaldo p\u00fablico e educativo para sua exist\u00eancia.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Luzes do Arco-\u00cdris: O cinema como forma de den\u00fancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"596\" height=\"316\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/img-7.jpg?resize=596%2C316&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-4995\" style=\"width:740px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/img-7.jpg?w=596&amp;ssl=1 596w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/img-7.jpg?resize=300%2C159&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"(max-width: 596px) 100vw, 596px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Audit\u00f3rio do Cine Teatro Recreio durante a exibi\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio Luzes do Arco- Iris. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o&nbsp;de redes&nbsp;sociais<\/p>\n\n\n\n<p>Por meio da Lei Paulo Gustavo, com incentivo do Governo do Acre e promo\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Elias Mansour (FEM), o caso de Fernanda inspirou o curta-metragem Luzes do Arco-\u00cdris, dirigido por Ivan de Castela e produzido pelo Instituto Social, Cultural e Esportivo Malucos na Ro\u00e7a. O filme estreou no \u00faltimo dia 5 de fevereiro, no Cine Teatro Recreio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"723\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/img-8.jpg?resize=723%2C1024&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-4996\" style=\"width:424px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/img-8.jpg?resize=723%2C1024&amp;ssl=1 723w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/img-8.jpg?resize=212%2C300&amp;ssl=1 212w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/img-8.jpg?resize=768%2C1087&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/img-8.jpg?w=904&amp;ssl=1 904w\" sizes=\"(max-width: 723px) 100vw, 723px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Cartaz do espet\u00e1culo Luzes do Arco-\u00edris. Foto:&nbsp;Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA obra tem como proposta, al\u00e9m da den\u00fancia, promover momentos de fala, discuss\u00e3o e entendimento da vida das travestis em Rio Branco. O objetivo maior \u00e9 construir uma obra cinematogr\u00e1fica que discuta essas quest\u00f5es a partir do lugar de fala das pr\u00f3prias travestis, entrevistadas no document\u00e1rio, junto \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o da cena da morte da Fernanda\u201d, explica o diretor.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Faces dist\u00f3picas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"556\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/img-1.jpg?resize=740%2C556&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-4997\" style=\"width:471px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/img-1.jpg?resize=1024%2C769&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/img-1.jpg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/img-1.jpg?resize=768%2C576&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/img-1.jpg?resize=1536%2C1153&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/img-1.jpg?w=1600&amp;ssl=1 1600w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/img-1.jpg?w=1480&amp;ssl=1 1480w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Atriz Brenn Souza no espet\u00e1culo Faces Dist\u00f3picas. Foto: cedida<\/p>\n\n\n\n<p>Em meio \u00e0 pandemia, quando Fernanda foi brutalmente assassinada, na noite de 25 de junho de 2020, Brenn, que na \u00e9poca estava morando fora do Acre, se v\u00ea em profunda revolta, raiva e sede de justi\u00e7a pela morte da amiga. \u00c9 a partir disso que ela escreve e d\u00e1 vida ao espet\u00e1culo Faces Dist\u00f3picas, como forma de eternizar a mem\u00f3ria de Fernanda.<\/p>\n\n\n\n<p><br>\u201cDiante desse acontecimento eu sinto a necessidade de escrever e dar vida a esse espet\u00e1culo, estando nele como atriz, dramaturga e co-diretora, para justamente manter viva a mem\u00f3ria de Fernanda, para que as pessoas lembrem-se de quem foi Fernanda, atrav\u00e9s de uma narrativa que brinca com a realidade e fic\u00e7\u00e3o, retratando especificamente as faces da distopia social para com os corpos trans\/travestis. A sociedade que sempre nos aponta, nos coloca como margem, como pessoas que merecem ser mortas na guilhotina ou at\u00e9 linchadas em pra\u00e7a p\u00fablica\u201d, declara a atriz.<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um futuro de respeito e uma vida ap\u00f3s os 35 anos<\/strong><br><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a Antra, a expectativa de vida de pessoas trans no Brasil \u00e9 de apenas 35 anos. A esperan\u00e7a \u00e9 que essa realidade mude e que a sociedade caminhe rumo ao respeito e \u00e0 dignidade.<\/p>\n\n\n\n<p><br>\u201cQue possamos ter dignidade de vida, cuidado, aten\u00e7\u00e3o, afeto e seguran\u00e7a. Nossas hist\u00f3rias n\u00e3o precisam ser marcadas puramente por viol\u00eancias. Que possamos relatar conquistas, e n\u00e3o apenas sangue em nosso caminhar. Espero ver travestis, mulheres trans e pessoas trans ocupando os espa\u00e7os que desejarem, sem que suas vidas sejam marcadas pela baixa expectativa\u201d, enfatiza Dahlia.<\/p>\n\n\n\n<p><br>O futuro depende da constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade que respeite a exist\u00eancia e garanta direitos b\u00e1sicos como seguran\u00e7a, trabalho e dignidade. \u201cQueremos viver, n\u00e3o apenas sobreviver. Queremos contar nossas hist\u00f3rias sem que elas sejam marcadas por sangue e dor. Que possamos ocupar todos os espa\u00e7os sem medo\u201d, conclui Brenn.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Wellington Vidal e Danniely Avlis Em uma madrugada escura e silenciosa, enquanto trabalhava em um ponto de prostitui\u00e7\u00e3o, Fernanda Machado da Silva, uma travesti de 27 anos, lutava para sobreviver da viol\u00eancia da qual havia sido v\u00edtima. Ela foi abordada por dois homens que acusaram-na de ter furtado um celular. 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