{"id":4967,"date":"2025-10-17T12:00:00","date_gmt":"2025-10-17T17:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=4967"},"modified":"2025-10-17T09:11:21","modified_gmt":"2025-10-17T14:11:21","slug":"musica-e-identidade-jovens-acreanos-se-constroem-atraves-dos-ritmos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=4967","title":{"rendered":"M\u00fasica e identidade: jovens acreanos se constroem atrav\u00e9s dos ritmos"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Ana Paula Melo e Pedro Amorim<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00fasica que escolhemos ouvir n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de gosto. Ela carrega nossas hist\u00f3rias, desejos, pertencimentos e at\u00e9 nossas contradi\u00e7\u00f5es. No Acre, a juventude tem constru\u00eddo sua identidade a partir de uma combina\u00e7\u00e3o singular de ritmos, que v\u00e3o desde g\u00eaneros tradicionais at\u00e9 influ\u00eancias contempor\u00e2neas e internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Os jovens acreanos transitam entre o forr\u00f3, o brega rom\u00e2ntico e o sertanejo universit\u00e1rio,&nbsp; estilos que, historicamente, marcaram a cena local, e novos g\u00eaneros como o funk, o trap e at\u00e9 o K-pop refletem tanto suas ra\u00edzes regionais quanto suas conex\u00f5es com fen\u00f4menos culturais globais.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro estilo marcante \u00e9 o chamado \u201creggae de fronteira\u201d, t\u00edpico das regi\u00f5es pr\u00f3ximas ao Peru e \u00e0 Bol\u00edvia. Embora menos vis\u00edvel nos meios digitais, esse g\u00eanero ainda ressoa em festas e encontros culturais, compondo a mem\u00f3ria afetiva de muitos jovens. Essa conviv\u00eancia entre o tradicional e o moderno mostra como a identidade musical juvenil no Acre \u00e9 m\u00faltipla, viva e em constante transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00fasica, nesse contexto, se transforma em ferramenta de express\u00e3o pessoal e coletiva, reafirmando a identidade desses jovens em m\u00faltiplos espa\u00e7os, do bairro \u00e0s plataformas globais. Paula Amanda, jornalista, cantora e j\u00e1 jurada de festivais de m\u00fasica em Rio Branco, destaca que espa\u00e7os como o Mercado Velho, a Expoacre e os festivais locais ainda t\u00eam papel fundamental na forma\u00e7\u00e3o cultural.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente percebe a predomin\u00e2ncia dos jovens nesses espa\u00e7os. \u00c9 um lugar que influencia, sim, na identidade, porque eles est\u00e3o tendo acesso de ouvir aquele repert\u00f3rio, ouvir aquele estilo musical e de conhecer outras pessoas que tamb\u00e9m consomem aquele estilo. Isso \u00e9 de grande import\u00e2ncia dentro dessa constru\u00e7\u00e3o de identidade, porque eles t\u00eam algu\u00e9m para se espelhar, para ter como refer\u00eancia\u201d, afirma Paula Amanda.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"493\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG-20250826-WA0041.jpg?resize=740%2C493&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-4977\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG-20250826-WA0041.jpg?resize=1024%2C682&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG-20250826-WA0041.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG-20250826-WA0041.jpg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG-20250826-WA0041.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Paula Amanda \u00e9 jornalista e cantora. Foto: cedida<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ela refor\u00e7a ainda que cada gera\u00e7\u00e3o encontra na m\u00fasica um reflexo do seu tempo. \u201cA gera\u00e7\u00e3o antes de n\u00f3s tinha um g\u00eanero musical que gostava e hoje os adolescentes tamb\u00e9m t\u00eam um estilo, uma identidade, um jeito de se vestir e algo para ouvir. Cada gera\u00e7\u00e3o tem seu espa\u00e7o no mundo para consumir o que gosta.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A forma como essa m\u00fasica \u00e9 consumida tamb\u00e9m revela muito sobre os h\u00e1bitos e din\u00e2micas culturais dessa juventude. Segundo dados da pesquisa <em>Cultura nas Capitais<\/em>, realizada pela JLeiva Cultura &amp; Esporte com 600 pessoas em Rio Branco entre 19 de fevereiro e 17 de maio de 2025, o celular \u00e9 hoje o principal meio de acesso \u00e0 m\u00fasica, sendo utilizado por 85% dos entrevistados. Em seguida, aparecem o som port\u00e1til (75%), o carro (41%), o r\u00e1dio (33%), o computador (27%), o CD ou DVD (16%) e, ainda, o vinil (3%).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos dispositivos, o uso de plataformas digitais \u00e9 expressivo: 68% escutam m\u00fasica pelo YouTube, 44% usam o Spotify e 34% recorrem ao TikTok. Esses dados indicam que os jovens n\u00e3o apenas ouvem m\u00fasica, mas a consomem de maneira interativa. Eles compartilham faixas, criam conte\u00fados, remixam sons e participam ativamente das tend\u00eancias que surgem nas redes sociais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Plataformas digitais e novos sons<\/h2>\n\n\n\n<p>Abigail Sunamita, cantora, jornalista e assessora de comunica\u00e7\u00e3o, explica que os aplicativos mudaram completamente o acesso. \u201cAntigamente, pra voc\u00ea ouvir uma m\u00fasica, era pela r\u00e1dio, CD ou fita. Hoje, com um simples clique no Spotify ou no YouTube, a pessoa consegue acessar aquela m\u00fasica, colocar na playlist e o mundo inteiro pode ouvir. Isso \u00e9 de grande import\u00e2ncia porque os jovens t\u00eam o celular na m\u00e3o e o acesso \u00e9 imediato\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"493\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG-20250826-WA0036.jpg?resize=740%2C493&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-4975\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG-20250826-WA0036.jpg?resize=1024%2C682&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG-20250826-WA0036.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG-20250826-WA0036.jpg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG-20250826-WA0036.jpg?resize=1536%2C1023&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG-20250826-WA0036.jpg?w=1600&amp;ssl=1 1600w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG-20250826-WA0036.jpg?w=1480&amp;ssl=1 1480w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Abigail fala sobre suas experi\u00eancias na m\u00fasica.<\/em> <em>Foto: cedida<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre os estilos em alta, Sunamita destaca a influ\u00eancia das<em> trends<\/em> digitais. \u201cOs jovens acreanos est\u00e3o sendo muito bombardeados pelas <em>trends<\/em> do TikTok. Essas m\u00fasicas do auge, de g\u00eaneros diversos, muitas vezes resgatadas de tempos antigos, acabam voltando. Mas um g\u00eanero que eu percebo muito intenso na vida dos jovens \u00e9 o funk, o trap e at\u00e9 a MPB, que tem tido um resgate muito forte\u201d, comenta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Rap como resist\u00eancia e pertencimento<\/h2>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do entretenimento, a m\u00fasica tamb\u00e9m \u00e9 ferramenta de resist\u00eancia e de voz para os jovens, especialmente nas periferias. Kaemiz\u00ea, rapper e <em>beatmaker<\/em> de Rio Branco, conta que come\u00e7ou ainda na escola. \u201cA m\u00fasica entrou na minha vida por volta de 2014, quando ouvi \u2018Linhas Tortas\u2019, do Gabriel, o Pensador. A partir dali, senti que podia fazer rap. Foi uma grande inspira\u00e7\u00e3o\u201d, explica o rapper.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ele, o rap cumpre uma fun\u00e7\u00e3o social importante. \u201cAtrav\u00e9s da m\u00fasica eu li meu primeiro livro. O rap me trouxe essa responsabilidade de cantar algo que eu vivia, mas de forma consciente para quem est\u00e1 ouvindo. Isso me faz refletir at\u00e9 hoje sobre a mensagem que passo\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"493\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG-20250826-WA0033-edited.jpg?resize=740%2C493&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-4979\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG-20250826-WA0033-edited.jpg?w=1396&amp;ssl=1 1396w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG-20250826-WA0033-edited.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG-20250826-WA0033-edited.jpg?resize=1024%2C682&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG-20250826-WA0033-edited.jpg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Kaemiz\u00ea<\/em> <em>refor\u00e7a papel social do hip-hop. Foto: cedida<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O rapper tamb\u00e9m lembra que o estilo musical influencia diretamente no comportamento e na moda. \u201cHoje a moda <em>streetwear<\/em> faz parte da identidade do hip hop. Quando voc\u00ea vai numa escola fazer apresenta\u00e7\u00e3o e o moleque te v\u00ea com uma cal\u00e7a larga, um t\u00eanis, isso impacta na vida de quem v\u00ea\u201d, conclui Kaemiz\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">M\u00fasica Huni Kuin: ancestralidade e resist\u00eancia na juventude ind\u00edgena<\/h2>\n\n\n\n<p>Para os jovens ind\u00edgenas do Acre, como Yub\u00e9-Warderson Rodrigues Domingos Kaxinaw\u00e1, estudante de m\u00fasica da Universidade Federal do Acre (Ufac) e membro do povo Huni Kuin, a m\u00fasica \u00e9 mais do que arte: \u00e9 uma ponte para a ancestralidade, um espa\u00e7o de resist\u00eancia e uma ferramenta para ocupar espa\u00e7os na sociedade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ele explica como a m\u00fasica ind\u00edgena, especialmente a Huni Kuin, contribui para a constru\u00e7\u00e3o da identidade dos jovens e dialoga com outros estilos musicais sem perder sua ess\u00eancia. \u201cA m\u00fasica Huni Kuin ajuda a gente a ser reconhecido, respeitado e a ocupar espa\u00e7os na arte e na m\u00fasica\u201d, afirma Yub\u00e9-Warderson.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ele destaca que os 17 povos ind\u00edgenas do Acre possuem tradi\u00e7\u00f5es musicais diversas, cada uma com sua for\u00e7a cultural. \u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o Huni Kuin. Temos refer\u00eancias como o Mapu, que est\u00e1 na m\u00eddia, gravando com artistas famosos e participando de novelas, mas h\u00e1 outros povos e artistas que tamb\u00e9m fortalecem nossa identidade atrav\u00e9s da m\u00fasica\u201d, comenta.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"395\" height=\"263\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG_20250902_153759_481-1-edited.jpg?resize=395%2C263&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-4981\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG_20250902_153759_481-1-edited.jpg?w=395&amp;ssl=1 395w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG_20250902_153759_481-1-edited.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"(max-width: 395px) 100vw, 395px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Yub\u00e9-Warderson<\/em> <em>destaca import\u00e2ncia da m\u00fasica para os jovens. Foto: cedida<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Para ele, a m\u00fasica ind\u00edgena carrega uma espiritualidade \u00fanica, conectada aos antepassados e \u00e0 floresta. \u201cNossas m\u00fasicas falam dos elementos da natureza, pedem cura, for\u00e7a e paz. N\u00e3o \u00e9 como outras m\u00fasicas que falam, por exemplo, da beleza de uma pessoa. \u00c9 algo sagrado, com uma hist\u00f3ria e uma ancestralidade por tr\u00e1s\u201d, destaca.<\/p>\n\n\n\n<p>Como estudante de m\u00fasica na Ufac, Yub\u00e9-Warderson reflete sobre o aprendizado formal e a riqueza da m\u00fasica ind\u00edgena. \u201cNa universidade, aprendemos sobre ritmo, melodia, o que \u00e9 considerado m\u00fasica no contexto ocidental. Mas, para n\u00f3s, a m\u00fasica ind\u00edgena \u00e9 diferente. Ela est\u00e1 nos rituais, nas dietas, nos batismos, nos cantos dos anci\u00e3os e especialistas das aldeias. Nossa inspira\u00e7\u00e3o vem dos mais velhos, da nossa origem, n\u00e3o apenas de quem est\u00e1 na m\u00eddia\u201d, enfatiza o estudante.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a integra\u00e7\u00e3o da m\u00fasica ind\u00edgena com outros estilos, ele acredita que a adapta\u00e7\u00e3o \u00e9 natural e n\u00e3o compromete a for\u00e7a cultural. \u201cNo mundo atual, tudo se transforma, at\u00e9 a m\u00fasica ind\u00edgena. Podemos usar instrumentos ocidentais, mas a ess\u00eancia permanece. As letras continuam espirituais. \u00c9 uma criatividade que fortalece nossa resist\u00eancia, porque mostramos quem somos em novos espa\u00e7os, sem perder nossa hist\u00f3ria\u201d, esclarecer.<\/p>\n\n\n\n<p>Yub\u00e9-Warderson tamb\u00e9m destaca a import\u00e2ncia de valorizar os artistas que vivem nas aldeias, muitas vezes invisibilizados pela m\u00eddia. \u201cNossa maior inspira\u00e7\u00e3o vem dos anci\u00e3os, dos nossos pais e tios, que cantam nas comunidades. Eles s\u00e3o a base da nossa m\u00fasica, mesmo que n\u00e3o apare\u00e7am na m\u00eddia. \u00c9 de l\u00e1, do nosso territ\u00f3rio, que tiramos for\u00e7a para levar nossa cultura adiante\u201d, destaca.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Desafios da cena musical acreana<\/h2>\n\n\n\n<p>Spartakus MC, rapper, historiador e membro do Centro Acreano de Hip-Hop, complementa a an\u00e1lise ao falar sobre os obst\u00e1culos de produzir m\u00fasica no Acre.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA primeira dificuldade sempre foi a falta de acesso \u00e0 tecnologia: est\u00fadios, <em>softwares<\/em>, computadores. Isso era surreal h\u00e1 15 ou 20 anos. Hoje melhorou, mas os equipamentos de qualidade ainda s\u00e3o muito caros. A gente consegue fazer muito com muito pouco\u201d, alega o historiador.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele tamb\u00e9m aponta a car\u00eancia de incentivo p\u00fablico. \u201cOs apoios v\u00eam por meio de editais, e nem todos conseguem chegar. O poder p\u00fablico incentiva pouco, e at\u00e9 o pr\u00f3prio p\u00fablico consome pouco o que \u00e9 local\u201d, conclui. Para ele, muitas vezes o que vem de fora \u00e9 mais valorizado. E, com isso, nem todos reconhecem o valor e a qualidade da m\u00fasica e dos grupos locais que acompanham gera\u00e7\u00f5es de acreanos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do forr\u00f3 e reggae de fronteira ao trap, funk e MPB, a juventude do Acre encontra na m\u00fasica uma forma de express\u00e3o, pertencimento e resist\u00eancia. 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