{"id":4955,"date":"2025-10-13T12:00:00","date_gmt":"2025-10-13T17:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=4955"},"modified":"2025-10-13T11:39:02","modified_gmt":"2025-10-13T16:39:02","slug":"aquifero-do-segundo-distrito-de-rio-branco-riqueza-invisivel-sob-ameaca-urbana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=4955","title":{"rendered":"Aqu\u00edfero do Segundo Distrito de Rio Branco: riqueza invis\u00edvel sob amea\u00e7a urbana"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por J\u00falio Queiroz e Karina Paiva<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No subsolo do Segundo Distrito de Rio Branco est\u00e1 uma das maiores reservas estrat\u00e9gicas de \u00e1gua da capital acreana: o Aqu\u00edfero Rio Branco. Pesquisadores da Universidade Federal do Acre (Ufac), como Evandro Jos\u00e9 Linhares Ferreira, Alexsande de Oliveira Franco, Frank Arcos e Jessiane Pereira, t\u00eam alertado sobre a import\u00e2ncia desse manancial subterr\u00e2neo, e destacando que ele possui alta vulnerabilidade \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o em raz\u00e3o da ocupa\u00e7\u00e3o urbana desordenada e da falta de saneamento b\u00e1sico.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"958\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/image.jpeg?resize=740%2C958&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-4956\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/image.jpeg?resize=791%2C1024&amp;ssl=1 791w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/image.jpeg?resize=232%2C300&amp;ssl=1 232w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/image.jpeg?resize=768%2C994&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/image.jpeg?w=816&amp;ssl=1 816w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Estudos recentes apontam que o aqu\u00edfero ocupa uma \u00e1rea de 122,46 km\u00b2, abrangendo os seguintes bairros: Loteamento Praia do Amap\u00e1, Taquari, Comara, 6 de Agosto, Santa In\u00eas, Loteamento Santa Helena, Loteamento Santo Afonso, Belo Jardim 1 e 2, Cidade Nova, Santa Terezinha, Residencial Rosa Linda, Vila da Amizade, Vila Acre, Mauri Sergio, Areal, Vila do Dner e Quinze, e possui capacidade de abastecer mais de 3,2 milh\u00f5es de pessoas com 200 litros de \u00e1gua por dia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, apenas cerca de 7% de sua descarga natural \u00e9 utilizada atualmente para o consumo humano. Para os pesquisadores da Ufac, a aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas efetivas coloca em risco a qualidade da \u00e1gua, j\u00e1 que an\u00e1lises laboratoriais t\u00eam identificado contamina\u00e7\u00e3o por nitratos, coliformes e metais como ferro e mangan\u00eas.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>O poder p\u00fablico municipal, por sua vez, tem divulgado avan\u00e7os em projetos de capta\u00e7\u00e3o subterr\u00e2nea, mas sem execu\u00e7\u00e3o plena. Em 2012, a imprensa local noticiou a realiza\u00e7\u00e3o de estudos preliminares, e em 2019 a Prefeitura anunciou que avan\u00e7ava em planos para aproveitar o potencial h\u00eddrico do aqu\u00edfero. J\u00e1 em 2014, o Governo do Estado divulgou que a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) continuaria o plano de explora\u00e7\u00e3o, mas at\u00e9 hoje a utiliza\u00e7\u00e3o em larga escala n\u00e3o saiu do papel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esse contraste entre a urg\u00eancia apontada pelos pesquisadores e a morosidade administrativa revela o desafio de transformar ci\u00eancia em pol\u00edtica p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Potencial e desafios<\/h2>\n\n\n\n<p>&nbsp;De acordo com o modelo de gest\u00e3o elaborado pela CPRM em 2010, a recarga anual do Aqu\u00edfero Rio Branco \u00e9 de aproximadamente 587 mm\/ano, com r\u00e1pida recupera\u00e7\u00e3o dos po\u00e7os (em at\u00e9 uma hora). Isso torna o manancial um recurso estrat\u00e9gico, capaz de complementar o abastecimento em per\u00edodos de estiagem do Rio Acre.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Pesquisadores x Poder P\u00fablico\u00a0<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Enquanto pesquisadores da Ufac defendem o monitoramento constante e o uso controlado do aqu\u00edfero, a Prefeitura de Rio Branco e o governo do Acre t\u00eam enfatizado a continuidade dos estudos, mas sem definir prazos concretos para explora\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Essa diverg\u00eancia evidencia a necessidade de integra\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e gest\u00e3o p\u00fablica, de forma a garantir seguran\u00e7a h\u00eddrica para as futuras gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"633\" height=\"474\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/image-2.jpeg?resize=633%2C474&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-4958\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/image-2.jpeg?w=633&amp;ssl=1 633w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/image-2.jpeg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"(max-width: 633px) 100vw, 633px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Foto: cedida<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A CPRM \u00e9 uma empresa p\u00fablica vinculada ao Minist\u00e9rio de Minas e Energia, respons\u00e1vel por produzir e divulgar informa\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas, hidrol\u00f3gicas e ambientais do territ\u00f3rio brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso do Aqu\u00edfero Rio Branco, a CPRM foi a institui\u00e7\u00e3o que realizou estudos t\u00e9cnicos de mapeamento, testes de bombeamento e modelagem hidrogeol\u00f3gica, servindo de base para o Plano de Manejo do Aqu\u00edfero citado.<\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo: a CPRM \u00e9 quem faz a \u201cradiografia do subsolo\u201d e fornece dados cient\u00edficos para que estados e munic\u00edpios consigam planejar a explora\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel da \u00e1gua subterr\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Outro entendimento<\/h2>\n\n\n\n<p>O diretor-presidente do Saerb, Enoque Pereira de Lima, explicou que n\u00e3o h\u00e1 comprova\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de um aqu\u00edfero em Rio Branco, mas sim um len\u00e7ol fre\u00e1tico raso capaz de atender demandas residenciais e comerciais em pequena escala.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, estudos realizados at\u00e9 400 metros de profundidade n\u00e3o identificaram aqu\u00edfero, apenas pontos de \u00e1gua confinada de dif\u00edcil recarga, com capacidade de renova\u00e7\u00e3o anual de cerca de 20%. Para verificar a viabilidade, o Saerb pretende perfurar tr\u00eas po\u00e7os profundos \u2014 dois no Segundo Distrito e um no Panorama \u2014 avaliando volume, qualidade da \u00e1gua e resist\u00eancia do solo, podendo expandir as perfura\u00e7\u00f5es caso os resultados sejam positivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o abastecimento, Enoque destacou que a cidade depende integralmente do Rio Acre, cuja turbidez e sazonalidade dificultam o tratamento, sobrecarregando o sistema no per\u00edodo seco.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o atual das duas ETAs \u00e9 de at\u00e9 1.600 litros por segundo, mas falhas em bombas, motores e adutoras causam intermit\u00eancia em determinados bairros, especialmente no Segundo Distrito, totalmente dependente da ETA 2.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O dirigente ressaltou ainda o alto desperd\u00edcio dom\u00e9stico e a falta de conscientiza\u00e7\u00e3o dos moradores como fatores que agravam a escassez, refor\u00e7ando que, em situa\u00e7\u00f5es cr\u00edticas, a prioridade \u00e9 garantir \u00e1gua para hospitais e unidades de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Invis\u00edvel aos olhos dos moradores, o Aqu\u00edfero Rio Branco pode ser a chave para garantir seguran\u00e7a h\u00eddrica \u00e0 capital acreana. Mas, se por um lado representa abund\u00e2ncia, por outro traz o alerta: sem gest\u00e3o integrada e respons\u00e1vel, esse tesouro subterr\u00e2neo pode se transformar em mais uma v\u00edtima da urbaniza\u00e7\u00e3o desordenada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudos recentes apontam que o aqu\u00edfero ocupa uma \u00e1rea de 122,46 km\u00b2. Foto: cedida<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":4957,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[3],"tags":[147,158,8,47],"coauthors":[136],"class_list":["post-4955","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-corriqueiras","tag-a-catraia","tag-cotidiano","tag-destaque","tag-ufac"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/image-1.jpeg?fit=836%2C627&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4955","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4955"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4955\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4960,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4955\/revisions\/4960"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4957"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4955"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4955"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4955"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcoauthors&post=4955"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}