{"id":4930,"date":"2025-10-04T09:58:49","date_gmt":"2025-10-04T14:58:49","guid":{"rendered":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=4930"},"modified":"2025-10-04T09:58:50","modified_gmt":"2025-10-04T14:58:50","slug":"uma-materia-sobre-uma-outra-materia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=4930","title":{"rendered":"Uma mat\u00e9ria sobre uma outra mat\u00e9ria"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Por Victor Manoel<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Catraia publicou, em janeiro de 2022, uma mat\u00e9ria sobre \u201c<a href=\"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=2241\">um n\u00famero significativo de acreanos que estaria migrando para outros estados, em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida<\/a>\u201d. Caso voc\u00ea j\u00e1 tenha participado de alguma das aulas de \u00c9tica do curso de jornalismo na Universidade Federal do Acre, deve ter ouvido falar dela. Essa narrativa, alimentada por relatos pessoais e sem dados precisos, encontrou eco nas aulas da professora Franciele Modesto, revelando desafios da apura\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p>O que chamava a aten\u00e7\u00e3o era que &#8220;naqueles anos, esse assunto estava em alta. A gente ouvia muito frases como: \u2018minha amiga se mudou para outro estado\u2019 ou \u2018muita gente est\u00e1 se mudando para outros lugares\u2019&#8221;, relata Carolina Torres, a universit\u00e1ria e, agora, assessora de imprensa, que assinou o texto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para Modesto, professora do curso de Bacharelado em Jornalismo, o profissional precisa conferir se as informa\u00e7\u00f5es procedem e, ao divulgar dados oficiais, se as interpreta\u00e7\u00f5es s\u00e3o pertinentes. Quando h\u00e1 d\u00favida, o caminho \u00e9 consultar outros profissionais que possam auxiliar na discuss\u00e3o e an\u00e1lise do assunto.<\/p>\n\n\n\n<p>Na regi\u00e3o Norte, o Acre e Amap\u00e1 exibiram taxas l\u00edquidas negativas de -2,86% e -2,40%, respectivamente. Quando observados os dados da principais UF de resid\u00eancia, as UF do Norte registraram fluxo migrat\u00f3rios significativos direcionado \u00e0 Regi\u00e3o Sul, bem como migra\u00e7\u00e3o interna na pr\u00f3pria macrorregi\u00e3o. O destaque foi para Santa Catariana e Paran\u00e1, os principais destinos de emigra\u00e7\u00e3o de todos os estados do Norte, com exce\u00e7\u00e3o do Tocantins. O Acre registrou 23,1% dos seus emigrantes para Rond\u00f4nia, 13,9% para Santa Catarina e 10,1% para o Amazonas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os perigos da desinforma\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo o Instituto Locomotiva, cerca de 90% da popula\u00e7\u00e3o brasileira admite ter acreditado em conte\u00fados falsos reproduzidos em redes sociais. Gisele Almeida, editora-chefe do site AGazeta.net, aponta para alguns &#8220;sinais&#8221; de que uma mat\u00e9ria pode carecer de apura\u00e7\u00e3o:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Quando aquele material n\u00e3o tem outras fontes, \u00e9 o material muitas vezes s\u00f3 com uma fonte ou aquele material que foi s\u00f3 escrito pelo pr\u00f3prio jornal, eu j\u00e1 desconfio, n\u00e9? Eu fico cad\u00ea a fonte oficial, cad\u00ea a fonte X a fonte Y?&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O caso da migra\u00e7\u00e3o acreana, segundo Modesto, revela &#8220;an\u00e1lises equivocadas de dados que induzem a opini\u00e3o p\u00fablica a pensar que n\u00e3o \u00e9 uma boa decis\u00e3o morar no Acre porque as condi\u00e7\u00f5es de vida, de modo geral, s\u00e3o ruins&#8221;. Por conta disso, ela apontava criticamente o texto. Apesar do texto ser fruto de um fen\u00f4meno social que estava em alta, como afirma a ex-discente do curso que redigiu a mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA hip\u00f3tese \u00e9 que sim, caso n\u00e3o haja pol\u00edticas p\u00fablicas eficientes de emprego decentes, seguran\u00e7a, infraestrutura urbana, saneamento b\u00e1sico, atividades de lazer e cultural no estado para que a essa popula\u00e7\u00e3o, em especial a juventude, possa querer permanecer no estado&#8221;, disserta o Prof. Dr. Jos\u00e9 Alves do curso de Geografia da Ufac, sobre se houve ou n\u00e3o um ciclo de migra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Modesto cita a not\u00edcia do &#8220;A Catraia&#8221; de 2022, que em seu <em>lead <\/em>afirmava a sa\u00edda de acreanos por \u201cfalta de seguran\u00e7a p\u00fablica, aus\u00eancia de emprego e qualidade de vida\u201d, sem apresentar n\u00fameros ou pesquisas que comprovassem a dimens\u00e3o ou as causas da migra\u00e7\u00e3o, mas com base na fala de pessoas que fizeram o processo descrito.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u00c9 preciso apurar<\/h2>\n\n\n\n<p>Em casos extremos, a falta de checagem pode ter impactos devastadores, como a exposi\u00e7\u00e3o e at\u00e9 a morte de pessoas inocentes, como ocorreu no caso de uma mulher na Cidade do Povo, linchada por conta de uma <em>fake news<\/em>, mencionado por Almeida, em 2025. A resposta da reda\u00e7\u00e3o, quando h\u00e1 suspeita de erro, deve ser &#8220;imediata&#8221;:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A gente arquiva aquele material e vai apurar onde est\u00e1 essas informa\u00e7\u00f5es erradas&#8221;. Para Almeida, preza-se pela &#8220;veracidade&#8221; e pela &#8220;\u00e9tica&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Carolina Torres, respons\u00e1vel pela mat\u00e9ria inicial do &#8220;A Catraia&#8221;, admite que a primeira abordagem foi mais focada apenas nos relatos de pessoas pr\u00f3ximas, muito se devendo ao tempo apertado que envolve conciliar vida profissional e a pr\u00f3xima avalia\u00e7\u00e3o do semestre:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Naquele momento, n\u00e3o utilizamos dados, quer\u00edamos apenas relatar os motivos que levavam as pessoas a partir&#8221;, diz. Ela explica que a pauta surgiu em um contexto p\u00f3s-pandemia, com demiss\u00f5es, fechamento de empresas e crise no Sistema \u00danico de Sa\u00fade, o que refor\u00e7ava a percep\u00e7\u00e3o de que muitas pessoas queriam sair do Acre.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUma cidade que n\u00e3o consegue manter bons n\u00edveis de saneamento b\u00e1sico, aus\u00eancia de atividades de lazer para a juventude, programas efetivos de empregabilidade e gera\u00e7\u00e3o de renda, certamente funciona muito mais como local de expuls\u00e3o de popula\u00e7\u00e3o do que atra\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra qualificada\u201d. Para o professor Alves, essa realidade pode ser observada nas condi\u00e7\u00f5es de transporte, trafegabilidade e manuten\u00e7\u00e3o das vias p\u00fablicas, e n\u00e3o se restringe a execu\u00e7\u00e3o dos governos municipais,&nbsp; pois os investimentos dependem das parcerias desses com os governos estadual e federal, revela.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma outra mat\u00e9ria<\/h2>\n\n\n\n<p>Com o tempo, a percep\u00e7\u00e3o de Carolina Torres mudou, e sua rela\u00e7\u00e3o com o tema se aprofundou. &#8220;Na primeira mat\u00e9ria, o enfoque era mais no relato; na segunda, trouxemos dados concretos&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda mat\u00e9ria, que ela cita, foi publicada pela <a href=\"https:\/\/agencia.ac.gov.br\/migracao-dados-oficiais-desmistificam-ideias-de-forte-fluxo-de-acreanos-para-outros-estados\/\">Ag\u00eancia de Not\u00edcias do Acre em 28 de julho de 2025<\/a> e foi justamente para &#8220;explicar dados do IBGE e desmentindo, a partir de dados, que os acreanos, nos \u00faltimos anos, se mudaram em grande quantidade para SC&#8221;, declara Torres.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os acreanos realmente migraram para outros estados em busca de emprego e qualidade de vida? Foto: Odair Leal\/Secom<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":4933,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[3],"tags":[147,40,8,47],"coauthors":[136],"class_list":["post-4930","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-corriqueiras","tag-a-catraia","tag-acre","tag-destaque","tag-ufac"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Rio-Acre_Mastro-Bandeira.-Odair-Leal_SECOM-9-1.jpg?fit=2048%2C1360&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4930","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4930"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4930\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4934,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4930\/revisions\/4934"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4933"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4930"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4930"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4930"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcoauthors&post=4930"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}