{"id":4771,"date":"2025-08-18T12:00:00","date_gmt":"2025-08-18T17:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=4771"},"modified":"2025-08-18T12:21:42","modified_gmt":"2025-08-18T17:21:42","slug":"maos-que-contam-historias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=4771","title":{"rendered":"M\u00e3os que contam hist\u00f3rias"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>Por Raquel de Paula, Elis Caetano e Tales Santos<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por tr\u00e1s de cada pe\u00e7a feita \u00e0 m\u00e3o, h\u00e1 algo que vai al\u00e9m do material. Onde a natureza dita o ritmo da vida, o artesanato \u00e9 mais do que trabalho: \u00e9 uma maneira de preservar hist\u00f3rias, manter vivas tradi\u00e7\u00f5es e transformar o olhar sobre o que nasce da terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Em cada colar, escultura ou acess\u00f3rio produzido no Acre, vive a mem\u00f3ria da floresta, das tradi\u00e7\u00f5es amaz\u00f4nicas e das pessoas que escolheram o artesanato como forma de express\u00e3o e sustento. Nesta reportagem, conversamos com tr\u00eas artes\u00e3os que d\u00e3o forma, cor e alma a pe\u00e7as \u00fanicas, e que carregam, em suas trajet\u00f3rias, a for\u00e7a de quem faz da arte um caminho.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O artes\u00e3o das sementes&nbsp;<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"555\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6694.jpeg?resize=740%2C555&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-4773\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6694-scaled.jpeg?resize=1024%2C768&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6694-scaled.jpeg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6694-scaled.jpeg?resize=768%2C576&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6694-scaled.jpeg?resize=1536%2C1152&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6694-scaled.jpeg?resize=2048%2C1536&amp;ssl=1 2048w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6694-scaled.jpeg?w=1480&amp;ssl=1 1480w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6694-scaled.jpeg?w=2220&amp;ssl=1 2220w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Jo\u00e3o Neto produz diversos tipos de mi\u00e7angas. Foto: Autores<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Jo\u00e3o Neto cresceu cercado pela natureza e aprendeu cedo a olhar para as sementes como algo que carrega vida e hist\u00f3ria. N\u00e3o demorou para transformar esse olhar em arte: pulseiras, colares, ter\u00e7os, todos feitos \u00e0 m\u00e3o, um a um, usando sementes da floresta amaz\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas seu come\u00e7o no artesanato foi outro. \u201cEu t\u00f4 nesse ramo desde 2005. H\u00e1 uns 12 anos, abri minha loja com cinco colegas. Nunca imaginei que um dia estaria fazendo artesanato assim. Mas, com o tempo, a loja come\u00e7ou a exigir mais variedade, ent\u00e3o passei a montar minhas pr\u00f3prias pe\u00e7as.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Foi a\u00ed que as sementes ganharam espa\u00e7o. As mat\u00e9rias-primas v\u00eam de diferentes partes do Acre e at\u00e9 do Amazonas. \u201cTem gente que traz de Boca do Acre, Assis Brasil, Feij\u00f3, Sena Madureira. A semente vem crua e a gente compra de quem j\u00e1 beneficiou. Eu n\u00e3o fa\u00e7o o beneficiamento, tem gente certa pra isso. Tem quem fure caro\u00e7o por caro\u00e7o. A gente trabalha com paxiub\u00e3o, a\u00e7a\u00ed, jarina\u2026 e os cascalhos, que s\u00e3o essas pecinhas menores entre uma semente e outra. Pode ser de Tucum\u00e3, de Cumaru-ferro ou at\u00e9 da pr\u00f3pria semente que sobra.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"555\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6724.jpeg?resize=740%2C555&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-4775\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6724-scaled.jpeg?resize=1024%2C768&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6724-scaled.jpeg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6724-scaled.jpeg?resize=768%2C576&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6724-scaled.jpeg?resize=1536%2C1152&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6724-scaled.jpeg?resize=2048%2C1536&amp;ssl=1 2048w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6724-scaled.jpeg?w=1480&amp;ssl=1 1480w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6724-scaled.jpeg?w=2220&amp;ssl=1 2220w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Grande parte do trabalho \u00e9 produzido com sementes. Foto: Autores<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, Jo\u00e3o fabrica chaveiros, colares, brincos, e outros acess\u00f3rios. Para ele, a reinven\u00e7\u00e3o \u00e9 parte do of\u00edcio. \u201cO turista cobra isso da gente. Ent\u00e3o a gente se reinventa.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com a experi\u00eancia, os desafios s\u00e3o constantes. \u201cMinha maior dificuldade como artes\u00e3o \u00e9 o incentivo financeiro.\u201d Hoje ele \u00e9 microempreendedor individual (MEI), tem sua empresa, mas por ainda ter d\u00edvidas junto ao Fundo de Financiamento Estudantil &nbsp;(FIES), fica impedido de conseguir cr\u00e9dito em bancos. \u201cTudo que eu fa\u00e7o \u00e9 com o dinheiro que gira dentro da loja\u2026 \u00e9 o que sustenta minha vida, o pagamento dos funcion\u00e1rios, a compra das sementes. \u00c0s vezes, eu at\u00e9 dou material para outros artes\u00e3os que est\u00e3o passando dificuldade. Porque a gente sabe como \u00e9\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A cria\u00e7\u00e3o, segundo ele, \u00e9 algo que se aprende ao fazer.&nbsp; Inicialmente, Jo\u00e3o Neto n\u00e3o se via montando um colar, um brinco. \u201cMas tudo \u00e9 criatividade. Cada pe\u00e7a tem um significado, depende da forma como voc\u00ea monta, do jeito que voc\u00ea deixa\u201d. Ele cita&nbsp; o exemplo dos chaveiros, que gosta de deixar uma pontinha pra fora. \u201c\u00c9 um gosto meu, tem gente que critica, diz que tem que seguir um design certinho. Mas eu gosto de combinar as pe\u00e7as com uniforme, com alguma coisa que se conecte\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"416\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6713.jpeg?resize=740%2C416&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-4776\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6713-scaled.jpeg?resize=1024%2C576&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6713-scaled.jpeg?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6713-scaled.jpeg?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6713-scaled.jpeg?resize=1536%2C864&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6713-scaled.jpeg?resize=2048%2C1152&amp;ssl=1 2048w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6713-scaled.jpeg?w=1480&amp;ssl=1 1480w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6713-scaled.jpeg?w=2220&amp;ssl=1 2220w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>&#8220;Tudo \u00e9 criatividade&#8221;, disse Jo\u00e3o Neto. Foto: Autores<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ele sente uma motiva\u00e7\u00e3o muito grande ao ver suas cria\u00e7\u00f5es cruzando fronteiras \u201c e sempre pergunta para os clientes de onde s\u00e3o. \u201cUm dia, entreguei uma camiseta para um cara e ele disse que era da Checoslov\u00e1quia. Eu nem sei onde fica direito, mas pra voc\u00ea ver como a Amaz\u00f4nia atrai gente do mundo todo. O nosso artesanato tem esse poder.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O doutor da borracha&nbsp;<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 Rodrigues carrega no apelido e no of\u00edcio o legado da floresta. Filho e neto de seringueiros, ele nasceu nesse caminho e fez da borracha n\u00e3o apenas sustento, mas arte que j\u00e1 cruzou fronteiras e palcos do mundo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"720\" height=\"341\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/f82b0150-f4e7-48eb-9217-8e0a11b1518d.jpeg?resize=720%2C341&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-4786\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/f82b0150-f4e7-48eb-9217-8e0a11b1518d.jpeg?w=720&amp;ssl=1 720w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/f82b0150-f4e7-48eb-9217-8e0a11b1518d.jpeg?resize=300%2C142&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"(max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Jos\u00e9 Rodrigues \u00e9 conhecido como Doutor da Borracha. Foto: Autores<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO que me inspira a trabalhar com a borracha \u00e9 a floresta. Eu queria viver de um trabalho que valorizasse o meu ambiente. Me inspiro na minha hist\u00f3ria, na hist\u00f3ria dos meus pais, que s\u00e3o seringueiros. \u00c9 algo que corre no sangue\u201d. Para ele,&nbsp; o mais importante \u00e9 conseguir transformar essa mat\u00e9ria-prima em uma pe\u00e7a final, pronta para o consumidor, e esclarece: \u201cisso agrega valor ao que a floresta oferece e ao que eu fa\u00e7o com minhas pr\u00f3prias m\u00e3os.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Com olhos atentos ao passado e p\u00e9s fincados no presente, ele transformou o l\u00e1tex em sapatos, bolsas e acess\u00f3rios \u00fanicos, produzidos com consci\u00eancia ambiental e respeito pela cultura do seu povo. Sua trajet\u00f3ria come\u00e7ou ainda em meados dos anos 2000, a partir de um curso de tecnologia da borracha oferecido em parceria com a Universidade de Bras\u00edlia a TEC BORR.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"416\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/764d8766-f47a-453a-81f7-4c5d23048c75.jpeg?resize=740%2C416&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-4777\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/764d8766-f47a-453a-81f7-4c5d23048c75.jpeg?resize=1024%2C576&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/764d8766-f47a-453a-81f7-4c5d23048c75.jpeg?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/764d8766-f47a-453a-81f7-4c5d23048c75.jpeg?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/764d8766-f47a-453a-81f7-4c5d23048c75.jpeg?w=1280&amp;ssl=1 1280w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Todos os produtos s\u00e3o peitos a partir do l\u00e1tex. Foto: Autores<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cComecei a trabalhar com folha de defuma\u00e7\u00e3o l\u00edquida que \u00e9 um tipo de borracha produzida utilizando uma t\u00e9cnica de coagula\u00e7\u00e3o do l\u00e1tex com fuma\u00e7a l\u00edquida. E ali, por volta de 2006, 2007, nasceu esse meu trabalho com o artesanato\u201d. E tudo foi se transformando \u00e0 medida que passou a expor em&nbsp; feiras, foi ouvindo o que as pessoas diziam, pegando ideias e colocando em pr\u00e1tica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Desde ent\u00e3o, Jos\u00e9 levou o nome do Acre a diferentes partes do mundo. Participou da Feira de Mil\u00e3o em 2014, conduziu a tocha ol\u00edmpica em 2016, esteve no palco do Faust\u00e3o em 2017 e gravou o document\u00e1rio Acre Existe em 2012. Em 2022, foi reconhecido com o pr\u00eamio Top 100 Mundial Ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO que mais me emociona \u00e9 poder andar pelo Brasil e at\u00e9 fora dele, mostrar meu trabalho. Eu, que nasci e fui criado na floresta, hoje tenho a oportunidade de apresentar um produto lindo, sustent\u00e1vel, para o mundo. Isso fica na mem\u00f3ria.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Da madeira para mem\u00f3ria viva<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>No ateli\u00ea de Ant\u00f4nio Geraldo, a arte de esculpir a madeira \u00e9 mais que um of\u00edcio. \u00c9 uma paix\u00e3o que se revela em peixes, folhas e animais t\u00edpicos da Amaz\u00f4nia, trabalhados em detalhes minuciosos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Desde os anos 2000, ele encontrou no artesanato n\u00e3o apenas uma fonte de renda, mas uma terapia, um respiro criativo e uma forma de respeitar o meio ambiente. Ele come\u00e7ou com m\u00f3veis, criando com madeira o que dava vontade. Depois, foi se dedicando mais ao artesanal, aos estilos r\u00fastico e torneado. E com o tempo descobriu que o artesanato o ajudava at\u00e9 psicologicamente.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"555\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6627.jpeg?resize=740%2C555&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-4778\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6627-scaled.jpeg?resize=1024%2C768&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6627-scaled.jpeg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6627-scaled.jpeg?resize=768%2C576&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6627-scaled.jpeg?resize=1536%2C1152&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6627-scaled.jpeg?resize=2048%2C1536&amp;ssl=1 2048w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6627-scaled.jpeg?w=1480&amp;ssl=1 1480w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6627-scaled.jpeg?w=2220&amp;ssl=1 2220w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Da madeira, Ant\u00f4nio Geraldo produz diversos produtos. Foto: Autores<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u201c \u00c0s vezes voc\u00ea est\u00e1 fazendo uma pe\u00e7a e, do nada, surge uma ideia para outra. \u00c9 como se a madeira abrisse caminhos dentro da nossa mente. A gente vai criando, se acalmando, refletindo. E mais do que isso, a gente transforma o que seria lixo em arte.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Seu Geraldo utiliza restos de madeira, galhos e peda\u00e7os que iriam se perder e a partir deles criar pe\u00e7as \u00fanicas. \u201cA sustentabilidade est\u00e1 a\u00ed: voc\u00ea n\u00e3o agride o ambiente, mas aproveita o que a floresta j\u00e1 oferece. Aquilo que muitos acham que s\u00f3 serve para lenha, eu vejo como mat\u00e9ria-prima.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para ele, cada escultura nasce de um impulso diferente, e a cria\u00e7\u00e3o vem para todo artes\u00e3o que tem atitude e desejo. \u201cNem sempre consigo repetir uma pe\u00e7a igual, porque cada uma nasce de um momento, de uma ideia. Se algu\u00e9m me pede uma pe\u00e7a igual \u00e0 que viu meses atr\u00e1s, \u00e0s vezes j\u00e1 n\u00e3o consigo fazer. \u00c9 outra inspira\u00e7\u00e3o. \u00c9 outra madeira. \u00c9 outra hist\u00f3ria.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"555\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6631.jpeg?resize=740%2C555&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-4781\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6631-scaled.jpeg?resize=1024%2C768&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6631-scaled.jpeg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6631-scaled.jpeg?resize=768%2C576&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6631-scaled.jpeg?resize=1536%2C1152&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6631-scaled.jpeg?resize=2048%2C1536&amp;ssl=1 2048w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6631-scaled.jpeg?w=1480&amp;ssl=1 1480w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6631-scaled.jpeg?w=2220&amp;ssl=1 2220w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Grande parte dos produtos \u00e9 feito a partir de restos de madeira. Foto: Autores<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 justamente essa singularidade que tem levado seu trabalho para al\u00e9m das fronteiras do Acre, Brasil e at\u00e9 do mundo. \u201cD\u00e1 um orgulho enorme ver o que a gente faz com as pr\u00f3prias m\u00e3os sendo valorizado. Quando as pessoas elogiam, encomendam, pagam antes mesmo de ver a pe\u00e7a pronta\u2026\u201d Ant\u00f4nio Geraldo se sente feliz com a admira\u00e7\u00e3o a suas pe\u00e7as, o que d\u00e1 confian\u00e7a para continuar trabalhando.&nbsp; \u201cJ\u00e1 desejei que a noite virasse dia s\u00f3 pra seguir criando.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"555\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6648.jpeg?resize=740%2C555&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-4782\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6648-scaled.jpeg?resize=1024%2C768&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6648-scaled.jpeg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6648-scaled.jpeg?resize=768%2C576&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6648-scaled.jpeg?resize=1536%2C1152&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6648-scaled.jpeg?resize=2048%2C1536&amp;ssl=1 2048w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6648-scaled.jpeg?w=1480&amp;ssl=1 1480w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6648-scaled.jpeg?w=2220&amp;ssl=1 2220w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Todo o processo criativo vem da pr\u00f3pria mente do artista. Foto: Autores<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Mas o reconhecimento nem sempre vem de onde se espera. \u201cInfelizmente, aqui na nossa regi\u00e3o, tem gente que debocha, que desvaloriza. A gente vive cercado de madeira e, por isso mesmo, muitos n\u00e3o enxergam o valor de um trabalho feito com ela. Tem quem diga que aquilo n\u00e3o presta, que \u00e9 s\u00f3 lenha. Isso desanima. Mas a\u00ed vem algu\u00e9m de fora, olha com outros olhos e diz: \u2018isso \u00e9 arte!\u2019. E isso faz a diferen\u00e7a. O elogio de um compensa o desprezo do outro. D\u00e1 for\u00e7a pra continuar.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"555\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6684.jpeg?resize=740%2C555&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-4783\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6684-scaled.jpeg?resize=1024%2C768&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6684-scaled.jpeg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6684-scaled.jpeg?resize=768%2C576&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6684-scaled.jpeg?resize=1536%2C1152&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6684-scaled.jpeg?resize=2048%2C1536&amp;ssl=1 2048w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6684-scaled.jpeg?w=1480&amp;ssl=1 1480w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6684-scaled.jpeg?w=2220&amp;ssl=1 2220w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Trabalho feito \u00e0 m\u00e3o \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o de um sonho. Foto: Autores<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artes\u00e3os do Acre transformam natureza, cultura e mem\u00f3ria em arte. Foto: Autores<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":4774,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[5],"tags":[40,115,8,47],"coauthors":[136],"class_list":["post-4771","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-afluentes","tag-acre","tag-cultura","tag-destaque","tag-ufac"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/IMG_6743-scaled.jpeg?fit=2560%2C1920&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4771","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4771"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4771\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4788,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4771\/revisions\/4788"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4771"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4771"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4771"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcoauthors&post=4771"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}