{"id":4747,"date":"2025-08-11T11:30:21","date_gmt":"2025-08-11T16:30:21","guid":{"rendered":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=4747"},"modified":"2025-08-11T11:39:24","modified_gmt":"2025-08-11T16:39:24","slug":"a-vida-de-quem-sai-de-casa-para-estudar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=4747","title":{"rendered":"A vida de quem sai de casa para estudar"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Por Yana Vit\u00f3ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Conquistar uma vaga em uma universidade p\u00fablica representa, para muitos jovens do interior, somente o primeiro passo de um desafio ainda maior. Ap\u00f3s vencer o Enem, come\u00e7a a batalha pela perman\u00eancia: deixar a casa da fam\u00edlia, mudar-se para a capital ou para um munic\u00edpio pr\u00f3ximo e enfrentar o peso financeiro, emocional e social de um projeto de vida que, muitas vezes, depende do apoio de pol\u00edticas p\u00fablicas para n\u00e3o ser interrompido.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Universidade Federal do Acre (Ufac), essa realidade \u00e9 vivida principalmente pelos estudantes vindos do interior, que precisam buscar em Rio Branco e Cruzeiro do Sul cursos inexistentes em suas cidades de origem. A pol\u00edtica de assist\u00eancia estudantil tenta amenizar essas dificuldades, mas enfrenta limita\u00e7\u00f5es para garantir condi\u00e7\u00f5es adequadas a todos.<\/p>\n\n\n\n<p>A precariedade do transporte p\u00fablico, a dist\u00e2ncia das zonas rurais e a aus\u00eancia de pol\u00edticas que atendam plenamente esses alunos deixam muitos em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade. H\u00e1 quem passe o dia inteiro fora de casa para assistir a poucas horas de aula. Outros, sem conseguir arcar com o custo das passagens, acabam prejudicando sua frequ\u00eancia. E h\u00e1 ainda quem precise deixar sua cidade, o emprego e a fam\u00edlia para tentar a sorte na capital, muitas vezes sem o apoio necess\u00e1rio para se manter.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente sabe que n\u00e3o consegue alcan\u00e7ar todo mundo que precisa\u201d, reconhece Cydia de Menezes Furtado, diretora de Apoio Estudantil da Ufac. Segundo ela, a universidade atua com recursos do Programa Nacional de Assist\u00eancia Estudantil (PNAES), cuja maior parte \u2014 entre 60% e 65% \u2014 \u00e9 destinada \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o dos Restaurantes Universit\u00e1rios (RUs). O restante se divide entre bolsas e aux\u00edlios, conforme o n\u00famero de estudantes de cada campus. \u201cTentamos contemplar o maior n\u00famero poss\u00edvel de estudantes, mas h\u00e1 limites impostos pelo or\u00e7amento\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Apoios e limites<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Entre os principais aux\u00edlios est\u00e3o o aux\u00edlio moradia, voltado a quem vive longe da fam\u00edlia, e o aux\u00edlio-transporte intermunicipal, destinado a estudantes de cidades pr\u00f3ximas, como Bujari, Porto Acre e Senador Guiomard. Al\u00e9m deles, o passe estudantil garante acesso ao transporte urbano em Rio Branco.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Cruzeiro do Sul, a Ufac mant\u00e9m uma resid\u00eancia estudantil com 26 vagas, destinada a alunos em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade. O espa\u00e7o oferece moradia, bolsa mensal, transporte, refei\u00e7\u00f5es gratuitas no RU e suporte social e psicol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p>Na capital, entretanto, a iniciativa n\u00e3o foi replicada, com a justificativa de que manter uma resid\u00eancia estudantil exige boa estrutura, equipe e or\u00e7amento. \u201cA universidade passa a ser respons\u00e1vel pelos moradores, incluindo alimenta\u00e7\u00e3o e acompanhamento social. Por isso, em Rio Branco, optamos por conceder o aux\u00edlio moradia em dinheiro, uma alternativa mais vi\u00e1vel dentro da nossa realidade or\u00e7ament\u00e1ria\u201d, afirma Cydia Furtado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, a diretora admite haver uma cobran\u00e7a constante dos alunos para que a Ufac tamb\u00e9m ofere\u00e7a moradia na capital, onde a demanda \u00e9 muito maior.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Luta pela perman\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A busca por oportunidades em Rio Branco exige dos estudantes mais do que adapta\u00e7\u00e3o. Requer estrat\u00e9gias de sobreviv\u00eancia. A trajet\u00f3ria de Sandy Andrade, estudante de Engenharia Florestal, retrata bem essa realidade. Natural de uma comunidade rural de Boca do Acre, ela precisou se mudar para a capital ainda no ensino m\u00e9dio, diante da falta de oferta educacional em sua cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTive que correr atr\u00e1s. Morei com parentes, depois fui para apartamento, sempre tentando me manter. Trabalhei, procurei est\u00e1gio, vendi produtos. O custo de vida aqui \u00e9 alto. Os aux\u00edlios ajudam, j\u00e1 fui contemplada algumas vezes e pude contar com o valor da bolsa para o aluguel, al\u00e9m de fazer minhas refei\u00e7\u00f5es no RU. Mas \u00e9 preciso coragem para enfrentar tudo isso. E quem n\u00e3o tem fam\u00edlia em Rio Branco sente ainda mais\u201d, relata Sandy.<\/p>\n\n\n\n<p>O relato de Sandy, assim como o de tantos outros estudantes, reflete um cotidiano onde a perman\u00eancia universit\u00e1ria est\u00e1 ligada \u00e0 luta di\u00e1ria. Hist\u00f3rias de jovens que vendem doces, fazem trabalhos informais ou dependem de familiares para conseguir continuar estudando s\u00e3o comuns e revelam que, apesar dos esfor\u00e7os institucionais, a assist\u00eancia ainda n\u00e3o supre as reais necessidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora garantido por lei, o apoio estudantil depende diretamente dos repasses federais. A Ufac participa de f\u00f3runs nacionais e refor\u00e7a a necessidade de revis\u00e3o da matriz or\u00e7ament\u00e1ria, especialmente para as regi\u00f5es norte e nordeste, onde os \u00edndices de vulnerabilidade social s\u00e3o mais elevados.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das bolsas e aux\u00edlios, a universidade mant\u00e9m est\u00e1gios remunerados e busca alternativas para evitar a evas\u00e3o, apostando em a\u00e7\u00f5es que garantam a perman\u00eancia e a conclus\u00e3o dos cursos.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre o esfor\u00e7o di\u00e1rio, o cansa\u00e7o e a resist\u00eancia, estudantes do interior seguem buscando formas de permanecer na universidade, enfrentando as incertezas de um sistema que ainda n\u00e3o consegue garantir seguran\u00e7a a quem deixou sua terra natal em busca de um futuro melhor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Longe da fam\u00edlia, alunos de munic\u00edpios do interior encaram os desafios de permanecer no ensino superior<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":4748,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[2],"tags":[27,147,8,151,47],"coauthors":[136],"class_list":["post-4747","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-rotas","tag-destaque-2","tag-a-catraia","tag-destaque","tag-destaque-ufac","tag-ufac"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/UFAC.webp?fit=2048%2C1365&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4747","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4747"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4747\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4752,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4747\/revisions\/4752"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4748"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4747"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4747"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4747"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcoauthors&post=4747"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}