{"id":4709,"date":"2025-08-01T13:07:34","date_gmt":"2025-08-01T18:07:34","guid":{"rendered":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=4709"},"modified":"2025-08-01T13:08:53","modified_gmt":"2025-08-01T18:08:53","slug":"filhos-nao-obrigada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=4709","title":{"rendered":"Filhos? N\u00e3o, obrigada!\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Por <\/em><\/strong><strong><em>Fernanda Maia, Gabriel Vitorino, Jhenyfer de Souza<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu vou concordar com o que Machado de Assis fala: \u201cN\u00e3o tive filhos, n\u00e3o transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa mis\u00e9ria.\u201d A frase escrita pelo escritor no s\u00e9culo XIX ressoa hoje na voz de Mariany Santana, natural do Piau\u00ed, que aos 23 anos decidiu fazer laqueadura e escolheu romper de vez com a possibilidade de ser m\u00e3e.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Marieny enxerga a aus\u00eancia de filhos n\u00e3o como uma falta, mas sim uma escolha de quais&nbsp; batalhas deseja enfrentar na sua vida. E esse pensamento n\u00e3o \u00e9 isolado, assim como ela, cada vez mais mulheres questionam o destino que lhes foi imposto culturalmente por gera\u00e7\u00f5es: a maternidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O desejo de se opor \u00e0 maternidade era um tabu, mas hoje ganha corpo em estat\u00edsticas e debates, que s\u00e3o explicados por dados que apontam n\u00e3o s\u00f3 para o medo da instabilidade econ\u00f4mica que dificulta a cria\u00e7\u00e3o de filhos mas tamb\u00e9m para uma gera\u00e7\u00e3o que, pela primeira vez, sente mais liberdade em reivindicar o direito de dizer, sem culpa, \u201cn\u00e3o quero ser m\u00e3e\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, dados mostram o crescimento do movimento de mulheres que pensam da mesma forma. Pesquisas do Censo 2022 (IBGE) mostraram que o percentual de mulheres com 50 a 59 anos que n\u00e3o tiveram filhos subiu para 16,1%, em compara\u00e7\u00e3o com os anos 2000 que era de apenas 10,0%. Al\u00e9m disso, a pesquisa demonstra que em 2010, o maior \u00edndice de fecundidade era visto no grupo de 20 a 24 anos. J\u00e1 em 2022, esse pico se deslocou para a faixa de 25 a 29 anos. Esse envelhecimento \u00e9 causado pela redu\u00e7\u00e3o na fecundidade entre as mulheres mais jovens.<\/p>\n\n\n\n<p>A PNAD 2019 revelou que 10% das mulheres em idade reprodutiva declararam n\u00e3o desejar filhos, isso coincide com a queda expressiva na taxa de fecundidade que era de 6,3 filhos por mulher em 1960 e chegou a 1,6 em 2022, abaixo do n\u00edvel de reposi\u00e7\u00e3o populacional (2,1).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Maternidade \u00e9 escolha<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na sociedade existe h\u00e1 alguns s\u00e9culos a necessidade de impor aos g\u00eaneros seus respectivos papeis, muito influenciados pela heran\u00e7a de uma cultura machista que restringia as mulheres \u00e0 procria\u00e7\u00e3o e cuidados com o lar. Hoje notamos certas mudan\u00e7as nesse contexto, mulheres est\u00e3o conquistando cada vez mais os seus espa\u00e7os fora do \u00e2mbito familiar e possuem reflex\u00e3o cada vez maior sobre suas aptid\u00f5es e desejos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A maternidade foi muitas vezes associada a estere\u00f3tipos que reduziram a mulher a pap\u00e9is naturais de fragilidade e dedica\u00e7\u00e3o exclusiva ao cuidado com os outros. Essa vis\u00e3o ficou enraizada nas estruturas sociais, com as mulheres vistas como cuidadoras, respons\u00e1veis pelo lar, pela gesta\u00e7\u00e3o e pela cria\u00e7\u00e3o dos filhos, o que refor\u00e7ava que a realiza\u00e7\u00e3o da mulher estava necessariamente ligada \u00e0 maternidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa associa\u00e7\u00e3o entre mulher e maternidade est\u00e1 cada vez mais distante da realidade atual da mulher, que muitas vezes visa liberdade e independ\u00eancia feminina. Hoje, algumas mulheres buscam autonomia, crescimento pessoal, profissional , e desafiam as fun\u00e7\u00f5es que as definiram apenas com base em pap\u00e9is reprodutivos. Para algumas mulheres a maternidade n\u00e3o \u00e9 mais vista como um destino inevit\u00e1vel, mas sim uma escolha.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"547\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Captura-de-Tela-2025-08-01-as-13.04.25.png?resize=740%2C547&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-4713\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Captura-de-Tela-2025-08-01-as-13.04.25.png?resize=1024%2C757&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Captura-de-Tela-2025-08-01-as-13.04.25.png?resize=300%2C222&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Captura-de-Tela-2025-08-01-as-13.04.25.png?resize=768%2C568&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Captura-de-Tela-2025-08-01-as-13.04.25.png?w=1188&amp;ssl=1 1188w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>P\u00e2mela Freitas palestrando sobre representa\u00e7\u00f5es de mulheres e desconstruindo estere\u00f3tipos. Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A frase \u201cn\u00e3o quero ser m\u00e3e\u201d pode parecer simples, mas carrega um peso social imenso para quem decide diz\u00ea-la em voz alta, especialmente quando se \u00e9 uma mulher jovem. Essa afirma\u00e7\u00e3o pode taxar a mulher que prefere n\u00e3o ser m\u00e3e como ego\u00edsta e colocando-a quase como vil\u00e3.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Escolha Definitiva<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em posicionamento p\u00fablico, por meio de suas redes sociais, Mariany Santana relatou como a decis\u00e3o definitiva encerrou de uma vez por todas a possibilidade de ter filhos.&nbsp; O v\u00eddeo sobre sua experi\u00eancia em fazer a laqueadura aos 23 anos viralizou e atingiu milhares de pessoas que se identificaram, discordaram ou se surpreenderam com sua posi\u00e7\u00e3o convicta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssa decis\u00e3o de n\u00e3o ter filhos, ela n\u00e3o veio do dia para noite. Foi bem pensada. Come\u00e7ou com um sentimento de enxergar que a maternidade n\u00e3o era de fato para mim. A maternidade existe muito sacrif\u00edcio, muda totalmente a din\u00e2mica do casal, muda totalmente a mulher e \u00e9 como se fosse um emprego vital\u00edcio. Ent\u00e3o, eu vi que isso n\u00e3o era para mim\u201d, contou Mariany.<\/p>\n\n\n\n<p>Mariany testemunhou em sua pr\u00f3pria fam\u00edlia os sacrif\u00edcios da maternidade e decidiu que n\u00e3o queria seguir o caminho da cria\u00e7\u00e3o dos filhos e optou pela cirurgia de laqueadura com o objetivo de realizar um m\u00e9todo definitivo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ela buscou um m\u00e9todo com 100% de garantia e optou por remover as trompas, ao inv\u00e9s dos m\u00e9todos anticoncepcionais tradicionais. \u201cViver numa fam\u00edlia grande, observar os sacrif\u00edcios, saber que eu estava criando uma crian\u00e7a para o mundo e que talvez essa crian\u00e7a n\u00e3o seguisse os os meus passos, n\u00e3o seguisse os meus conselhos, eu n\u00e3o teria controle sobre ele, sobre o que viver\u00edamos, sobre os perigos ao qual ele poderia se expor, tudo isso me fez optar por n\u00e3o ser m\u00e3e.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de sua decis\u00e3o ter sido recebida com mensagens de apoio da grande parte de seus familiares, Mariany conta que ao publicar em suas redes sociais sofreu julgamentos e at\u00e9 ataques online por suas opini\u00f5es: &#8220;\u00c9 um <em>hate<\/em> desmedido, \u00e9 desproporcional, eles se lamentam e dizem que eu sou ego\u00edsta.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sem medo de se arrepender, Mariany segue firme em sua decis\u00e3o. \u201cEu prefiro me arrepender por n\u00e3o n\u00e3o ter um filho do que ter um filho e me arrepender, eu tinha conhecimento sobre todos os m\u00e9todos, sobre falhas, eu me mantive virgem para fazer a cirurgia, eu realmente estava firme.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As Motiva\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os motivos por tr\u00e1s dessa escolha s\u00e3o diversos, e entre eles se encaixam quest\u00f5es econ\u00f4micas, pois para a classe m\u00e9dia, criar um filho at\u00e9 os 18 anos no Brasil custa em m\u00e9dia R$ 1,4 milh\u00e3o, segundo c\u00e1lculos do IPC\/FGV de 2023.&nbsp; As mulheres tamb\u00e9m est\u00e3o cada vez mais valorizando o direito de decidir priorizar as suas vidas pessoais ou suas carreiras profissionais e ter autonomia sobre o seu corpo sem se dedicar \u00e0s ren\u00fancias que v\u00eam junto com a maternidade. Uma pesquisa do LinkedIn em 2023 sobre carreira e maternidade mostrou que aproximadamente 68% das mulheres sem filhos enxergam a maternidade como um obst\u00e1culo profissional.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"693\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Captura-de-Tela-2025-08-01-as-13.05.06.png?resize=740%2C693&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-4714\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Captura-de-Tela-2025-08-01-as-13.05.06.png?resize=1024%2C959&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Captura-de-Tela-2025-08-01-as-13.05.06.png?resize=300%2C281&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Captura-de-Tela-2025-08-01-as-13.05.06.png?resize=768%2C719&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Captura-de-Tela-2025-08-01-as-13.05.06.png?w=1158&amp;ssl=1 1158w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>P\u00e2mela Freitas na Ufac dialogando sobre jornalismo, filosofia, ci\u00eancia e tecnologia. Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A&nbsp; jornalista acreana P\u00e2mela Freitas, 30 anos, desde cedo tamb\u00e9m n\u00e3o se via como m\u00e3e e buscou conhecimento sobre as quest\u00f5es sociais e trabalhos que envolvem a maternidade como um todo, principalmente para as mulheres.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A jornalista entende que ter filhos gera uma carga muito maior para a m\u00e3e. \u201cMesmo quando ela \u00e9 casada e o pai \u00e9 presente, a carga sempre \u00e9 maior para a mulher, como basicamente tudo na vida. Ent\u00e3o, eu acredito que, principalmente por esse motivo, por esse excesso de trabalho, por mais essa demanda, eu nunca tive vontade\u201d, comentou P\u00e2mela.<\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o de n\u00e3o ter filhos tamb\u00e9m esbarra em pol\u00edticas p\u00fablicas que ainda tratam a maternidade como uma inevitabilidade. M\u00e9todos permanentes de contracep\u00e7\u00e3o, como a laqueadura, seguem cercados de exig\u00eancias e burocracias, especialmente para mulheres jovens.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu acredito que essa informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o chega de forma equivalente para todo mundo, e isso \u00e9 um problema, porque faz com que muitas mulheres acabem engravidando por n\u00e3o saber como se prevenir ou por n\u00e3o ter acesso \u00e0 cirurgia de laqueadura, por exemplo\u201d, desabafou P\u00e2mela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No caso de Pamela, a decis\u00e3o de n\u00e3o ser m\u00e3e n\u00e3o surgiu de um trauma ou evento isolado, mas de uma consci\u00eancia desenvolvida ao longo da vida. Desde a juventude, P\u00e2mela nunca se enxergou em narrativas tradicionais de casamento, filhos e rotina dom\u00e9stica, enquanto muitas mulheres s\u00e3o ensinadas a sonhar com um ber\u00e7o no quarto e uma crian\u00e7a nos bra\u00e7os, ela sempre sonhou com estudos, idiomas, profiss\u00e3o e liberdade de escolhas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu quero ser professora universit\u00e1ria, eu queria trabalhar como jornalista, como assessora de imprensa para pegar bagagem, para levar para sala de aula quando eu me tornar uma professora. Eu gosto de estudar, estudar idiomas como um agregador pessoal e profissional. Ent\u00e3o, meus planos de vida est\u00e3o sempre voando\u201d, destacou P\u00e2mela.<\/p>\n\n\n\n<p>Por onde passa, ela evita dar margem a julgamentos. \u201cAs pessoas que mais importam para mim s\u00e3o as que eu falo abertamente sobre isso. Outras pessoas eu comento sobre, mas nunca dou abertura para elas me criticarem.\u201d Ainda assim, ela reconhece que o julgamento existe, n\u00e3o direcionado a si, mas presente na sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Realidade sem filtro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma romantiza\u00e7\u00e3o da maternidade, que ignora as ren\u00fancias que ela imp\u00f5e, filhos s\u00e3o sim, fonte de amor, mas tamb\u00e9m exigem tempo, dinheiro, disposi\u00e7\u00e3o emocional e f\u00edsica, recursos esses que muitas mulheres hoje em dia preferem direcionar a si mesmas, aos seus projetos de vida, ou mesmo \u00e0 liberdade de viver sem grandes v\u00ednculos familiares. P\u00e2mela compreende isso com clareza, para ela ter filhos nunca fez parte de um ideal de realiza\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"490\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Captura-de-Tela-2025-08-01-as-13.05.46.png?resize=740%2C490&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-4715\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Captura-de-Tela-2025-08-01-as-13.05.46.png?resize=1024%2C678&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Captura-de-Tela-2025-08-01-as-13.05.46.png?resize=300%2C199&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Captura-de-Tela-2025-08-01-as-13.05.46.png?resize=768%2C509&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Captura-de-Tela-2025-08-01-as-13.05.46.png?w=1190&amp;ssl=1 1190w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Mulheres que n\u00e3o querem ser m\u00e3es. Foto: Arquivo pessoal<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Mais do que n\u00e3o desejar a maternidade, P\u00e2mela e Mariany tamb\u00e9m rejeitam a experi\u00eancia da gesta\u00e7\u00e3o como os impactos causados no corpo, o risco \u00e0 sa\u00fade que surge e as cobran\u00e7as sociais que se imp\u00f5em \u00e0s m\u00e3es desde o pr\u00e9-natal at\u00e9 a vida adulta da crian\u00e7a.\u201cEu n\u00e3o queria ter que sofrer durante a maternidade, sentir enjoo, correr risco de pr\u00e9-ecl\u00e2mpsia, diabetes gestacional, eu n\u00e3o queria ter que parir\u201d, disse Mariany. \u201cEu n\u00e3o quero a gesta\u00e7\u00e3o, sabe? Aquelas mudan\u00e7as no corpo, aquela transforma\u00e7\u00e3o que passa no corpo da mulher quando ela engravida\u201d, endossa P\u00e2mela.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesse ponto que a sociedade frequentemente desumaniza a mulher que escolhe n\u00e3o ser m\u00e3e, quando a define como \u201cincompleta\u201d ou \u201cego\u00edsta\u201d, mesmo quando a escolha est\u00e1 baseada em racionalidade, planejamento e autoconhecimento. Para muitas, inclusive, a cobran\u00e7a de uma heran\u00e7a biol\u00f3gica torna-se um peso, outras querem deixar seu legado em suas a\u00e7\u00f5es, em suas profiss\u00f5es, nos v\u00ednculos afetivos que constroem voluntariamente, e n\u00e3o na continuidade de um sobrenome.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu acredito que n\u00f3s podemos ser o melhor que podemos para as pessoas que amamos. Essa \u00e9 a marca que eu quero deixar\u201d, relatou Mariany.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da quest\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o e do acesso aos m\u00e9todos contraceptivos que aparecem com for\u00e7a nos relatos, as entrevistadas destacam o quanto a desigualdade pode impactar diretamente sobre a vida de mulheres que, como elas, n\u00e3o querem filhos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>P\u00e2mela tamb\u00e9m reflete sobre outras desigualdades que atravessam esse debate: enquanto mulheres cis h\u00e9tero s\u00e3o pressionadas a serem m\u00e3es, casais homoafetivos enfrentam preconceito ao desejarem a parentalidade. \u201cQuando voc\u00ea \u00e9 uma pessoa LGBT e decide que quer adotar um filho, a sociedade tem uma rea\u00e7\u00e3o oposta, eles acreditam que voc\u00ea n\u00e3o poderia fazer isso. Totalmente preconceituoso\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto o debate sobre o tema cresce na sociedade, especialmente nas redes sociais e nas universidades, mulheres como Mariany e Pamela seguem abrindo caminhos para que a maternidade deixe de ser um destino autom\u00e1tico e passe a ser, de fato, uma escolha. Mais do que rejeitar a maternidade, a escolha de mulheres \u00e9 sobre liberdade. Sobre poder dizer &#8220;n\u00e3o&#8221; a um modelo pronto, e sim a uma vida constru\u00edda com consci\u00eancia e autonomia. Em suas palavras, ecoam n\u00e3o s\u00f3 as experi\u00eancias, mas os pensamentos&nbsp; de uma gera\u00e7\u00e3o que ousa fazer perguntas onde antes s\u00f3 havia respostas prontas.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Fernanda Maia, Gabriel Vitorino, Jhenyfer de Souza \u201cEu vou concordar com o que Machado de Assis fala: \u201cN\u00e3o tive filhos, n\u00e3o transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa mis\u00e9ria.\u201d A frase escrita pelo escritor no s\u00e9culo XIX ressoa hoje na voz de Mariany Santana, natural do Piau\u00ed, que aos 23 anos decidiu fazer [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":4711,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[3],"tags":[147,8,151,47],"coauthors":[136],"class_list":["post-4709","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-corriqueiras","tag-a-catraia","tag-destaque","tag-destaque-ufac","tag-ufac"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Captura-de-Tela-2025-08-01-as-13.01.54.png?fit=1162%2C1334&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4709","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4709"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4709\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4717,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4709\/revisions\/4717"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4711"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4709"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4709"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4709"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcoauthors&post=4709"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}