{"id":4403,"date":"2025-03-26T12:00:00","date_gmt":"2025-03-26T17:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=4403"},"modified":"2025-03-26T17:52:10","modified_gmt":"2025-03-26T22:52:10","slug":"abandonei-tudo-para-cuidar-de-pessoas-conheca-a-historia-do-acreano-que-doou-a-vida-para-ajudar-o-proximo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=4403","title":{"rendered":"\u201cAbandonei tudo para cuidar de pessoas\u201d: conhe\u00e7a a hist\u00f3ria do acreano que doou a vida para ajudar o pr\u00f3ximo"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Por Amanda Silva e Francisca Samiele<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Edivaldo de Freitas Paes dedicou sua vida ao pr\u00f3ximo. Professor de geografia e ex-policial militar, trocou a estabilidade da carreira pelo compromisso de ajudar pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade. A<strong> <\/strong>jornada come\u00e7ou em 1994 quando decidiu visitar a fam\u00edlia da esposa na Reserva Extrativista Chico Mendes. L\u00e1, viu&nbsp; pessoas desamparadas, sofrendo sem assist\u00eancia m\u00e9dica e ficou comovido e se disp\u00f4s a socorr\u00ea-las.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro resgate foi de um senhor com pneumonia grave. Ap\u00f3s tr\u00eas horas de caminhadas conseguiu busc\u00e1-lo e carreg\u00e1-lo em uma rede at\u00e9 um barco que o levou ao hospital. Foi ent\u00e3o que percebeu que n\u00e3o poderia mais ignorar a necessidade ao seu redor, sa\u00eda dos plant\u00f5es de 24 horas direto para o seringal aplicar medica\u00e7\u00e3o nos doentes, s\u00f3 avisava a fam\u00edlia por telefone que iria na reserva extrativista.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201cEu pegava o \u00f4nibus e descia no Arax\u00e1, andava tr\u00eas horas a p\u00e9, 45 minutos de barco e mais uma hora e meia a p\u00e9 para chegar at\u00e9 a localidade\u201d, recorda. Foi ent\u00e3o que Edivaldo decidiu: \u201cquer saber de uma coisa, eu vou sair da pol\u00edcia e vou cuidar dessas pessoas\u201d e, desde ent\u00e3o, nunca mais parou.<\/p>\n\n\n\n<p>Com recursos pr\u00f3prios, transportou doentes, prestou socorro, atendeu v\u00edtimas de acidentes e doen\u00e7as graves, realizou at\u00e9 partos, tudo para garantir atendimento m\u00e9dico a quem precisava. Mais tarde, deixou a Pol\u00edcia Militar para se dedicar integralmente a essa miss\u00e3o. Falou com o comandante que como muitos outros o chamou de louco pela decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s solicitar a baixa na PM, mesmo com a esposa resistente no in\u00edcio se mudou&nbsp; para a Reserva Chico Mendes, ap\u00f3s dois anos foi encontrado pela pol\u00edcia por ser considerado desertor, foi ent\u00e3o que descobriu que \u201cengavetaram\u201d seu pedido de baixa, mas ap\u00f3s provar que cumpriu com os protocolos foi liberado.<\/p>\n\n\n\n<p>Edivaldo Paes viu a necessidade e come\u00e7ou dar aulas no seringal. Em uma casa de farinha, durante o dia ensinava crian\u00e7as e jovens e durante a noite alfabetizava os pais dos alunos. Logo conseguiu parcerias e ajudou a criar escolas e postos de sa\u00fade nas comunidades, tudo o que estava ao alcance ele fez.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"492\" height=\"331\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Imagem2.jpg?resize=492%2C331&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-4405\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Imagem2.jpg?w=492&amp;ssl=1 492w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Imagem2.jpg?resize=300%2C202&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"(max-width: 492px) 100vw, 492px\" \/><figcaption>Foto: Nathacha Albuquerque\/g1 Acre<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Seu Edivaldo se viu obrigado a voltar para Rio Branco pensando num futuro melhor para os filhos, ele conta que em torno de tr\u00eas meses do retorno come\u00e7aram a procur\u00e1-lo. \u201cChegou o primeiro seringueiro, com a roupa em uma estopa nas costas e me disse: \u2018professor, estou morrendo\u2019. E j\u00e1 o levei ao pronto-socorro\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se deu conta, estava com 30 pessoas na pr\u00f3pria casa. Foi ent\u00e3o que o filantropo fundou a <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=izCguhBP_jw\">Casa de Apoio a Sa\u00fade do Seringueiro<\/a>, para dar suporte aos trabalhadores da borracha<strong>,<\/strong> mas j\u00e1 acolheu centenas de pessoas de todos os lugares, incluindo ind\u00edgenas, idosos abandonados e doentes graves, sua casa se tornou abrigo para fam\u00edlias, inclusive nos tempos de enchentes. \u201cQuantas vezes eu ia do bairro Taquari at\u00e9 a funda\u00e7\u00e3o com os meus pacientes a p\u00e9 porque n\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos passagem\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<p>O cuidador deixou a vida de lado para cuidar do pr\u00f3ximo. \u201cAbandonei tudo para cuidar de pessoas que nunca tinha visto na vida\u201d, mas diz n\u00e3o se arrepender do que fez: \u201cN\u00e3o me arrependo de tudo que deixei. Hoje, j\u00e1 era para eu ser tenente-coronel da PM aposentado, nunca pensei em voltar[\u2026]. Meu lugar \u00e9 onde est\u00e1 a pessoa passando necessidade para eu poder levar o conforto\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Por v\u00e1rias vezes, Edivaldo Paes se emociona ao relembrar toda a trajet\u00f3ria que construiu. \u201cAs pessoas que eu mais cuido s\u00e3o pessoas que ningu\u00e9m quer\u201d, diz. Ele cuida de Jos\u00e9 da Silva, de 71 anos, h\u00e1 quase duas d\u00e9cadas. Jos\u00e9 \u00e9 uma pessoa com defici\u00eancia abandonado pela fam\u00edlia e depende totalmente de cuidados, n\u00e3o fala e nem anda. Ele atende pessoas com todos os tipos de doen\u00e7as que buscam tratamento e n\u00e3o tem onde ficar.<\/p>\n\n\n\n<p>Devido \u00e0s dificuldades financeiras para manter a institui\u00e7\u00e3o funcionando, Edivaldo se reinventou. Produz artesanato com pneus, fabrica m\u00f3veis, d\u00e1 aulas de artesanato e vende salgados, faz de tudo um pouco. \u201cCostumam dizer que sou bombril, mil e uma utilidades\u201d, brinca. A esposa sempre esteve ao lado cuidando dos acolhidos e, durante anos, enfrentaram muitas dificuldades, cozinhando at\u00e9 mesmo em fog\u00e3o a lenha quando o g\u00e1s acabava.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante um tempo a Casa do Seringueiro funcionou em um terreno cedido onde foi constru\u00edda parte da estrutura para abrigar os pacientes, mas precisaram deixar o local quando o antigo dono reivindicou o espa\u00e7o de volta, mesmo prometendo nunca os despejar enquanto a institui\u00e7\u00e3o existisse. Agora, seu Edivaldo busca recursos para recome\u00e7ar e faz um pedido de socorro, ele quer construir pelo menos dois quartos para receber pacientes, pois onde est\u00e1 n\u00e3o tem estrutura para receber ningu\u00e9m. \u201c\u00c9 um terreno que temos, mas vou doar para a casa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Edivaldo Freitas se orgulha de cuidar das pessoas. \u201cValeu todo o esfor\u00e7o e sacrif\u00edcio que fiz durante minha vida toda vendo que eles est\u00e3o bem [&#8230;] Deus d\u00e1 o frio de acordo com o cobertor. Se Ele v\u00ea que eu n\u00e3o aguento, n\u00e3o me d\u00e1 esse frio. Quando eu morrer, com certeza para um lugar ruim eu n\u00e3o vou\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O benfeitor encerra com um conselho: \u201cse voc\u00ea mudar um pouquinho a hist\u00f3ria de algu\u00e9m, voc\u00ea est\u00e1 ajudando a melhorar o mundo, n\u00e3o importa o que seja\u201d.&nbsp; Ele complementa com uma hist\u00f3ria \u201cUm dia houve um inc\u00eandio na floresta, todos os animais corriam com medo do fogo. O beija-flor ia \u00e0 \u00e1gua, pegava um pouquinho com o bico e jogava no fogo [\u2026] Sou aquele beija-flor, sei que eu n\u00e3o vou apagar os problemas do mundo, mas cada problema que vier e eu puder ajudar, \u00e9 como aquela gotinha d\u2019\u00e1gua que o beija-flor est\u00e1 jogando no fogo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Caso voc\u00ea tenha interesse em ajudar seu Edivaldo Freire Paes a reconstruir a <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=izCguhBP_jw\">Casa do Seringueiro<\/a>, entre em contato pelo n\u00famero (68) 9 9606-7461.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=izCguhBP_jw\"><strong>Casa de apoio a sa\u00fade do seringueiros<\/strong><\/a><strong> &#8211; v\u00eddeo<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Amanda Silva e Francisca Samiele Edivaldo de Freitas Paes dedicou sua vida ao pr\u00f3ximo. 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