{"id":4203,"date":"2025-02-21T12:00:00","date_gmt":"2025-02-21T17:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=4203"},"modified":"2025-02-27T08:52:54","modified_gmt":"2025-02-27T13:52:54","slug":"mestre-cas-a-trajetoria-de-um-icone-obscuro-da-cultura-acreana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=4203","title":{"rendered":"Mestre CAS: a trajet\u00f3ria de um \u00edcone obscuro da cultura acreana"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Da arte urbana aos aut\u00f4matos, artista busca<strong> <\/strong>renovar a cena art\u00edstica na Amaz\u00f4nia<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Por Fernanda Maia e Gabriel Vitorino<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O caminho de Mestre CAS, nome art\u00edstico de Claudiney Alves de Souza, no universo da arte urbana teve in\u00edcio a partir<strong> <\/strong>da necessidade de encontrar um espa\u00e7o para imprimir suas ideias e reflex\u00f5es. Foi nas ruas de Rio Branco que ele percebeu o potencial da arte como um meio de inclus\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o. De in\u00edcio, sua express\u00e3o art\u00edstica encontrou&nbsp; eco nas paredes da cidade, por meio da arte do pixo e, ao se integrar ao movimento punk, encontrou um prop\u00f3sito ainda mais profundo em sua busca por formas de manifesta\u00e7\u00e3o e protesto.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do in\u00edcio despretensioso no ano de 2001, se tornou um s\u00edmbolo do movimento de arte urbana e trouxe consigo uma perspectiva singular e uma busca incessante pela express\u00e3o individual e comunit\u00e1ria. No contexto do cen\u00e1rio art\u00edstico e urbano na capital do estado, a hist\u00f3ria do Mestre CAS serve de exemplo para lembrar as ra\u00edzes da express\u00e3o art\u00edstica nas ruas, que hoje tomam conta da cidade com cores e contesta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Seu primeiro contato direto com a cena de graffiti do Acre aconteceu durante um workshop no Centro Cultural Tucum\u00e3, em 2006, um evento que despertou sua paix\u00e3o e compromisso com essa forma de arte. Os obst\u00e1culos n\u00e3o foram poucos para Mestre CAS,&nbsp; a falta de recursos e apoio atrasaram o crescimento do movimento de graffiti no Acre por anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto os debates sobre a comercializa\u00e7\u00e3o do grafite ganharam destaque, a trajet\u00f3ria de Mestre CAS se tornou uma jornada de autodescoberta e dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 arte que busca resgatar o amor e resist\u00eancia que muitas vezes s\u00e3o negligenciados. Sua jornada, para se tornar um \u00edcone do movimento de arte urbana, acabou representando muitos artistas de rua no cen\u00e1rio contempor\u00e2neo que acabam enfrentando dilemas de neglig\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele destaca a transforma\u00e7\u00e3o no mundo do grafite e da arte, que deixou de ser somente uma forma de protesto e express\u00e3o cultural para se tornar uma forma de mercadoria dentro dos mercados econ\u00f4micos. A dualidade enfrentada pelos artistas de rua \u00e9 vista entre a necessidade em preservar a autenticidade art\u00edstica e tamb\u00e9m buscar por oportunidades comerciais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"493\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/FE66AF45-B750-4C3F-AA8B-E48DD3023F6D.jpeg?resize=740%2C493&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-4206\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/FE66AF45-B750-4C3F-AA8B-E48DD3023F6D.jpeg?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/FE66AF45-B750-4C3F-AA8B-E48DD3023F6D.jpeg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/FE66AF45-B750-4C3F-AA8B-E48DD3023F6D.jpeg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><figcaption>Foto: Gabriel Vitorino<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, iniciativas que representem a busca por um equil\u00edbrio entre o desenvolvimento comercial da arte urbana e a manuten\u00e7\u00e3o de sua ess\u00eancia como meio de conscientiza\u00e7\u00e3o social s\u00e3o extremamente necess\u00e1rios para vencer os desafios e as oportunidades voltadas para dentro do mundo art\u00edstico urbano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A incessante busca por espa\u00e7o para mostrar sua criatividade o levou da periferia \u00e0 \u201cCasa Verde\u201d, uma ocupa\u00e7\u00e3o cultural em Rio Branco. Durante um per\u00edodo de dois anos, se envolveu profundamente em uma comunidade rica em experi\u00eancias, encontrando n\u00e3o apenas um lugar para pertencer, mas tamb\u00e9m um espa\u00e7o onde suas ambi\u00e7\u00f5es art\u00edsticas floresceram. Foi nesse intervalo de tempo que teve a oportunidade de conhecer pessoas que se tornaram seus mentores e guias na jornada art\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o cen\u00e1rio come\u00e7ou a mudar com a chegada de Ad\u00e3o II, tamb\u00e9m conhecido como Babu, que, de acordo com Mestre CAS, teve impacto em suas escolhas e foi uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o da cena do graffiti n\u00e3o s\u00f3 no Acre mas em toda a regi\u00e3o Norte do Brasil. Ele trouxe novas t\u00e9cnicas, como o est\u00eancil, e inspirou outros artistas para se unirem ao movimento.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"682\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/B56017D7-0BFA-498A-B630-14582E71F5E6.png?resize=682%2C1024&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-4208\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/B56017D7-0BFA-498A-B630-14582E71F5E6.png?w=682&amp;ssl=1 682w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/B56017D7-0BFA-498A-B630-14582E71F5E6.png?resize=200%2C300&amp;ssl=1 200w\" sizes=\"(max-width: 682px) 100vw, 682px\" \/><figcaption>Foto: Gabriel Vitorino<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>O Universo de Papel e sua nova face<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O seu projeto \u201cUniverso de papel\u201d hoje em dia toma outro rumo. Aquilo que, segundo ele, iniciou como uma forma de contornar os problemas de sa\u00fade decorrentes do contato frequente com a qu\u00edmica das tintas <em>spray<\/em>, se torna hoje um dos projetos mais diferenciados e inovadores da regi\u00e3o Norte do pa\u00eds. Utilizando-se de papel e materiais recicl\u00e1veis ele d\u00e1 vida a um universo inteiro, de bonecos de orix\u00e1s a figuras populares brasileiras, as encomendas que atende e suas ideias pessoais para o projeto o ajudam a continuar desenvolvendo sua pr\u00f3pria arte e estilo, e ainda buscando se destacar no cen\u00e1rio regional.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cEu sempre gostei da produ\u00e7\u00e3o de bonecos, sempre quis ser bonequeiro, desde antes do pixo e do graffiti. Nesses \u00faltimos dois anos, com acesso a esses servi\u00e7os de <em>streaming<\/em> eu acabei assistindo muitos document\u00e1rios\u201d, disse ele explicando de onde surgiu a ideia para o projeto.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Mestre CAS, que de acordo com graffiteiros e artistas diversos de Rio branco, j\u00e1 tanto revolucionou o cen\u00e1rio art\u00edstico junto a amigos e colaboradores, hoje tenta mais uma vez alavancar sozinho uma cena que n\u00e3o existe. O Universo de Papel, que nasceu da produ\u00e7\u00e3o de bonecos com materiais recicl\u00e1veis, tenta ent\u00e3o tomar propor\u00e7\u00f5es maiores, apostando em um mercado de colecionadores. O Mestre CAS cria aut\u00f4matos \u2014 mecanismos que se movem sozinhos, muitas vezes acionados por engrenagens ou alavancas \u2014 usando materiais recicl\u00e1veis. Embora os insumos permane\u00e7am os mesmos, seu processo de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o mudou por completo.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"493\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/F7756E91-2BAA-4315-A3D6-4103ED2B9BD4.jpeg?resize=740%2C493&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-4209\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/F7756E91-2BAA-4315-A3D6-4103ED2B9BD4.jpeg?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/F7756E91-2BAA-4315-A3D6-4103ED2B9BD4.jpeg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/F7756E91-2BAA-4315-A3D6-4103ED2B9BD4.jpeg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><figcaption>Foto: Gabriel Vitorino<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>\u201cMas como eu vou alcan\u00e7ar aquele n\u00edvel de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o? N\u00e3o tem como, mas tenho como produzir algo ainda mais significativo para o nosso pa\u00eds e, principalmente, para o nosso estado\u201d, comentou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apostando nesse mercado de colecionadores, o Mestre conta, de in\u00edcio, com o apoio de secretarias de Cultura e de Eeduca\u00e7\u00e3o, tanto do estado quanto do munic\u00edpio. Mestre CAS estuda a constru\u00e7\u00e3o de aut\u00f4mato ainda mais din\u00e2mico e complexo, que demonstre o funcionamento de uma lavoura de mandioca, com quatro bonecos, cada um atuando em suas devidas fun\u00e7\u00f5es, se movendo e construindo um cen\u00e1rio vivo a partir do acionamento de uma \u00fanica alavanca.<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia, segundo Mestre CAS, \u00e9 que com essa nova etapa o escopo e o alcance do projeto sejam ainda maiores, e alcancem n\u00e3o s\u00f3 o p\u00fablico acreano, mas o Brasil e, se poss\u00edvel, outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. As suas produ\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, provenientes de anos de estudo e dedica\u00e7\u00e3o, hoje tomam forma com projetos pessoais originais que, em contato com artistas e com o povo acreano, tomam espa\u00e7o no cora\u00e7\u00e3o das pessoas, o pr\u00f3prio Mestre diz n\u00e3o saber muito bem como chegou aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUm dia ent\u00e3o eu estava sentado aqui em casa tentando alcan\u00e7ar alguma ideia que me desse uma perspectiva nova para o Universo de Papel, foi a\u00ed que ent\u00e3o come\u00e7ou a passar no <em>History Channel<\/em> um mini-document\u00e1rio sobre produtores de aut\u00f4matos. Enquanto o programa falava s\u00f3 de relojoeiros antigos eu comecei a me questionar da funcionalidade de engrenagens e em como aplicar isso \u00e0s minhas produ\u00e7\u00f5es, e quando eu menos esperava, o document\u00e1rio come\u00e7ou a falar dos criadores de aut\u00f4matos pela Europa, foi ali que eu descobri o que tinha que estudar e o que eu queria alcan\u00e7ar com isso\u201d, concluiu, com um sorriso largo no rosto.<\/p>\n\n\n\n<p>Tra\u00e7ando novamente um caminho n\u00e3o conhecido ainda, ele tenta, aos 39 anos, mais uma vez, renovar a cena art\u00edstica na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da arte urbana aos aut\u00f4matos, artista busca renovar a cena art\u00edstica na Amaz\u00f4nia Por Fernanda Maia e Gabriel Vitorino O caminho de Mestre CAS, nome art\u00edstico de Claudiney Alves de Souza, no universo da arte urbana teve in\u00edcio a partir da necessidade de encontrar um espa\u00e7o para imprimir suas ideias e reflex\u00f5es. 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