{"id":3832,"date":"2024-02-19T11:00:00","date_gmt":"2024-02-19T16:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=3832"},"modified":"2024-02-27T19:30:55","modified_gmt":"2024-02-28T00:30:55","slug":"pacto-brutal-e-o-efeito-da-midia-em-casos-de-intolerancia-religiosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=3832","title":{"rendered":"\u201cPacto Brutal\u201d e o efeito da m\u00eddia em casos de intoler\u00e2ncia religiosa"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Document\u00e1rio relembra crime dos anos 90 pautado em preconceito ao considerar a religi\u00e3o dos acusados fator motivador<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por Gabrielly Martins<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No cen\u00e1rio midi\u00e1tico, \u00e9 poss\u00edvel observar como a forma de veicular not\u00edcias pode impulsionar pautas imprudentes e agravar crimes de intoler\u00e2ncia religiosa. Uma an\u00e1lise cr\u00edtica dessas ocorr\u00eancias podem ser visualizadas no document\u00e1rio \u201cPacto Brutal \u2013 O Assassinato de Daniella Perez\u201d, lan\u00e7ado em 2022, que al\u00e9m de evidenciar uma trag\u00e9dia pessoal, exp\u00f5e o papel da m\u00eddia na reprodu\u00e7\u00e3o deste problema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cobertura em cima do caso, sensacionalista, distorce os fatos ao apontar a religi\u00e3o de matriz africana do casal de assassinos como fator motivador. Ao destacar estere\u00f3tipos e simplificar discursos, a m\u00eddia contribui para a cria\u00e7\u00e3o de um ambiente agressivo \u00e0 comunidade praticante de religi\u00f5es afrodescendentes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O document\u00e1rio \u00e9 assertivo ao convidar para as entrevistas a estudiosa em religi\u00f5es Rose Rodrigues, para falar sobre essas cren\u00e7as, ritual\u00edsticas e a n\u00e3o liga\u00e7\u00e3o das religi\u00f5es de matriz africana com o crime cometido. Ela reitera que estimular esse olhar de preconceito para o crime \u00e9, acima de tudo, tirar a responsabilidade dos autores e deposit\u00e1-las na f\u00e9 do outro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"367\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/ROSE-RODRIGUES-ESPECIALISTA-CITADA.jpg?resize=740%2C367&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-3834\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/ROSE-RODRIGUES-ESPECIALISTA-CITADA.jpg?resize=1024%2C508&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/ROSE-RODRIGUES-ESPECIALISTA-CITADA.jpg?resize=300%2C149&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/ROSE-RODRIGUES-ESPECIALISTA-CITADA.jpg?resize=768%2C381&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/ROSE-RODRIGUES-ESPECIALISTA-CITADA.jpg?resize=1536%2C762&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/ROSE-RODRIGUES-ESPECIALISTA-CITADA.jpg?w=1918&amp;ssl=1 1918w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/ROSE-RODRIGUES-ESPECIALISTA-CITADA.jpg?w=1480&amp;ssl=1 1480w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><figcaption><em>Rose Rodrigues, estudiosa em religi\u00f5es, foi convidada ao document\u00e1rio &#8220;Pacto Brutal \u2013 O Assassinato de Daniella Perez&#8221;. \/Imagem: HBO MAX<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&nbsp;<\/em><strong>Preconceito e desrespeito<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As manchetes do&nbsp; m\u00eas dedicado \u00e0 luta contra o crime de racismo e \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do povo negro, em novembro de 2023, foram marcadas por uma significativa incid\u00eancia de casos de intoler\u00e2ncia religiosa. Pedrinho, jogador do Atl\u00e9tico-MG e adepto do Candombl\u00e9, foi alvo de desrespeito e preconceito em coment\u00e1rios nas redes sociais, ap\u00f3s uma derrota do time. A insatisfa\u00e7\u00e3o com o resultado da partida pareceu motivar o comportamento criminoso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Laiela Santos, escritora e militante do Movimento Feminista Negro, em mat\u00e9ria para o site Cult, a demoniza\u00e7\u00e3o e a criminaliza\u00e7\u00e3o religiosa vem do que foi implantado na sociedade desde o per\u00edodo de escraviza\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o dos negros, o que gerou marginaliza\u00e7\u00e3o da cultura e f\u00e9 do povo africano. O meio encontrado para sustentar esse manifesto sociocultural foi a anexa\u00e7\u00e3o ao catolicismo, o que originou a Umbanda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o IBGE, menos de 1% dos brasileiros praticam religi\u00f5es como a Umbanda e o Candombl\u00e9, o que justifica o baixo conhecimento da popula\u00e7\u00e3o sobre essas cren\u00e7as. Isso leva a um fato, o de que a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o busca informa\u00e7\u00f5es sobre essas religi\u00f5es, impedindo que a grande massa entenda os valores e costumes desses grupos, e que atos t\u00e3o violentos quanto o que vitimou a atriz brasileira n\u00e3o condizem com a realidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O processo de catequiza\u00e7\u00e3o e evangeliza\u00e7\u00e3o estabelecido no Brasil pelos mission\u00e1rios europeus n\u00e3o destruiu as manifesta\u00e7\u00f5es de resist\u00eancia do povo afro-brasileiro, como os que levam a f\u00e9 no Candombl\u00e9 adiante desde a \u00e9poca da invas\u00e3o dos portugueses. Isso mostra que o combate \u00e0 intoler\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 uma caracter\u00edstica particular do momento atual e refor\u00e7a que a resist\u00eancia deve se manter de forma primordial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Cassia Iasmin Marinho, professora de Hist\u00f3ria pela Universidade Federal do Acre (Ufac), p\u00f3s-graduanda em Criminologia na Faculdade Venda Nova do Imigrante (Faveni) e integrante do N\u00facleo de Estudos Afro-Brasileiros e Ind\u00edgenas (Neabi\/Ufac),&nbsp; mesmo neste espa\u00e7o de resist\u00eancia e diversidade, o preconceito velado ainda \u00e9 recorrente no imagin\u00e1rio religioso de grande parte da popula\u00e7\u00e3o. &#8220;Para algumas pessoas, \u00e9 mais cr\u00edvel se apresentados elementos obscuros para explicar uma a\u00e7\u00e3o que apesar de hedionda, \u00e9 humana&#8221;, explica a pesquisadora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisadora ainda complementa que a sociedade dos anos 90 n\u00e3o se diferencia tanto da atual quando se fala do preconceito contra religi\u00f5es de matriz africana, e salienta que h\u00e1 uma absurda discrimina\u00e7\u00e3o por serem consideradas \u201cdo dem\u00f4nio\u201d por outros grupos religi\u00f3sos, somente pela cren\u00e7a de que realizam sacrif\u00edcios e demais&nbsp; inverdades. \u201cTudo isso est\u00e1 ancorado em um racismo estrutural, que cr\u00ea n\u00e3o haver problemas em demonizar manifesta\u00e7\u00f5es religiosas de matriz africana. Pelo contr\u00e1rio, acham ser o certo\u201d, finaliza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Document\u00e1rio relembra crime dos anos 90 pautado em preconceito ao considerar a religi\u00e3o dos acusados fator motivador Por Gabrielly Martins No cen\u00e1rio midi\u00e1tico, \u00e9 poss\u00edvel observar como a forma de veicular not\u00edcias pode impulsionar pautas imprudentes e agravar crimes de intoler\u00e2ncia religiosa. 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