{"id":3680,"date":"2024-01-22T11:30:00","date_gmt":"2024-01-22T16:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=3680"},"modified":"2024-01-24T07:05:31","modified_gmt":"2024-01-24T12:05:31","slug":"desafio-na-educacao-o-impacto-na-saude-mental-dos-professores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=3680","title":{"rendered":"Desafio na educa\u00e7\u00e3o: o impacto na sa\u00fade mental dos professores"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Estudos apontam como a desvaloriza\u00e7\u00e3o do ensino, com baixos sal\u00e1rios, sobrecarga e falta de prest\u00edgio prejudicam o trabalho docente<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Produzido por Susana Bonfanti e An\u00edsio Neto<\/p>\n\n\n\n<p>O professor, seja ele de escola p\u00fablica ou privada, muitas vezes exerce outras fun\u00e7\u00f5es, para al\u00e9m de ensinar o conte\u00fado para os alunos. Atualmente, o profissional da educa\u00e7\u00e3o precisa de criatividade, inova\u00e7\u00e3o e empatia para estimular os estudantes em sala de aula.<\/p>\n\n\n\n<p>Os alunos da gera\u00e7\u00e3o Z, formados pelo conjunto de crian\u00e7as que nasceram na primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo 21, s\u00e3o imersos na tecnologia digital, com novos h\u00e1bitos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s gera\u00e7\u00f5es anteriores. Entre os nascidos na era digital, em que o conhecimento sempre est\u00e1 em m\u00e3os de forma r\u00e1pida, mas nem sempre segura, as turmas t\u00eam apresentado mais dificuldades para se manterem entretidas nos estudos. De acordo com o blog Saraiva Educa\u00e7\u00e3o, acredita-se que pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas mais antigas t\u00eam probabilidade de gerar desinteresse nos alunos.<strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"602\" height=\"388\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Imagem2-1.jpg?resize=602%2C388&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-3683\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Imagem2-1.jpg?w=602&amp;ssl=1 602w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Imagem2-1.jpg?resize=300%2C193&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"(max-width: 602px) 100vw, 602px\" \/><figcaption>Imagem: Internet.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Talvez o excesso de atividades que os educadores precisam desenvolver, para prender a aten\u00e7\u00e3o do aluno, t\u00eam contribu\u00eddo para ficarem sobrecarregados. Esta sobrecarga acaba afetando a vida pessoal e profissional, uma vez que, se n\u00e3o gerarem resultados positivos com seus alunos, s\u00e3o acometidos pela frustra\u00e7\u00e3o e des\u00e2nimo.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma pesquisa realizada em 2022 sobre a Sa\u00fade dos Educadores para compreender os efeitos da pandemia na sa\u00fade mental dos docentes, realizada pela Nova Escola, em conjunto com o Instituto Ame Sua Mente, mostra que aumentou a porcentagem de professores afetados com algum transtorno de 21,5% para 30,1%.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo mostra o crescimento de transtornos mentais como ansiedade, depress\u00e3o e <em>burnout <\/em>entre os educadores, apontando que muitas vezes os profissionais da educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o t\u00eam tempo em sua rotina&nbsp; para se cuidarem com apoio de outros profissionais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil \u00e9 o primeiro no ranking de viol\u00eancia nas escolas, segundo a pesquisa global realizada pela Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE) em 2015. No levantamento, mais de 44% dos docentes que atuavam no estado de S\u00e3o Paulo afirmaram ter sofrido agress\u00e3o f\u00edsica e verbal.<\/p>\n\n\n\n<p>O pa\u00eds tamb\u00e9m \u00e9 um dos que menos valoriza os educadores, o que gera desemprego, sal\u00e1rios baixos, e des\u00e2nimo entre professores e gestores das institui\u00e7\u00f5es. A falta de capacita\u00e7\u00e3o e recursos para lidar com alunos em sala de aula s\u00e3o consequ\u00eancias de quest\u00f5es s\u00f3cio estruturais.<\/p>\n\n\n\n<p>A Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o municipal de S\u00e3o Paulo, informa que, a cada tr\u00eas horas, um professor da rede municipal pede licen\u00e7a por problemas psicol\u00f3gicos. Em 2019, 800 professores foram afastados, de acordo com os dados apurados pelo Jornal O Globo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Realidade local<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A professora de Geografia Fabiana Abomorad, que j\u00e1 trabalhou em rede p\u00fablica e particular em Rio Branco, capital do estado do Acre, relata sobre a falta de apoio que os professores enfrentam dentro das escolas e como isso vem desestimulando os docentes. \u201cO professor precisa de todo apoio profissional. Conhe\u00e7o professores que est\u00e3o indo para outras \u00e1reas. Passando em concursos e desistem\u201d, relata Abomorad.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, ela conta que j\u00e1 chegou ao \u00e1pice do estresse e ansiedade devido ao excesso de trabalho quando atuava em tr\u00eas per\u00edodos: manh\u00e3, tarde e noite. \u201cEram aulas complementares que ofereceram e insistiram para eu pegar. Por isso que digo que o professor precisa de folga e descanso remunerado sempre\u201d, comenta a professora.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao citar as quest\u00f5es do afastamento da sala de aula devido ao aumento de problemas psicol\u00f3gicos entre os professores, ela comenta que teve v\u00e1rios colegas que se afastaram por um longo per\u00edodo e, ap\u00f3s a comprova\u00e7\u00e3o do agravamento da sa\u00fade mental, foi remanejado para outro setor.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao ser questionada acerca dos problemas psicol\u00f3gicos dos professores de Rio Branco, devido ao estresse di\u00e1rio e trabalho excessivo, ela relata que h\u00e1 uma colega passando por essas quest\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Os professores, principalmente aqueles que ministram apenas uma disciplina, precisam buscar v\u00e1rias escolas para ganhar uma quantia que seja suficiente para viver confortavelmente, levando ao excesso de trabalho. Os docentes ficam com sua rotina carregada, impossibilitando que tenham mais qualidade de vida, uma vez que sobra pouco tempo para o lazer.<\/p>\n\n\n\n<p>A professora Delvilene Guerra, que trabalha na rede de ensino filantr\u00f3pica e privada, relata que o per\u00edodo da pandemia de Covid-19 afetou a sa\u00fade mental de muitos professores, mas depois que as aulas voltaram a ser presenciais, algumas coisas melhoraram. \u201cJ\u00e1 me senti muito frustrada anos atr\u00e1s, eu trabalhava os tr\u00eas per\u00edodos do dia, ent\u00e3o, a minha vida pessoal ficou muito afetada. Me senti frustrada por n\u00e3o conseguir viver minha vida pessoal\u201d, conta a professora, que considerava viver em prol do trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela acredita que quando a escola n\u00e3o tem bons professores, tamb\u00e9m&nbsp; n\u00e3o tem qualidade de ensino. \u201cE isso \u00e9 quest\u00e3o de gest\u00e3o governamental, porque quando a escola n\u00e3o recebe recursos suficientes, afeta a educa\u00e7\u00e3o. Muitos professores d\u00e3o sangue e tiram dinheiro do bolso para manter a qualidade\u201d, diz Delvilene Guerra, enfatizando que o reconhecimento muitas vezes vale mais do que retorno financeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor Marcos Charife, que ministrou a disciplina de Hist\u00f3ria para os alunos do projeto Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos (EJA), percebeu&nbsp; que a falta de valoriza\u00e7\u00e3o dos professores afeta a sala de aula e profissionais promissores saem do ensino p\u00fablico para a iniciativa privada buscando mais apoio institucional.<\/p>\n\n\n\n<p>O docente soube separar bem sua vida pessoal com o trabalho, mas diz que j\u00e1 abdicou de algumas coisas devido ao excesso de atividades. \u201cSim, acontece invariavelmente, principalmente quando \u00e9 necess\u00e1rio trabalhar nos finais de semana. Mas, s\u00e3o obriga\u00e7\u00f5es da profiss\u00e3o, algo previs\u00edvel, ent\u00e3o. Ossos do of\u00edcio\u201d, conta o professor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudos apontam como a desvaloriza\u00e7\u00e3o do ensino, com baixos sal\u00e1rios, sobrecarga e falta de prest\u00edgio prejudicam o trabalho docente Produzido por Susana Bonfanti e An\u00edsio Neto O professor, seja ele de escola p\u00fablica ou privada, muitas vezes exerce outras fun\u00e7\u00f5es, para al\u00e9m de ensinar o conte\u00fado para os alunos. 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