{"id":3182,"date":"2023-08-11T17:41:35","date_gmt":"2023-08-11T22:41:35","guid":{"rendered":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=3182"},"modified":"2024-02-27T19:45:07","modified_gmt":"2024-02-28T00:45:07","slug":"populacao-de-rio-branco-diminui-frequencia-no-uso-de-cortinados-entenda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=3182","title":{"rendered":"Popula\u00e7\u00e3o de Rio Branco diminui frequ\u00eancia no uso de cortinados; entenda"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Por Rebeca Martins e William Liberato<\/strong><\/p>\n\n\n\n\n\n<p>Adriana da Costa Silva, quando crian\u00e7a, adorava anivers\u00e1rios, pois era a oportunidade perfeita de levar bal\u00f5es para casa e enfeitar seu cortinado, como \u00e9 popularmente conhecido o mosquiteiro no Acre. \u201cEu pegava o bal\u00e3o e botava no buraco do meio (do cortinado). Era uma alegria, ningu\u00e9m podia estourar\u201d, recorda, hoje, a servidora p\u00fablica. Ela, como outros rio-branquenses, deixou de lado o uso dos mosquiteiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1997, com a chegada no bairro novo, o Santa In\u00eas, no segundo distrito de Rio Branco, Adriana abandonou de vez o uso do mosquiteiro. \u201cA gente come\u00e7ou a ter pregui\u00e7a de colocar e viu que a necessidade era pouca. O pai comprava muito veneno, acab\u00e1vamos utilizando mais veneno do que o cortinado\u201d. Os momentos inesquec\u00edveis, com seu cortinado rosa, ficaram no passado, guardado em suas lembran\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"720\" height=\"480\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/a-catraia-site4.jpeg?resize=720%2C480&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-3357\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/a-catraia-site4.jpeg?w=720&amp;ssl=1 720w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/a-catraia-site4.jpeg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"(max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><figcaption><em>Adriana da Costa e sua fam\u00edlia. Foto: Arquivo Pessoal\/ Adriana Silva<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Hoje, a crian\u00e7a encantada com o bal\u00e3o pendurado no meio do cortinado \u00e9 uma mulher atarefada e pr\u00e1tica. Adriana da Costa Silva, de 37 anos, tem uma rotina cheia. Al\u00e9m do seu intenso trabalho no Departamento Estadual de Tr\u00e2nsito (Detran), ainda precisa cuidar de seus dois filhos \u2014 um deles beb\u00ea \u2014, fazer comida, limpar a casa e estudar para os concursos. Com uma vida t\u00e3o corrida, ela adotou o inseticida como o seu principal aliado contra os mosquitos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que explica essa mudan\u00e7a de comportamento?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"616\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/a-catraia-site-1-1.png?resize=740%2C616&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-3360\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/a-catraia-site-1-1.png?resize=1024%2C853&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/a-catraia-site-1-1.png?resize=300%2C250&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/a-catraia-site-1-1.png?resize=768%2C640&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/a-catraia-site-1-1.png?w=1200&amp;ssl=1 1200w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><figcaption><em>Imagem ilustrativa demonstra a disparidade no pre\u00e7o dos produtos. Arte: William Liberato.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ao relembrar sua inf\u00e2ncia, o professor de Hist\u00f3ria Jos\u00e9 Dourado de Souza, Diretor do Centro de Filosofias Humanas da Universidade Federal do Acre, apontou hip\u00f3teses para o abandono dos cortinados no cotidiano dos rio-branquenses. \u201cLembro de quando eu era ainda crian\u00e7a no seringal. A gente usava, obrigatoriamente, tinha que usar, sen\u00e3o as carapan\u00e3s, os bichos carregavam. Todos n\u00f3s us\u00e1vamos mosquiteiro. Eu vim para c\u00e1 (Rio Branco) com 12 anos. Aqui tamb\u00e9m se usava, mas j\u00e1 era um per\u00edodo que come\u00e7aram a surgir alguns produtos, os inseticidas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor tamb\u00e9m acredita que esse processo de abandono dos cortinados permanecer\u00e1, devido \u00e0s facilidades oferecidas pelos inseticidas modernos. \u201cAcho que eles (rio-branquenses) est\u00e3o abandonando, em raz\u00e3o dessas novas tecnologias de combate aos insetos. Aqui, dentro da cidade, eu acho que esta tend\u00eancia (dos cortinados) \u00e9 diminuir e (aumentar) o uso de produtos industrializados para combater o inseto. Hoje, voc\u00ea bota l\u00e1 (na tomada) e pronto. J\u00e1 resolve o problema.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A popularidade e praticidade dos inseticidas pode ser exemplificada na facilidade a qual encontramos esses produtos. Numa r\u00e1pida busca pelo principal supermercado de Rio Branco, \u00e9 poss\u00edvel encontrar variados venenos de diferentes formatos, f\u00f3rmulas, cheiros e valores. O inseticida, no qual o professor Jos\u00e9 Dourado se refere, \u00e9 popular por sua praticidade e pela prote\u00e7\u00e3o oferecida contra o mosquito Aedes Aegypti, respons\u00e1vel pela transmiss\u00e3o da Dengue, Zika e Chikungunya.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fator socioecon\u00f4mico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto os inseticidas ganham as prateleiras e o cora\u00e7\u00e3o dos acreanos, os cortinados tornam-se escassos, caros e s\u00f3 s\u00e3o encontrados em lojas espec\u00edficas, como o Bazar Chefe, estabelecimento popular por vender de tudo, e lojas de produtos e roupas infanto-juvenis. Para melhor ilustrar essa disparidade, observe a diferen\u00e7a do valor dos produtos, um inseticida, da marca Buzz, de 400ml, custa R$ 10,69 no mais popular supermercado; enquanto o mosquiteiro de casal, da marca Durma Bem, est\u00e1 R$ 77,20 no maior e-commerce do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>A estrutura dos domic\u00edlios e os servi\u00e7os de saneamento b\u00e1sico, como tratamento de esgoto, \u00e1gua encanada e coleta de lixo, pode ser outro fator nessa mudan\u00e7a de comportamento dos rio-branquenses. Segundo o professor Dourado, \u201cas pessoas que vivem numa situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria, numa resid\u00eancia prec\u00e1ria, \u00e9 mais dif\u00edcil combater os insetos, porque eles (os mosquitos) entram, n\u00e3o tem janela apropriada, nas casas h\u00e1 buracos, brechas\u201d. Ou seja, pessoas em situa\u00e7\u00e3o de pobreza s\u00e3o mais vulner\u00e1veis \u00e0s doen\u00e7as transmitidas por mosquitos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o que aponta um estudo norte-americano, realizado em 2010, que analisa a incid\u00eancia de casos de dengue na cidade de Brownsville, no sul do Texas; e no munic\u00edpio Matamoros, no norte de Tamaulipas, no M\u00e9xico. Os dados apontam que as cidades vizinhas apresentam uma elevada disparidade, com a cidade mexicana tendo sete vezes mais casos do que os 4% registrados na cidade estadunidense. Segundo Jaime Torres, \u201ca forma de armazenar a \u00e1gua, de tratar (ou n\u00e3o) os res\u00edduos e o uso do ar-condicionado, s\u00e3o determinantes para que esses insetos criem, vivam, se reproduzam e alimentem em um ou outro lugar\u201d, afirmou o diretor do departamento de Medicina Tropical da Universidade Central da Venezuela, XVIII Confer\u00eancia Internacional de Doen\u00e7as Infecciosas, realizada em mar\u00e7o de 2018, na cidade de Buenos Aires.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"525\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/a-catraia-site-1.jpg?resize=740%2C525&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-3362\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/a-catraia-site-1.jpg?resize=1024%2C726&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/a-catraia-site-1.jpg?resize=300%2C213&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/a-catraia-site-1.jpg?resize=768%2C545&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/a-catraia-site-1.jpg?w=1080&amp;ssl=1 1080w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><figcaption><em>Imagem ilustrativa, proximidade entre a cidade americana e a mexicana. Arte: William Sousa.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em Rio Branco, os \u00edndices de saneamento b\u00e1sico n\u00e3o s\u00e3o nada satisfat\u00f3rios, \u00e9 o que demonstra o ranking do saneamento 2023, do Instituto Trata Brasil, com a capital acreana ocupando a posi\u00e7\u00e3o 94, entre as 100 cidades analisadas. Atualmente, 60,73% da popula\u00e7\u00e3o rio-branquense tem acesso \u00e0 \u00e1gua e apenas 22,67% t\u00eam coleta de esgoto. Esse quadro atual deixa a popula\u00e7\u00e3o das regi\u00f5es perif\u00e9ricas vulner\u00e1veis \u00e0s picadas e doen\u00e7as transmitidas pelo mosquito. A realidade for\u00e7a os cidad\u00e3os a gastarem parte de sua renda com inseticidas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Antes, Mal\u00e1ria; agora, Dengue<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1940, por exemplo, momento em que a incid\u00eancia da Mal\u00e1ria era maior, cerca de 6 milh\u00f5es de pessoas foram atingidas, o que correspondia a pelo menos, 20% da popula\u00e7\u00e3o do Brasil. No estado do Acre, n\u00e3o era diferente. Conforme o Acre, di\u00e1rio oficial da \u00e9poca, em 1947, quase 900 pessoas contra\u00edram a doen\u00e7a s\u00f3 na cidade de Rio Branco. Na \u00e9poca, os seringueiros eram um dos grupos mais afetados, pois estavam em contato direto com a floresta. Os inseticidas n\u00e3o faziam parte da realidade dessa popula\u00e7\u00e3o, que para se proteger contava com fumac\u00eas e mosquiteiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Hugo Carneiro, governador do territ\u00f3rio do Acre, entre 1927 a 1930, criou pol\u00edticas de preven\u00e7\u00e3o contra a mal\u00e1ria. Entre elas, a curriculariza\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas de higiene no ensino prim\u00e1rio. Dentre as orienta\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m estava o uso de mosquiteiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, a incid\u00eancia de Mal\u00e1ria est\u00e1 diminuindo no Acre. Segundo o boletim da Secretaria de Estado de Sa\u00fade do Acre (Sesacre), em 2023, estima-se que 1,5 mil cidad\u00e3os foram acometidos pela doen\u00e7a entre janeiro e mar\u00e7o. As estimativas apontam uma queda nos n\u00fameros, tendo em vista que no mesmo per\u00edodo de 2022, foram contabilizados 2,1 mil casos. As cidades com mais diagn\u00f3sticos foram: Cruzeiro do Sul, M\u00e2ncio Lima e Rodrigues Alves, todas do Vale do Juru\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor Marcelo Urbano Ferreira, coordenador de pesquisas no Acre, do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), em entrevista ao jornal da USP, em 2021, comentou que o quadro de Mal\u00e1ria urbana, hoje contido nos grandes centros da Amaz\u00f4nia, como Rio Branco, pode aumentar. \u201cOs moradores das cidades frequentemente transitam em localidades rurais de alta transmiss\u00e3o, onde podem infectar-se. Assim, temos mosquitos e parasitos presentes na periferia das cidades, potencialmente se espalhando em \u00e1reas de popula\u00e7\u00e3o mais adensada. S\u00e3o elementos que propiciam surtos de Mal\u00e1ria em \u00e1reas urbanas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>No momento, as pol\u00edticas p\u00fablicas est\u00e3o sendo eficazes no controle da Mal\u00e1ria no Acre, mas o mesmo n\u00e3o ocorre com a Dengue. Segundo o boletim epidemiol\u00f3gico da Sesacre, nos tr\u00eas primeiros meses de 2023, mais de 3 mil casos suspeitos foram diagnosticados. Rio Branco obteve mais de 1 mil notifica\u00e7\u00f5es da doen\u00e7a, outro fator de aten\u00e7\u00e3o, \u00e9 o aumento no n\u00famero de casos de Zika, a capital registrou 243 casos entre janeiro e mar\u00e7o. Em 2022, no mesmo per\u00edodo, nenhum caso havia sido registrado na cidade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"410\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/a-catraia-site-2.png?resize=410%2C1024&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-3361\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/a-catraia-site-2.png?resize=410%2C1024&amp;ssl=1 410w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/a-catraia-site-2.png?resize=120%2C300&amp;ssl=1 120w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/a-catraia-site-2.png?resize=768%2C1920&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/a-catraia-site-2.png?w=800&amp;ssl=1 800w\" sizes=\"(max-width: 410px) 100vw, 410px\" \/><figcaption><em>Infogr\u00e1fico dos casos de mal\u00e1ria. Arte: William Liberato. <\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Cortinado, por favor<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com inseticidas dispon\u00edveis como op\u00e7\u00e3o atualmente, em Rio Branco, h\u00e1 pessoas que ainda preferem o uso dos cortinados. Esse \u00e9 o caso de Rute de Oliveira dos Santos do Nascimento, de 42 anos. Ela conta que durante toda a inf\u00e2ncia, quando morava no interior do estado, para se proteger de insetos e at\u00e9 morcegos, ela e sua fam\u00edlia utilizavam o mosquiteiro, h\u00e1bito que ainda mant\u00e9m at\u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 desde a inf\u00e2ncia. Quando eu morava com meus pais, os colonos tinham o h\u00e1bito de usar, principalmente devido aos morcegos, eles ferravam a pessoa. Lembro da minha m\u00e3e n\u00e3o pisando direito porque o morcego tinha ro\u00eddo o p\u00e9 dela. Era uma regra muito recomendada \u00e0 noite. E a quest\u00e3o das carapan\u00e3s tamb\u00e9m\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Rute aponta tamb\u00e9m poss\u00edveis motivos para o abandono dos mosquiteiros pela popula\u00e7\u00e3o, e refor\u00e7a que a desigualdade social impacta nessa mudan\u00e7a de comportamento. \u201cAs casas forradas, que tem ar-condicionado, eu acredito que n\u00e3o h\u00e1 necessidade de usar o mosquiteiro, porque o ambiente n\u00e3o \u00e9 aconchegante para esses mosquitos. Acredito que se parou de usar o cortinado porque incomoda e \u00e9 algo a mais para arrumar, para enrolar, guardar, lavar e colocar\u201d, finaliza Rute.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nas lembran\u00e7as<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Da gera\u00e7\u00e3o Z, posterior a de Adriana e Rute. Paulo Victor Alves de Oliveira, de 21 anos, guarda nas lembran\u00e7as o cortinado da vizinha, respons\u00e1vel por seus cuidados quando crian\u00e7a. \u201cEra s\u00f3 eu e minha m\u00e3e. Grande parte do dia a minha m\u00e3e ficava trabalhando e eu ia para escola. No tempo que eu n\u00e3o estava com ela, normalmente ficava com uma vizinha. A casa dela era de madeira, era um terreno mais aberto e com muito mais vegeta\u00e7\u00e3o. Lembro que sempre existia esse cuidado de colocar o mosquiteiro e ver se ele estava certo. Sempre escutava os mosquitos quando acordava no meio da noite, assim, fora do mosquiteiro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O jovem, hoje, estudante de biologia da Universidade Federal do Acre (Ufac) abandonou, assim como Adriana, o cortinado. \u201cQueremos as coisas muito mais f\u00e1ceis. Lembro que sempre se tinha o cuidado de levantar e amarrar o mosquiteiro e quando fosse dormir o cuidado de n\u00e3o deixar um espa\u00e7o, um buraco. Na minha concep\u00e7\u00e3o, as pessoas (jovens) querem as coisas na hora. O mosquiteiro traz uma dificuldade, por conta da montagem e desmontagem\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O cortinado, presente por muitas gera\u00e7\u00f5es no dia-a-dia dos rio-branquenses na hora de dormir, sofre relut\u00e2ncia para se manter como op\u00e7\u00e3o na prote\u00e7\u00e3o contra os mosquitos. Hoje, com o acentuado processo de urbaniza\u00e7\u00e3o, a populariza\u00e7\u00e3o dos inseticidas e o controle da Mal\u00e1ria, o mosquiteiro parece n\u00e3o atender \u00e0s necessidades da popula\u00e7\u00e3o, se tornou obsoleto, ficando nas mem\u00f3rias de quem usou durante a inf\u00e2ncia ou at\u00e9 depois, na vida adulta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Moradores da capital acreana abandonam o mosquiteiro, popularmente conhecido como cortinado, e aderem ao uso de inseticidas<br \/>\n\ufeff<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":3356,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[3],"tags":[8],"coauthors":[136],"class_list":["post-3182","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-corriqueiras","tag-destaque"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/acatraia-desque-scaled.jpeg?fit=2560%2C1827&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3182","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3182"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3182\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3368,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3182\/revisions\/3368"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3356"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3182"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3182"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3182"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcoauthors&post=3182"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}