{"id":284,"date":"2021-06-11T17:31:56","date_gmt":"2021-06-11T22:31:56","guid":{"rendered":"http:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=284"},"modified":"2021-08-03T21:03:51","modified_gmt":"2021-08-04T02:03:51","slug":"historias-de-herois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=284","title":{"rendered":"Hist\u00f3rias de her\u00f3is"},"content":{"rendered":"\n<p>Profissionais de sa\u00fade se destacam no atendimento de pacientes com covid-19. Durante a pandemia, abandonaram suas fam\u00edlias, mudaram rotinas, passaram por longas jornadas de trabalho, tudo para prestar o melhor atendimento e salvar vidas<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:25px\"><strong>Entre a f\u00e9 e a ci\u00eancia: a m\u00e9dica do 4\u00ba piso que viu milagres<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por Maria Fernanda Arival, Juilyane Abdeeli e Gustavo Almeida de Sousa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No quarto andar do pr\u00e9dio do Pronto Socorro de Rio Branco, no Acre, a m\u00e9dica endocrinologista Fab\u00edola Helena de Souza atua desde a chegada do primeiro paciente contaminado com Covid-19 em meados de mar\u00e7o de 2020. Os tr\u00eas andares superiores do pr\u00e9dio foram destinados \u00e0s enfermarias Covid e Fab\u00edola tira seus plant\u00f5es no quarto andar, onde exerce a medicina sem medo e com muita f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cConfirmei que nasci para ser m\u00e9dica. Para mim \u00e9 uma satisfa\u00e7\u00e3o atender um paciente covid &#8211; como s\u00e3o chamados os pacientes contaminados com o v\u00edrus -. Com eles, eu assisti milagres, ouvi e vi o renascimento deles e o meu a cada alta hospitalar. Entrei em luto junto das fam\u00edlias daqueles que eu n\u00e3o consegui ajudar\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Casada e m\u00e3e de duas meninas, Fab\u00edola jamais se viu amedrontada pelo v\u00edrus. Cumpria seus plant\u00f5es fazendo uso de Equipamentos de Prote\u00e7\u00e3o Individual (EPI),&nbsp; mas sem as luvas e acabou por deixar uma marca registrada entre seus pacientes: as unhas com alongamento de fibra de vidro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Cada paciente que recebia a visita da Dra. Fab\u00edola do 4\u00ba piso via suas unhas sempre bem feitas e com manuten\u00e7\u00e3o em dia, al\u00e9m dos c\u00edlios que tamb\u00e9m s\u00e3o alongados fio a fio e est\u00e3o sempre acompanhados de um olhar que transmite aconchego e for\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"720\" height=\"960\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-1-IMG-2-3.jpeg?resize=720%2C960&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-285\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-1-IMG-2-3.jpeg?w=720&amp;ssl=1 720w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-1-IMG-2-3.jpeg?resize=225%2C300&amp;ssl=1 225w\" sizes=\"(max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><figcaption>Um presente enviado por familiares de paciente como forma de gratid\u00e3o. As unhas de vidro da m\u00e9dica tamb\u00e9m est\u00e3o sempre presentes\/ Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cEu passei a tirar as minhas luvas para que na hora que eu passasse minha visita pegasse na m\u00e3o deles e olhasse para dizer que eles tenham f\u00e9. O paciente precisava sentir um calor humano e precisava saber que eu estaria ali com ele at\u00e9 o final. N\u00e3o \u00e9 por acaso que meus pacientes me conheciam pelas minhas unhas de vidro. Eu nunca tirei minhas unhas de vidro, meus c\u00edlios eram tirados pelas l\u00e1grimas quando a gente perdia um paciente. Eu sempre chegava de bom humor, mesmo que ele estivesse muito cansado eu sentava ao lado e ficava l\u00e1 at\u00e9 encoraj\u00e1-lo a fazer o uso novamente do tratamento da Ventila\u00e7\u00e3o N\u00e3o Invasiva (VNI)\u201d, relata a m\u00e9dica com orgulho.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cEssa foi minha pior experi\u00eancia com Covid: atender os meus\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de n\u00e3o mostrar medo em suas falas e no tom de voz, Fab\u00edola conta que o \u00fanico medo que ela tinha era de contaminar os familiares, mas mesmo se cuidando por diversas vezes precisou cuidar da fam\u00edlia at\u00e9 dentro do hospital. Em junho de 2020, Fab\u00edola recebe a ex cunhada com 10% do pulm\u00e3o comprometido, mas o quadro se agravou muito e chegou a quase 80% de comprometimento pulmonar, e ali estava um dos maiores desafios: evitar a intuba\u00e7\u00e3o daquela paciente que \u00e9 tamb\u00e9m m\u00e3e da sua sobrinha. Outro desafio em 2020: receber o irm\u00e3o tamb\u00e9m em estado grave na enfermaria que trabalha.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMinha ex cunhada foi muito grave, fiz do medo uma quest\u00e3o de honra para devolv\u00ea-la \u00e0s filhas. Com ela conseguimos escapar, nasceu de novo, foi uma das pacientes mais graves que eu tive para n\u00e3o deixar intubar. Eu sempre fui contra a intuba\u00e7\u00e3o, n\u00f3s t\u00ednhamos que investir no paciente at\u00e9 onde ele e Deus nos permitisse\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Aquele medo que Fab\u00edola tinha de contaminar os familiares e n\u00e3o conseguir salv\u00e1-los a tempo se concretizou: no pico da segunda onda de Covid-19 no Acre, a m\u00e9dica recebe o tio e faz todos os procedimentos poss\u00edveis para evitar a intuba\u00e7\u00e3o. \u201cQuando meu tio chegou eu falei: \u2018vai dar\u2019, mas chegou um momento que ele precisava ser intubado, j\u00e1 estava muito exausto. No dia em que me ligaram pedindo permiss\u00e3o para inturbar, eu me senti a pior pessoa e soube que tinha perdido uma batalha. No momento da intuba\u00e7\u00e3o, eu vi meu tio com o cora\u00e7\u00e3o parado por 12 minutos e eu n\u00e3o pude fazer nada, n\u00e3o era meu plant\u00e3o naquele setor\u201d, diz emocionada.<\/p>\n\n\n\n<p>O tio de Fab\u00edola esteve na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) por 12 dias e n\u00e3o resistiu, vindo a \u00f3bito no plant\u00e3o dela. Cinco dias depois, a confirma\u00e7\u00e3o da m\u00e3e da m\u00e9dica e da cunhada contaminadas pelo Coronav\u00edrus. \u201cDepois de 15 dias do tratamento delas, eu soube que estava com o v\u00edrus junto com meu marido e minha filha mais velha. Com meu marido foi outra experi\u00eancia muito ruim. Ele chegou a 100% de comprometimento pulmonar, mas com toda f\u00e9 e ora\u00e7\u00f5es que as pessoas fizeram e com o tratamento convencional daquilo que eu acredito, ele aguentou firme\u201d, recorda Fab\u00edola.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gratid\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Desde o in\u00edcio da pandemia, os pacientes que recebiam alta hospitalar exalavam gratid\u00e3o a toda equipe e a Dra. Fab\u00edola. \u201cTodos os pacientes t\u00eam minha rede social e meu n\u00famero, todos que ficaram internados na enfermaria do 4\u00ba piso tiveram um contato muito grande com a equipe, parecia que \u00e9ramos fam\u00edlia, e saber que em algum lugar eu estou nas ora\u00e7\u00f5es de algu\u00e9m que eu ajudei e hoje conta que sobreviveu a Covid, para mim n\u00e3o tem pre\u00e7o\u201d, fala Fab\u00edola ao ser questionada como se sente recebendo presentes e visitas de ex pacientes sempre que pode.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"740\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-1-IMG-3.jpg?resize=740%2C740&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-287\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-1-IMG-3.jpg?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-1-IMG-3.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-1-IMG-3.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-1-IMG-3.jpg?resize=768%2C767&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-1-IMG-3.jpg?resize=80%2C80&amp;ssl=1 80w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-1-IMG-3.jpg?w=1279&amp;ssl=1 1279w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><figcaption>Registro do momento da alta hospitalar de um paciente\/ Reprodu\u00e7\u00e3o Facebook<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>A senhora da janela e o filho que ficou sozinho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu jamais vou ter outra experi\u00eancia como essa. Eu vi hist\u00f3rias marcantes como a da senhora da janela. Ela olhava a casa dela do pr\u00e9dio da enfermaria onde ficou internada por 33 dias. A senhora dormia e acordava olhando para a casa dela. Uma senhora muito educada, passiva, semi analfabeta, mas de uma educa\u00e7\u00e3o de tr\u00eas vidas, precisaria disso para ter essa educa\u00e7\u00e3o. Uma generosidade e f\u00e9 que poucas vezes eu vi antes da Covid\u201d, a m\u00e9dica fala quando indagada sobre hist\u00f3rias e experi\u00eancias que marcaram a vida dela como pessoa e como profissional durante a pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Fab\u00edola tamb\u00e9m conta a hist\u00f3ria de um paciente do interior que perdeu a m\u00e3e, o pai, dois irm\u00e3os e a esposa e questionou diversas vezes o motivo de Deus ter escolhido ele para ficar. \u201cA partir daquele dia, eu fui para casa e pedi em ora\u00e7\u00f5es que me mostrasse o caminho, pois tinha que ter um\u201d,&nbsp; fala.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:25px\"><strong>O amor e o cuidado n\u00e3o acabam<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por Juilyane Abdeeli<\/p>\n\n\n\n<p>Edvan Ferreira de Meneses, enfermeiro do Pronto Socorro de Rio Branco, lotado na UTI Covid e Observa\u00e7\u00e3o Adulto, se viu sem sa\u00edda quando foi escalado para fazer parte da linha de frente da Covid-19 no in\u00edcio da pandemia. Enquanto a seguran\u00e7a de seus familiares estava amea\u00e7ada, Edvan teve que se afastar de todos com  medo de infectar aqueles que ama.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O enfermeiro conta o sentimento que teve ao receber o primeiro paciente infectado. \u201cFoi um plant\u00e3o extremamente estressante, pois passei horas sem ir ao banheiro e sem beber \u00e1gua. Tinha muito medo de tirar a roupa e acabar me contaminando\u201d, recorda.<\/p>\n\n\n\n<p>Casado h\u00e1 5 anos, Edvan relata o quanto foi dif\u00edcil ficar longe do esposo que tem um quadro de Anemia Talass\u00eamica Cr\u00f4nica. Por medo de contamin\u00e1-lo, passou a morar sozinho por tr\u00eas meses, trabalhando em uma escala dobrada de plant\u00f5es, enquanto o esposo ficou com a fam\u00edlia que mora no interior do Acre.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"987\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-2-IMG-1.jpeg?resize=740%2C987&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-292\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-2-IMG-1.jpeg?resize=768%2C1024&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-2-IMG-1.jpeg?resize=225%2C300&amp;ssl=1 225w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-2-IMG-1.jpeg?w=960&amp;ssl=1 960w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><figcaption>O primeiro plant\u00e3o da SEC COVID onde foi recebido o primeiro paciente no dia 8 de abril de 2020\/ Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Mesmo a ang\u00fastia em ficar longe de quem ama, a satisfa\u00e7\u00e3o em saber que ele se encontrava seguro era maior. Ap\u00f3s esses meses separados, o enfermeiro j\u00e1 estava se familiarizando com os riscos e conhecendo mais sobre a Covid-19 e o esposo voltou para casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Edvan, quando sentia os sintomas, dormia em quartos separados at\u00e9 ter a certeza que n\u00e3o estava com a doen\u00e7a. \u201cMesmo com todos os cuidados, tinham dias que eu imaginava ter sido contaminado, pois sentia alguns sintomas que estavam correlacionados com a sobrecarga de trabalho.\u2019\u2019<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA press\u00e3o, o medo e a desconfian\u00e7a dos vizinhos constru\u00edram momentos intensos e muito dif\u00edceis para mim e meu esposo\u201d, relembra o enfermeiro as situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis que passou. No in\u00edcio da pandemia, os vizinhos evitavam cruzar com ele no pr\u00e9dio em que mora. \u201cMuitas pessoas t\u00eam a ideia de que os profissionais da sa\u00fade s\u00e3o os principais vetores da doen\u00e7a, mas n\u00e3o \u00e9 verdade. O que poucos sabem \u00e9 que os profissionais seguem corretamente os protocolos exigidos, ou seja, n\u00e3o h\u00e1 o que temer\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"555\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-2-IMG-2.jpeg?resize=740%2C555&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-293\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-2-IMG-2.jpeg?resize=1024%2C768&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-2-IMG-2.jpeg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-2-IMG-2.jpeg?resize=768%2C576&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-2-IMG-2.jpeg?w=1280&amp;ssl=1 1280w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><figcaption>Equipe do Pronto Socorro preparando-se para a recep\u00e7\u00e3o dos primeiros contaminados da Covid-19\/ Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Para o enfermeiro, a pandemia est\u00e1 sendo um per\u00edodo de aprendizados. \u201cTrouxe tamb\u00e9m a humaniza\u00e7\u00e3o e um olhar completo para o paciente e suas necessidades. Nos fez lembrar do uso adequado de EPIs (Equipamentos de Prote\u00e7\u00e3o Individual), lavagem adequada das m\u00e3os e o cuidado redobrado com as contamina\u00e7\u00f5es cruzadas que existem dentro do hospital\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O enfermeiro conta que s\u00f3 existem arrependimentos na escolha da profiss\u00e3o quando perde confraterniza\u00e7\u00f5es familiares e datas comemorativas, pois sempre est\u00e1 de plant\u00e3o, mas o amor que tem pela profiss\u00e3o e por cuidar dos pacientes chega a suprir qualquer outro descontentamento que possa vir a ter. \u201cA enfermagem \u00e9 uma das profiss\u00f5es que atua diretamente na devolu\u00e7\u00e3o da dignidade das pessoas, na devolu\u00e7\u00e3o da autonomia, do autocuidado, da sa\u00fade, da vida\u201d, finaliza.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"987\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-2-IMG-3.jpeg?resize=740%2C987&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-294\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-2-IMG-3.jpeg?resize=768%2C1024&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-2-IMG-3.jpeg?resize=225%2C300&amp;ssl=1 225w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-2-IMG-3.jpeg?w=960&amp;ssl=1 960w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><figcaption>Enfermeiros a postos para ajudar no combate ao Coronav\u00edrus\/ Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p style=\"font-size:25px\"><strong>A fisioterapeuta que encontra apoio na fam\u00edlia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por Gustavo Sousa<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSou m\u00e3e de um casal de filhos. Fiquei muito tempo longe deles porque t\u00ednhamos muitos casos acontecendo e poucos profissionais dispostos a ficarem na linha de frente por medo do desconhecido, por medo de ficarem doentes e passarem para as suas fam\u00edlias\u201d. O isolamento da fam\u00edlia foi uma das decis\u00f5es mais dif\u00edceis para a profissional de sa\u00fade Helen Freitas, 50 anos, que atua na Unidade de Terapia Intensiva do Pronto Socorro de Rio Branco.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do medo da contamina\u00e7\u00e3o, foi com o apoio da fam\u00edlia que ela encontrou for\u00e7as para transformar o medo em determina\u00e7\u00e3o. Helen e o marido conversaram bastante antes do v\u00edrus chegar ao Brasil e, por conta disso, ela decidiu optar por ficar isolada devido ao que estava acontecendo no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"740\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-3-IMG-1.jpeg?resize=740%2C740&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-295\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-3-IMG-1.jpeg?w=742&amp;ssl=1 742w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-3-IMG-1.jpeg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-3-IMG-1.jpeg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-3-IMG-1.jpeg?resize=80%2C80&amp;ssl=1 80w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><figcaption>A fisioterapeuta segurando uma dose da vacina contra Covid-19\/ Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>\u00c1rea de atua\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O fisioterapeuta com t\u00edtulo em terapia intensiva \u00e9 o especialista que conduz a ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica tanto invasiva como a n\u00e3o invasiva, ou seja, o fisioterapeuta que mant\u00e9m o quadro pulmonar do paciente juntamente com a equipe m\u00e9dica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO nosso papel \u00e9 melhorar as trocas gasosas e expandir os pulm\u00f5es para que eles se reestabele\u00e7am e os pacientes possam ser extubados (sair da intuba\u00e7\u00e3o). Inicialmente a fun\u00e7\u00e3o dos profissionais dessa \u00e1rea \u00e9 evitar que o paciente seja entubado, mantendo-o em oxigenoterapia (terapia feita com a utiliza\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio) e Ventila\u00e7\u00e3o N\u00e3o Invasiva (VNI) m\u00e9todo para ajudar na respira\u00e7\u00e3o por meio de aparelhos que n\u00e3o s\u00e3o introduzidos no sistema respirat\u00f3rio. Nos casos mais graves, em que a intuba\u00e7\u00e3o seja inevit\u00e1vel, administramos a ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica conduzindo o funcionamento dos pulm\u00f5es para que o paciente possa se recuperar.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"496\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-3-IMG-2.jpeg?resize=640%2C496&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-296\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-3-IMG-2.jpeg?w=640&amp;ssl=1 640w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-3-IMG-2.jpeg?resize=300%2C233&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption>Helen e parte da sua equipe de fisioterapeutas\/ Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Dificuldades<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A pandemia de Covid-19 n\u00e3o \u00e9 a primeira que a fisioterapeuta enfrenta. &#8220;J\u00e1 tive experi\u00eancia com outra pandemia. A do H1N1  foi mais branda, por\u00e9m eu j\u00e1 imaginava que essa que estava por vir seria de uma maior propor\u00e7\u00e3o\u201d, diz. Helen menciona algumas dificuldades que enfrentou ao longo dos \u00faltimos meses intensos de trabalho. O seu psicol\u00f3gico estava ficando afetado pela dist\u00e2ncia da fam\u00edlia e a falta de um carinho ao chegar do trabalho e a mudan\u00e7a repentina na sua rotina acabou impactando bastante, apesar da fam\u00edlia ter se acostumado com a rotina de plant\u00f5es di\u00e1rios. Outra complica\u00e7\u00e3o \u00e9 a exaust\u00e3o f\u00edsica que vinha por conta da nova rotina de plant\u00f5es cada vez mais prolongados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso Marcante&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dentre tantos casos, um especificamente a marcou pois era um desafio. Eles estavam no in\u00edcio do processo para conhecer a doen\u00e7a&nbsp; \u201cFoi em um momento que ainda est\u00e1vamos come\u00e7ando a conhecer a doen\u00e7a, o Estado ainda estava se equipando e ainda t\u00ednhamos muito medo de fazer VNI. Alguns estudos da \u00e9poca afirmavam que a VNI contaminava os profissionais\u201d, recorda. Como o paciente ainda respirava, a equipe com a qual Helen trabalha tomou a decis\u00e3o de fazer de tudo para salvar o paciente e usar a VNI. &#8220;Ele est\u00e1 vivo hoje, gra\u00e7as a Deus, e valeu muito a pena os nossos esfor\u00e7os\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Helen explica que essa t\u00e9cnica era usada em outras doen\u00e7as e ao usarem nesses casos do covid e notarem os resultados positivos n\u00e3o pararam mais de usar esse m\u00e9todo. A profissional ressalta que no Brasil todos est\u00e3o usando a t\u00e9cnica o que vem evitando muitas intuba\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Supera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com tantas dificuldades em torno dessa nova pandemia, Helen encontra for\u00e7as e compreens\u00e3o na fam\u00edlia. Os encontros com o marido e os filhos retornaram quando os casos tiveram uma baixa consider\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPassado um ano de pandemia, posso dizer que \u00e9 imposs\u00edvel presenciar esse acontecimento com tantos \u00f3bitos e tanto sofrimento n\u00e3o mudar a sua ess\u00eancia\u201d. A for\u00e7a que precisa para seguir em frente encontra na religi\u00e3o e no sorriso dos seus pacientes&nbsp; recuperados. \u201cEssas pequenas vit\u00f3rias do dia a dia impulsionam a nossa jornada\u201d, fala.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"740\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-3-IMG-3.jpeg?resize=740%2C740&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-297\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-3-IMG-3.jpeg?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-3-IMG-3.jpeg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-3-IMG-3.jpeg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-3-IMG-3.jpeg?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/TEXTO-3-IMG-3.jpeg?resize=80%2C80&amp;ssl=1 80w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><figcaption>Freitas recebendo a primeira dose da vacina contra a Covid-19\/ Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Profissionais de sa\u00fade se destacam no atendimento de pacientes com covid-19. 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