{"id":2694,"date":"2022-10-12T09:31:19","date_gmt":"2022-10-12T14:31:19","guid":{"rendered":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=2694"},"modified":"2022-10-12T10:21:01","modified_gmt":"2022-10-12T15:21:01","slug":"alem-dos-muros-da-educacao-estudantes-negros-falam-sobre-sua-vivencia-academica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=2694","title":{"rendered":"Al\u00e9m dos muros da educa\u00e7\u00e3o: estudantes negros falam sobre perman\u00eancia no ensino superior"},"content":{"rendered":"\n<p><em>\u201cQuando voc\u00ea p\u00f5e na ponta da caneta, \u00e9 muito caro se manter na universidade p\u00fablica\u201d, analisa Douglas Mero, rec\u00e9m-formado em artes c\u00eanicas<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hellen Freitas e Ycla Ara\u00fajo&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para a maioria dos alunos, a maior dificuldade na universidade s\u00e3o os trabalhos complexos&nbsp; e os conte\u00fados extensos. Para outros, esse n\u00e3o \u00e9 o principal empecilho. O caminho para a vida acad\u00eamica se torna desafiador pela dificuldade de perman\u00eancia dos alunos, principalmente pretos ou pardos, da periferia de Rio Branco matriculados na Universidade Federal do Acre &#8211; Ufac.<\/p>\n\n\n\n<p>A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma forma de combater o racismo. A tr\u00edade g\u00eanero, ra\u00e7a e classe entra como algo que precisa ser pensado e refletido dentro do sistema educacional, afinal, quais grupos t\u00eam mais acesso \u00e0 universidade p\u00fablica? Os resqu\u00edcios do Brasil Col\u00f4nia ainda atingem e o avan\u00e7o do pa\u00eds, principalmente na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), 71,7% dos jovens fora da escola s\u00e3o negros e apenas 27,3% destes s\u00e3o brancos. O mesmo estudo demonstra a desigualdade de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o nos \u00edndices de analfabetismo. Em 2019, 3,6% das pessoas brancas de 15 anos ou mais eram analfabetas, enquanto entre as pessoas negras esse percentual chega a 8,9%.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As vagas reservadas \u00e0s cotas (50% do total de vagas da institui\u00e7\u00e3o) s\u00e3o subdivididas metade para estudantes de escolas p\u00fablicas com renda familiar bruta igual ou inferior a um sal\u00e1rio m\u00ednimo e meio per capita e metade para estudantes de escolas p\u00fablicas com renda familiar superior a um sal\u00e1rio m\u00ednimo e meio. Em ambos os casos, tamb\u00e9m \u00e9 levado em conta o percentual m\u00ednimo correspondente ao da soma de pretos, pardos e ind\u00edgenas no estado, de acordo com o \u00faltimo censo demogr\u00e1fico do <a href=\"http:\/\/portal.mec.gov.br\/cotas\/perguntas-frequentes.html\">Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Jaycelene Brasil, soci\u00f3loga formada na Ufac, explica: \u201cNos \u00faltimos quatros anos pudemos refletir a falta de incentivo aos alunos, para que eles possam acessar bolsas de estudo, est\u00e1gios remunerados e outros acessos b\u00e1sicos para que tenham \u00e2nimo. Entre estudar ou levar comida para dentro de casa, frente a essa crise econ\u00f4mica que estamos vivendo, esse jovem vai preferir trabalhar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/eegFEF8rld_cATFIOexVp9g1VqEFEfsFnU0elxEo_6mIhZik-D_dLtlUW5J3rciGrlI3RzCrBC40wccDYcayAjq1hxrA6IzrmYi3yRFogAUvCprgdMOGZIR4BNnhC0UT4LALCKXSKR_ajHHoCQofKPD-H1bEWmabugLd5GNO3bsit-DLHsCfR0W12A\" alt=\"\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong>&nbsp;&nbsp;Jaycelene Brasil na Feira Liter\u00e1ria Sesc Acre | Foto:  Manoelzinho Acre<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A soci\u00f3loga ressalta ainda \u201co g\u00eanero masculino tem mais facilidade de acessar o ensino superior&nbsp; &#8220;mais meninos v\u00e3o conseguir entrar&nbsp; na universidade porque as meninas v\u00e3o ser arrimo de fam\u00edlia. Quando voc\u00ea olha o perfil, s\u00e3o pessoas brancas. No geral, a classe m\u00e9dia, aquele jovem que tem uma estrutura familiar \u00e9 que pode fazer um pr\u00e9 vestibular, vem de escolas particulares e n\u00e3o precisa trabalhar para se manter\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A lei 12.711 de 2012, chamada lei das cotas, determina que institui\u00e7\u00f5es de ensino superior vinculadas ao Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e os Institutos Federais de Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Tecnologia devem reservar 50% de suas vagas para cotas. Mas afinal o que s\u00e3o as cotas e por que s\u00e3o t\u00e3o importantes?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Estudante de direito da Ufac, Gabriela da Silva Amorim, 19, fala sobre a import\u00e2ncia dessa pol\u00edtica p\u00fablica: \u201cDentre muitos outros fatores, n\u00e3o temos como reparar a discrep\u00e2ncia social que ficou entre negros, brancos, ricos, classe m\u00e9dia, pobres, e o sistema de cotas funciona como uma garantia constitucional, a que fala dos direitos iguais. Nossa educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica n\u00e3o \u00e9 igualit\u00e1ria se comparada ao ensino privado, por exemplo, sem contar as condi\u00e7\u00f5es de vida do aluno que s\u00e3o determinantes para um bom desempenho educacional. As cotas s\u00e3o um emblema de equidade, que d\u00e1 a mesma oportunidade para o pobre, com acesso a um ensino mais ou menos, ingressar no ensino superior como um rico ou pessoa de classe m\u00e9dia que teve uma prepara\u00e7\u00e3o anos luz melhor\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Douglas Mero, 22, que concluiu o curso de artes c\u00eanicas&nbsp; na Ufac, vivenciou o preconceito contra os cotistas desde que passou a frequentar a universidade como um. \u201cAs pessoas pensam que as cotas s\u00e3o para ingressar pessoas que n\u00e3o estudam e por isso utilizam esse recurso, sendo que as cotas s\u00e3o uma repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica para popula\u00e7\u00e3o pobre, negra, ind\u00edgena e deficiente que teve o direito de estudar no ensino superior negado durante muitos anos. Sofremos preconceito, sim, tanto de forma direta quanto de forma indireta, pois muitas das pessoas se privam de ir atr\u00e1s das informa\u00e7\u00f5es verdadeiras e se deixam levar pelas conversas de boca a boca!\u201d, frisa.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/Xl7kYM_AWqBBV4ezwnD_hRIU5CfjRo48mxaMd85f-QKgDIGvg66So9QMEl_wrg7NUk0dwGX1TllFUDRzmsvmuZ7hTzqQIeiWZ7KiGmUpb9Z9KRjqBw99IeBgkyDZQZ2KSiry_Wxa83r5ygNYeiBGiiEeDIYxKPyonlgqn2Ck2NrDeYUqzsHN5E3BaA\" alt=\"\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Douglas Mero no dia de sua formatura em artes c\u00eanicas, em 2022 | Foto: cedida<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>As cotas s\u00e3o uma maneira de tornar a universidade um espa\u00e7o mais justo e democr\u00e1tico dando oportunidade aos jovens da periferia. A universidade deve ser colorida, pois s\u00f3 assim a educa\u00e7\u00e3o brasileira atuar\u00e1 de maneira plural e antirracista , o respeito e o conhecimento juntos.<\/p>\n\n\n\n<p>O racismo ganhou ampla repercuss\u00e3o em discuss\u00e3o recentemente no cen\u00e1rio brasileiro, pois tem sido percebido pelos grupos e popula\u00e7\u00f5es que sofrem com a interfer\u00eancia direta e indireta dele. \u201cAs pessoas t\u00eam dificuldade em compreender o que \u00e9 o racismo, diferenciar o racismo do preconceito e da discrimina\u00e7ao, e de caracterizar o racismo como um crime, atrav\u00e9s do que diz a lei 7716\/89\u201d, explica a soci\u00f3loga Jaycelene. Segundo a lei, crimes resultantes de preconceito de ra\u00e7a ou de cor devem ser punidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE)&nbsp; divulgada em&nbsp; 2018 mostram que 79,2% dos jovens que frequentaram a rede privada de ensino ingressaram no ensino superior em 2017, contra 28,2% de jovens da rede p\u00fablica. Isto tem grande reflexo na forma como o brasileiro enxerga e entende sobre o racismo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Racismo ambiental<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Uma outra forma do racismo estrutural \u00e9 o racismo ambiental , que ocorre quando um jovem se alimenta mal, n\u00e3o tem moradia adequada, saneamento b\u00e1sico ou mora em uma \u00e1rea perif\u00e9rica que coloca em risco sua&nbsp; vida. Com tudo isso em jogo, chega a ser imposs\u00edvel acreditar que passar no Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio- ENEM o conceito que nasceu em 1982 por Benjamin Chavis nos Estados Unidos e ganhou reconhecimento no Brasil no in\u00edcio dos anos 2000, onde v\u00e1rios cen\u00e1rios de injusti\u00e7a ambiental s\u00e3o historicamente observados.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Exposi\u00e7\u00e3o a locais e instala\u00e7\u00f5es de res\u00edduos t\u00f3xicos, como a falta de saneamento b\u00e1sico, por exemplo, e ambientes perigosos, como os que moram em comunidades perif\u00e9ricas e sem a instala\u00e7\u00e3o do sistema de seguran\u00e7a b\u00e1sica. Com tudo isso, a exclus\u00e3o das minorias sistem\u00e1tica na formula\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas ambientais.<\/p>\n\n\n\n<p>A soci\u00f3loga entende que o descaso com esses espa\u00e7os se deve ao fato de que eles s\u00e3o habitados&nbsp; majoritariamente por pessoas negras. \u201cQuando voc\u00ea entra em um bairro perif\u00e9rico,&nbsp; falta a interven\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio ou estado, de forma din\u00e2mica planejada para cuidar do determinado espa\u00e7o. No imagin\u00e1rio social da gest\u00e3o p\u00fablica, aquelas pessoas n\u00e3o s\u00e3o dignas de receber atendimento de saneamento\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A pandemia como desafio para a educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O \u00faltimo momento enfrentado pelo mundo, a pandemia de covid-19, evidenciou que&nbsp; o Brasil precisa melhorar o acesso \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. O isolamento levou centenas de alunos da rede p\u00fablica e particular a transformar suas casas em salas de aula. Diferen\u00e7a foi entre classes sociais e nas facilidades em ter acesso a internet, \u00e9 claro que os estudantes mais afetados eram pretos e pardos.<\/p>\n\n\n\n<p>Devido \u00e0s dificuldades de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, muitos alunos da rede b\u00e1sica de ensino ligados \u00e0 periferia n\u00e3o tinham acesso ou condi\u00e7\u00f5es de ter o ensino remoto como op\u00e7\u00e3o para continuar os estudos. Com o retorno das aulas presenciais em novembro de 2021, cerca de <a href=\"https:\/\/istoe.com.br\/o-drama-da-evasao-escolar\/\">240 mil crian\u00e7as e adolescentes n\u00e3o retornaram \u00e0s salas de aula.&nbsp;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A economia \u00e9 outro fator para a evas\u00e3o dos alunos das salas de aula. Durante o per\u00edodo pand\u00eamico, a Ufac assim como as demais institui\u00e7\u00f5es do pa\u00eds, transformou as aulas presenciais em encontros remotos. A vida pessoal se misturou com a vida acad\u00eamica, obrigando muitos alunos a ingressarem no mercado de trabalho para sobreviver \u00e0&nbsp; crise.<\/p>\n\n\n\n<p>Jorge Oliveira, 24, estudante de jornalismo na Ufac, comenta que a principal dificuldade ainda \u00e9 conseguir conciliar tempo de trabalho e faculdade. \u201cEstudo \u00e0 noite e preciso trabalhar durante o dia. Na pandemia enfrentei mil dificuldades por n\u00e3o ter computador, precisei me virar e tentar fazer todos os trabalhos e provas pelo celular \u201d, diz o graduando.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/WWnqFgDPdZpXrFRds2zpBk1hNMzejjhhdBGT-MMgjf0cQKK3JPyWmfaB0M1bCnMijNw_P-HFAVyM-TqTYT9pv9U2LCfQK_P3trvZKRbU0PYPzk3-_WLccVYw8O4yyeX5W1LBefdycTucojJ4bkSgTJchMjCN1wIMR3VbrgZN6_nOWZSbTNqi81dUCg\" alt=\"\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Principal desafio do graduando Jorge Oliveira \u00e9 conciliar  rotina de trabalho e estudos | Foto: cedida&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Para o&nbsp; aspirante a jornalista, o trabalho se transformou em uma&nbsp; obriga\u00e7\u00e3o que lhe ajuda a estudar. Mesmo que seja ir\u00f4nico ele n\u00e3o ter tempo de fazer os trabalhos acad\u00eamicos, \u00e9 o seu emprego o que o mant\u00e9m na faculdade. \u201cSe eu n\u00e3o trabalhar, n\u00e3o tenho como manter outras coisas dentro da universidade, como alimenta\u00e7\u00e3o, passagens, xerox e outros materiais necess\u00e1rios. Isso sem incluir a minha pr\u00f3pria moradia\u201d explica Jorge.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A intelectual negra Sueli Carneiro, fundadora do Geled\u00e9s &#8211; Instituto da Mulher Negra,&nbsp; concedeu uma entrevista ao observat\u00f3rio da educa\u00e7\u00e3o e explicou como o racismo estrutural est\u00e1 presente nas escolas e universidades de forma traumatizante. \u201cO p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o n\u00e3o restitui essa humanidade retirada &#8211; a escola reitera isso. N\u00e3o \u00e9 gratuito que nossas primeiras experi\u00eancias com o racismo tenham a ver com a entrada na escola\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;A dificuldade em permanecer na universidade se d\u00e1 pela car\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas que&nbsp; criem condi\u00e7\u00f5es para o jovem ensino superior federal. Apesar da lei de cotas ter <a href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/lei-de-cotas-aumenta-em-39-o-numero-de-negros-nas-federais\/?gclid=Cj0KCQjw1vSZBhDuARIsAKZlijQmYKZaWqqUqUoJHr6FY1FIwb-X47QoxJHVTiRV-b_O6S3rTaY89PkaAkU1EALw_wcB\">aumentado em 39%&nbsp; a entrada de pretos, pardos e ind\u00edgenas<\/a>&nbsp; na universidade at\u00e9 2016, a perman\u00eancia do aluno na vida acad\u00eamica depende de v\u00e1rios fatores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A discuss\u00e3o \u00e9 n\u00e3o apenas como chegar na universidade, mas tamb\u00e9m como se manter dentro dela. Nas periferias, o&nbsp; jovem que sai da escola e encontra a realidade econ\u00f4mica social, como a falta de distribui\u00e7\u00e3o de renda e&nbsp; investimentos na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, e em especial o Acre, afeta diretamente os sonhos da juventude&nbsp; que busca por meio dos estudos mudar sua condi\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o futuro jornalista Jorge Oliveira, a realidade do sistema de bolsas de estudos oferecidas pela institui\u00e7\u00e3o federal em que estuda \u00e9 falha.&nbsp; \u201cTodos sabem que as bolsas da Ufac n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o f\u00e1ceis de conseguir, muitos que n\u00e3o precisam de verdade t\u00eam, \u00e0s vezes, mais de uma bolsa, enquanto outros n\u00e3o conseguem nenhuma. E eu fa\u00e7o parte dos que n\u00e3o t\u00eam o privil\u00e9gio de poder apenas estudar enquanto recebe ajuda de familiares ou de bolsas de estudo\u201d,&nbsp; desabafa.<\/p>\n\n\n\n<p>Gabriel Aguiar, 25, estudante de bacharelado em geografia, faz parte da parcela de alunos que mant\u00e9m a universidade com ajuda do Programa Institucional de Bolsas de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica (PIBIC). Entretanto, nunca pleiteou as bolsas de aux\u00edlio da universidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;S\u00e3o bolsas extremamente dif\u00edceis de conseguir, al\u00e9m de que tem muito aluno que ganha sem realmente precisar e a bolsa vira uma esp\u00e9cie de mesada, enquanto tem alunos que realmente precisam. Quando voc\u00ea p\u00f5e na ponta da caneta, \u00e9 muito caro se manter na universidade p\u00fablica\u201d, complementa.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A perman\u00eancia dentro dos centros universit\u00e1rios depende, acima de tudo, das oportunidades b\u00e1sicas de saneamento b\u00e1sico, transporte e alimenta\u00e7\u00e3o. Condi\u00e7\u00f5es financeiras, alimenta\u00e7\u00e3o de qualidade, moradia e saneamento b\u00e1sico adequados s\u00e3o direitos essenciais&nbsp; que todo estudante de universidade p\u00fablica deve usufruir para que seu rendimento acad\u00eamico seja not\u00f3rio.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cQuando voc\u00ea p\u00f5e na ponta da caneta, \u00e9 muito caro se manter na universidade p\u00fablica\u201d, analisa Douglas Mero, rec\u00e9m-formado em artes c\u00eanicas Hellen Freitas e Ycla Ara\u00fajo&nbsp;&nbsp; Para a maioria dos alunos, a maior dificuldade na universidade s\u00e3o os trabalhos complexos&nbsp; e os conte\u00fados extensos. Para outros, esse n\u00e3o \u00e9 o principal empecilho. O caminho [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":2708,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[2,1],"tags":[8],"coauthors":[],"class_list":["post-2694","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-rotas","category-ultimas-noticias","tag-destaque"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/destaq-ycla.jpg?fit=1086%2C652&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2694","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2694"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2694\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2723,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2694\/revisions\/2723"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2708"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2694"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2694"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2694"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcoauthors&post=2694"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}