{"id":2391,"date":"2022-06-01T09:30:00","date_gmt":"2022-06-01T14:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=2391"},"modified":"2022-05-30T16:01:22","modified_gmt":"2022-05-30T21:01:22","slug":"marcas-que-nunca-vao-passar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=2391","title":{"rendered":"Marcas Que Nunca V\u00e3o Passar"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Por Renato Menezes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"740\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Minha-versao.png?resize=740%2C740&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-2392\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Minha-versao.png?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Minha-versao.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Minha-versao.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Minha-versao.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Minha-versao.png?resize=80%2C80&amp;ssl=1 80w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Minha-versao.png?resize=70%2C70&amp;ssl=1 70w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Minha-versao.png?w=1181&amp;ssl=1 1181w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>(Alerta de gatilho: este texto aborda abuso sexual)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Era 30 de abril de 2011, \u00e0s 17h48, quando a vida de Ariane* virou de cabe\u00e7a para baixo, de uma forma que ela jamais imaginou que aconteceria em toda a sua exist\u00eancia. Acompanhada de sua filha mais velha, Sofia*, ent\u00e3o com 6 anos de idade, ela chegou \u00e0 Delegacia Especializada em Crimes Contra \u00e0 Mulher, localizada no 2\u00ba distrito de Rio Branco (AC), para fazer uma den\u00fancia. \u201cEle mexeu com a minha filha\u201d, disse aos prantos para o delegado que a recebeu, acusando o padrasto da menina como o principal respons\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Ariane conheceu seu c\u00f4njuge em meados de 2006 e engataram um relacionamento. No final do ano, ela descobriu que estava gr\u00e1vida de sua segunda filha, Luana*, que acabou nascendo um dia antes de seu anivers\u00e1rio de 22 anos. A mais nova integrante da fam\u00edlia fez com que ela fosse morar com ele na casa da sogra, acompanhada da filha mais velha, Sofia, fruto de um relacionamento com seu primo, que acabou n\u00e3o prosperando.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Depois de um tempo, cansada de passar por humilha\u00e7\u00f5es e enfrentar maus olhares da sogra, os quatro resolveram morar de aluguel em um quarteir\u00e3o localizado em um bairro vizinho. L\u00e1, eles viviam uma vida humilde, mas aparentemente harmoniosa. Bom, pelo menos at\u00e9 o momento em que o ent\u00e3o marido come\u00e7ou a humilhar e a bater em Ariane pelo menor \u201cmotivo\u201d que fosse, desde ci\u00fames banais at\u00e9 \u00e0 janta n\u00e3o feita. Eram socos, tapas na cara e at\u00e9 c\u00e1rcere privado por alguns dias ela enfrentou, proibindo-a de ir \u00e0 casa dos pais. Entre idas-e-voltas que, tristemente, costumam ser comuns em relacionamentos abusivos, eles ficaram sem condi\u00e7\u00f5es de custear o aluguel e passaram a morar em um pequeno apartamento nos fundos da casa dos pais de Ariane.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Passado um tempo, ela arrumou um emprego em uma loja de presentes e decora\u00e7\u00e3o, onde \u00e0s vezes trabalhava at\u00e9 mais que o permitido por lei, porque acreditava que, fazendo isso, dificilmente perderia o trabalho que necessitava tanto. A vida passou a ser muito corrida, era das 13h \u00e0s 22h trabalhando, enquanto achava que as filhas estavam sendo bem cuidadas pelo padrasto e pai.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">No entanto, depois que Ariane passou a ficar mais tempo fora de casa, come\u00e7ou a perceber que estava acontecendo algo de estranho com a filha mais velha. Achando que era coisa de crian\u00e7a, acabou acreditando ser um comportamento t\u00edpico para a idade de Sofia. S\u00f3 que em meados de dezembro de 2010, ao chegar do trabalho, viu que a situa\u00e7\u00e3o estava al\u00e9m do toler\u00e1vel. \u201cQuando eu cheguei do trabalho, tarde da noite, ela estava deitada na cama, sozinha, coberta e assim que ela ouviu minha voz, me abra\u00e7ou profundamente. E eu n\u00e3o entendia o porqu\u00ea daquilo\u201d, falou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">E esse estranhamento n\u00e3o foi percebido apenas por Ariane. A av\u00f3 de Sofia tamb\u00e9m come\u00e7ou a ficar com \u201cuma pulga atr\u00e1s da orelha\u201d, pois era acostumada a ver a neta brincando com as outras crian\u00e7as e, de repente, tinha perdido o \u00e2nimo. \u201cEu falava pra ela: minha filha, o que \u00e9 que t\u00e1 acontecendo? Por que voc\u00ea n\u00e3o quer ir brincar com os meninos? E ela s\u00f3 falava que n\u00e3o queria\u201d, disse a av\u00f3, que disse nunca ter desconfiado de absolutamente nada, mesmo achando estranho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">No dia 30 de abril de 2011, Sofia reclamou de dor ao fazer xixi. Por conta disso, urinou na roupa duas vezes. \u201cCora\u00e7\u00e3o de m\u00e3e sente muito. Eu senti que tinha alguma coisa de errado, minha m\u00e3e me falando que estava achando estranho o jeito dela, \u00e0s vezes chorando pelos cantos. Mas eu n\u00e3o sabia, n\u00e3o sabia mesmo. Eu perguntava o que estava acontecendo e ela n\u00e3o me falava, s\u00f3 chorava. Ela s\u00f3 dizia <em>\u2018m\u00e3e, minha baratinha t\u00e1 doendo\u2019<\/em>. Quando eu tirei a roupa dela para ver, (a vagina) estava cheia de bolha e eu achei que era algo relacionado ao xixi\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Naquele exato momento, ela arrumou a filha e foi at\u00e9 \u00e0 Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Tucum\u00e3. No entanto, a UPA estava sem Pediatra, o que a fez ser transferida para o Pronto Socorro de Rio Branco \u00e0s 12h46, de acordo com o prontu\u00e1rio cl\u00ednico. Ao relatar o que tinha visto na vagina<em> <\/em>da filha, at\u00e9 ent\u00e3o sem entender nada, logo foi encaminhada para a ala de emerg\u00eancia pedi\u00e1trica, onde uma equipe de profissionais lhe fez uma enxurrada de perguntas. \u201cNo decorrer disso tudo, eles deduziram que era Herpes genital, uma infec\u00e7\u00e3o sexualmente transmiss\u00edvel\u201d. Naquele momento, todas as pe\u00e7as do quebra-cabe\u00e7a tinham se encaixado e a ficha estava come\u00e7ando a cair. O comportamento estranho da filha, a raiva que ela tinha do padrasto, os abra\u00e7os de medo&#8230; Ent\u00e3o, ela perguntou para a filha se algu\u00e9m tinha acariciado as partes \u00edntimas dela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Com base nos questionamentos feitos a Ariane, a equipe pedi\u00e1trica colocou a crian\u00e7a como suspeita de ter sido abusada sexualmente pelo padrasto h\u00e1 alguns meses, solicitou exame de sorologia para Herpes, atendimento com assistente social e encaminharam-nas imediatamente \u00e0 Delegacia da Mulher, onde registraram a den\u00fancia. A partir do depoimento de Sofia, que falou que ele chegou a colocar o dedo em suas partes \u00edntimas umas tr\u00eas vezes, mostrou filmes pornogr\u00e1ficos e as partes \u00edntimas dele para ela, solicitaram exames de conjun\u00e7\u00e3o carnal, bem como testes laboratoriais de HIV\/Aids, Hepatites A, B e C e outros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">\u201cEsse dia foi um dia de inferno na minha vida\u201d, disse Ariane.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Diante de toda aquela situa\u00e7\u00e3o que enfrentava junto com a filha, ela se viu em um po\u00e7o de tristeza, \u00f3dio e impot\u00eancia, tanto por ter confiado demais no ex-c\u00f4njuge, como por n\u00e3o ter protegido sua filha como gostaria. Ariane trabalhava demais para colocar o sustento na mesa. Era uma rotina intensa ganhando pouco, saindo ao meio-dia e voltando \u00e0s 22h e achando que as filhas estavam sendo bem cuidadas. \u201cEu nunca me senti t\u00e3o suja na vida. Quando eu me vi dentro de toda essa situa\u00e7\u00e3o eu pensei em tanta besteira&#8230;\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Em meio \u00e0s idas \u00e0 assistente social, psic\u00f3loga, maternidade e laborat\u00f3rios, o \u00fanico exame que deu positivo foi para Herpes. \u201cGra\u00e7as a Deus, ele n\u00e3o chegou a introduzir nada na minha filha, n\u00e3o chegou a tirar a virgindade dela, mas para a Justi\u00e7a, aquilo (o exame) n\u00e3o era prova concreta de que a minha filha tinha sido molestada\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">De acordo com o relat\u00f3rio sentencial, Ariane chegou a contar em um dos depoimentos \u00e0 Justi\u00e7a que havia aparecido umas marcas semelhantes \u00e0s da vagina na bochecha de Sofia aos seis meses de idade, o que acabou tendo grande influ\u00eancia nos autos judiciais. Contudo, ela afirmou para o processo e para essa entrevista que aquilo tinha sido uma rea\u00e7\u00e3o al\u00e9rgica desencadeada a partir de um beijo que a av\u00f3 paterna tinha dado nela. \u201cOnde ela beijou, ficou a marca do batom \u2018meio vinho\u2019 que ela usava, e foi onde deu uma alergia, devido \u00e0 pele de rec\u00e9m-nascido ser muito sens\u00edvel. Na \u00e9poca eu levei a Sofia no hospital, n\u00e3o me falaram nada de Herpes. Eu n\u00e3o tinha por qu\u00ea inventar uma coisa dessas agora\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Ariane disse que o acusado n\u00e3o fez exame para Herpes e que n\u00e3o acredita que a filha contraiu o v\u00edrus antes dos abusos, porque as bolhas foram notadas depois que Sofia mudou o comportamento e passou a ficar mais retra\u00edda. \u201cMinha filha era uma crian\u00e7a, ela n\u00e3o ia contar uma hist\u00f3ria horr\u00edvel dessas do nada, ningu\u00e9m da minha fam\u00edlia nunca passou por isso\u201d. De acordo com ela, o r\u00e9u n\u00e3o chegou a fazer o exame justamente porque colocaram em alto grau de relev\u00e2ncia o ocorrido com a menina aos seis meses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A senten\u00e7a foi dada no dia 17 de outubro de 2013 e inocentou o ex-marido, embasada no argumento de que a palavra da v\u00edtima, apesar de sempre se sobressair \u00e0 do r\u00e9u, n\u00e3o era clara o bastante. A pouca idade de Sofia na \u00e9poca justificava o nervosismo da v\u00edtima no depoimento judicial. O advogado do acusado tamb\u00e9m alegou que a crian\u00e7a podia ter contra\u00eddo Herpes na escola, que \u00e9 uma doen\u00e7a muito comum e de f\u00e1cil transmiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">\u201cComo n\u00e3o tinham provas mais firmes de que ele havia introduzido alguma coisa na vagina da minha filha, eles acabaram arquivando o caso. O que eles queriam era um exame carnal, algo mais concreto. E a gente n\u00e3o tinha mais nada o que fazer porque ela foi ouvida, e eles talvez pensaram que era coisa de crian\u00e7a, algo do tipo. Isso me revolta muito at\u00e9 hoje, porque ele ficou como o inocente na hist\u00f3ria\u201d, desabafou Ariane. Ela acredita que o estupro propriamente dito n\u00e3o aconteceu porque moravam, praticamente, na mesma casa de seus pais, e corria o risco de Sofia fazer algum esc\u00e2ndalo e todo mundo acabar escutando.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Ariane tem certeza que de inocente ele n\u00e3o tem nada. Primeiro, porque ela jamais vai duvidar da palavra da filha frente a um homem que j\u00e1 bateu, xingou e a maltratou em diversas ocasi\u00f5es. Segundo, porque ele fugiu para a casa da m\u00e3e assim que soube que elas tinham ido ao hospital por tal motivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">\u201cQuando eu acompanhei a Ariane na UPA e depois, no Pronto Socorro, os m\u00e9dicos que viram a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o deixaram a gente sair de l\u00e1 at\u00e9 que chegasse a assist\u00eancia social, porque j\u00e1 imaginavam o que era. Se eu n\u00e3o me engano, minha outra irm\u00e3, na tentativa de n\u00e3o piorar a situa\u00e7\u00e3o mais do que j\u00e1 tava, ligou escondida para ele e disse para ele sumir de l\u00e1 (apartamento onde moravam nos fundos da casa dos pais de Ariane), pois se essa hist\u00f3ria chegasse primeiro nos ouvidos do meu pai, ele seria capaz de mat\u00e1-lo com o ter\u00e7ado que tinha\u201d, disse a irm\u00e3 de Ariane, complementando que hoje enxerga a liga\u00e7\u00e3o como um livramento de Deus, pois tinha certeza que iria acontecer uma trag\u00e9dia muito maior, com gente morta e presa. \u201cMeu pai \u00e9 um homem trabalhador, muito simples e batalhador desde sempre. Ele n\u00e3o merecia sujar as m\u00e3os dele com o sangue de um *&amp;%$# (palavr\u00e3o)\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">O acusado, ap\u00f3s a senten\u00e7a, ainda passou os anos subsequentes perseguindo e rodeando a fam\u00edlia, inclusive gerando v\u00e1rios processos: pedido de guarda da filha biol\u00f3gica, baixa no valor da pens\u00e3o, acusa\u00e7\u00e3o de cal\u00fania e difama\u00e7\u00e3o por parte do pai de Ariane, que acabou se alterando em v\u00e1rias discuss\u00f5es e xingou-o de palavras de baixo cal\u00e3o ao v\u00ea-lo parado em frente \u00e0 sua resid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">\u201cA gente tinha uma medida protetiva que impedia&nbsp; ele de circular por perto da nossa casa. Mesmo assim desrespeitava, porque queria ver a filha nos dias que n\u00e3o eram os dele, mas eu n\u00e3o deixava de jeito nenhum. Ele at\u00e9 hoje nunca pagou pens\u00e3o para a Luana, mesmo eu tendo ido na justi\u00e7a diversas vezes. Parece que ele tinha prazer de desestabilizar a gente\u201d, irrita-se Ariane.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Ao relembrar toda a situa\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica, Ariane diz que se revolta at\u00e9 hoje com o arquivamento do processo, pois ficou parecendo que ela e a filha estavam mentindo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Ela contou que \u00e9 imposs\u00edvel esquecer o que ela e as filhas passaram com t\u00e3o pouca idade. \u201cEm uma das in\u00fameras discuss\u00f5es, tempos depois da senten\u00e7a, ele olhou para mim e esbravejou, com um \u00f3dio enorme, que eu nunca mais ia ser feliz na minha vida. Claro que eu n\u00e3o internalizo isso, mas \u00e0s vezes quando eu estou muito triste, fico realmente pensativa se ele jogou alguma praga em mim\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Atualmente, ela continua com a guarda de suas duas meninas em sua casa pr\u00f3pria e disse que desde meados de 2019 ele n\u00e3o procurou mais pela filha biol\u00f3gica. \u201cE eu espero que continue assim pro resto da vida. Gra\u00e7as a Deus minha filha n\u00e3o sente nenhum pingo de falta dele e n\u00e3o faz mais quest\u00e3o de manter o m\u00ednimo de contato\u201d. Hoje, Luana tem 13 anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Sobre Sofia, que est\u00e1 com 17 anos, Ariane disse que hoje ela \u00e9 bem mais aberta para falar sobre as coisas, mas que ainda tem preju\u00edzos psicol\u00f3gicos e gatilhos pessoais disso tudo. \u201cHoje ela \u00e9 uma pessoa totalmente diferente, mas claro que com algumas sequelas. Quando ela fica muito calada, eu j\u00e1 fico muito preocupada e j\u00e1 sento para conversar&#8230; s\u00e3o marcas que eu sei que nunca v\u00e3o passar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Se voc\u00ea conhece ou sabe de alguma crian\u00e7a ou adolescente que est\u00e1 enfrentando situa\u00e7\u00f5es de abuso ou explora\u00e7\u00e3o sexual, n\u00e3o hesite em denunciar ligando para o 180. A liga\u00e7\u00e3o \u00e9 gratuita, an\u00f4nima, sigilosa e voc\u00ea pode contribuir para que estas v\u00edtimas sejam assistidas e os envolvidos, devidamente responsabilizados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">*Nomes fict\u00edcios para preservar a identidade das v\u00edtimas<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Obs.: O nome da pessoa que foi acusada n\u00e3o \u00e9 citado pois a lei o julgou como inocente e o processo foi arquivado por falta de provas contundentes.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Renato Menezes (Alerta de gatilho: este texto aborda abuso sexual) Era 30 de abril de 2011, \u00e0s 17h48, quando a vida de Ariane* virou de cabe\u00e7a para baixo, de uma forma que ela jamais imaginou que aconteceria em toda a sua exist\u00eancia. 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