{"id":1801,"date":"2021-10-25T12:45:19","date_gmt":"2021-10-25T17:45:19","guid":{"rendered":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=1801"},"modified":"2021-10-25T12:47:57","modified_gmt":"2021-10-25T17:47:57","slug":"sentimentos-por-tras-da-escrita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=1801","title":{"rendered":"Sentimentos por tr\u00e1s da escrita"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"font-size:12px\">Foto: Arquivo Pessoal<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por Ycla Ara\u00fajo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Muitos de n\u00f3s crescemos na influ\u00eancia da literatura, da m\u00fasica e das artes c\u00eanicas. Mas o que nunca prestamos aten\u00e7\u00e3o \u00e9: quantos desses artistas s\u00e3o acreanos? Quantas vezes, em todo esse tempo, consumimos da nossa pr\u00f3pria arte? O processo criativo demanda tempo, inspira\u00e7\u00e3o e imagina\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de que o caminho at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o \u00e9 bem longo e demorado.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor, ator, escritor, m\u00fasico e pai de dois beb\u00eas, Quilrio Farias, \u00e9 formado em Artes C\u00eanicas pela Universidade Federal do Acre (Ufac), foi ator por 10 anos, \u00e9 m\u00fasico e foi compositor em uma banda <em>punk<\/em> quando mais novo.\u00a0 O poeta j\u00e1 tem tr\u00eas livros publicados; o primeiro se chama O Berro, publicado em 2017, foi constru\u00eddo ao longo de dez anos. De acordo com o escritor, ele tinha em torno de cem poemas para p\u00f4r no livro, mas ao final, escolheu apenas trinta e seis.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEscolhi os que eu achei o melhor dos melhores. Quando a gente escreve um livro, quando faz uma obra de arte, a gente quer que as pessoas vejam. \u00c9 muito sofrido essa parte de escolher o que entra e o que n\u00e3o entra, mas a arte tamb\u00e9m \u00e9 pensada\u201d, relembra o escritor.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor relata, humorado, que resolveu publicar de forma independente, pois seus projetos n\u00e3o eram aprovados no edital de inclus\u00e3o p\u00fablica. \u201cFoi sem ressentimentos, sabe?! S\u00f3 pensei que seria uma coisa legal\u201d, ele brinca. Em sua opini\u00e3o, isso lhe proporcionou a oportunidade de experimentar a liberdade criativa em seus projetos.<\/p>\n\n\n\n<p>Marcas de P\u00e9s, seu segundo livro, lan\u00e7ado em 2018, \u00e9 sobre suas mem\u00f3rias. Segundo o autor, a ideia \u00e9 de falar com seu passado e tamb\u00e9m sobre o ano de 2018, que para ele foi bem at\u00edpico. \u201cEu nem ia lan\u00e7ar nada, mas pensei que seria bom deixar alguma marca em mim sobre esse ano que foi t\u00e3o dif\u00edcil.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2019 come\u00e7a o processo de escrita de Nascen\u00e7as. Naquele ano, o artista come\u00e7ou a trabalhar nas escolas da periferia do Segundo Distrito de Rio Branco, lugar onde passou parte de sua inf\u00e2ncia. E retornar a esses espa\u00e7os lhe trouxe uma grande sensa\u00e7\u00e3o de nostalgia, o que o inspirou a voltar a escrever. Com o in\u00edcio da pandemia em 2020, o projeto ficou um pouco esquecido. \u201cPerdi tr\u00eas amigos. E conhecidos, eu nem sei quantos. Teve um amigo de inf\u00e2ncia muito querido\u201d, lamenta. Essas perdas tamb\u00e9m influenciaram na escrita.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"720\" height=\"894\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/WhatsApp-Image-2021-10-22-at-16.23.59-1.jpeg?resize=720%2C894&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-1805\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/WhatsApp-Image-2021-10-22-at-16.23.59-1.jpeg?w=720&amp;ssl=1 720w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/WhatsApp-Image-2021-10-22-at-16.23.59-1.jpeg?resize=242%2C300&amp;ssl=1 242w\" sizes=\"(max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><figcaption>Foto: Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cO nome inicial nem era Nascen\u00e7as, a ideia veio como m\u00e1gica quando meu filho nasceu. Foi um dia dif\u00edcil em um ano muito complicado pra mim. Quando vi minha esposa e meu filho bem, foi quando percebi que a gente estava nascendo de novo, ele foi como um f\u00f4lego de al\u00edvio pra gente\u201d, se emociona.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Formada no Curso T\u00e9cnico de Cinema e V\u00eddeo na Usina de Arte Jo\u00e3o Donato e em Licenciatura em Hist\u00f3ria na Universidade Federal do Acre (UFAC), Carina Cordeiro \u00e9 m\u00e3e de um menino, fot\u00f3grafa, cineasta e recentemente escritora.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"720\" height=\"705\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/WhatsApp-Image-2021-10-22-at-16.23.58.jpeg?resize=720%2C705&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-1803\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/WhatsApp-Image-2021-10-22-at-16.23.58.jpeg?w=720&amp;ssl=1 720w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/WhatsApp-Image-2021-10-22-at-16.23.58.jpeg?resize=300%2C294&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/WhatsApp-Image-2021-10-22-at-16.23.58.jpeg?resize=70%2C70&amp;ssl=1 70w\" sizes=\"(max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><figcaption>Foto: Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Carina lan\u00e7ou seu primeiro livro composto da mistura de fotografias e poesias. E ao contr\u00e1rio do Quilrio, ela conseguiu apoio atrav\u00e9s do edital da Lei Aldir Blanc da Funda\u00e7\u00e3o Garibaldi Brasil. Ela enxerga as dificuldades como desafios. \u201cSer escritor \u00e9 um desafio muito grande, n\u00e3o s\u00f3 estadual mas em \u00e2mbito nacional tamb\u00e9m. A cultura do ler precisa ser fomentada e uma das maiores dificuldades \u00e9 fazer com que as pessoas leiam\u201d, desabafa.<\/p>\n\n\n\n<p>Carina conta que a escrita est\u00e1 em sua vida desde a adolesc\u00eancia e que seus assuntos sempre foram voltados para temas feministas, cr\u00edticas e ideologias das quais ela defende at\u00e9 hoje. \u201cEu tamb\u00e9m j\u00e1 esbo\u00e7ava algumas poesias, mas era algo bem desprendido, at\u00e9 aquele momento eu n\u00e3o tinha nenhuma inten\u00e7\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela comenta que apenas depois de adulta que se interessou em fazer algo mais profissional. Por\u00e9m, apenas recentemente houve a oportunidade de realmente arriscar, al\u00e9m de que o momento pand\u00eamico lhe despertou alguns sentimentos na escrita. \u201cEu tinha umas poesias que escrevi em 2019\/2020. Inclusive boa parte delas foram escritas j\u00e1 no per\u00edodo de pandemia, muitos sentimentos vieram \u00e0 tona e de certa forma eu procurava internalizar isso na escrita.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Por gostar de poesias curtas, seu papel era o bloco de notas do celular. O aparelho por muitas vezes foi usado para guardar um desabafo em forma de poema. \u201cVinham as cenas, situa\u00e7\u00f5es e sentimentos, ent\u00e3o, nesse caso \u2018p\u00f4r no papel\u2019 acabou se tornando uma met\u00e1fora. O processo deste livro foi basicamente ser submergido aos sentimentos: dores, medos, lembran\u00e7as, amores e desamores.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos dos poemas s\u00e3o em homenagens para pessoas que \u201cj\u00e1 partiram para outra dimens\u00e3o, s\u00e3o pessoas muito queridas\u201d. Sua inten\u00e7\u00e3o \u00e9 passar a mensagem de que \u201ccada um de n\u00f3s tem a sua pr\u00f3pria magnitude do ser, que cada pessoa \u00e9 grande e m\u00faltipla. Essa \u00e9 a ess\u00eancia do nosso ser, o fato da pluralidade, sermos v\u00e1rias coisas e sentimos muitas coisas\u201d, explica.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Arquivo Pessoal Por Ycla Ara\u00fajo Muitos de n\u00f3s crescemos na influ\u00eancia da literatura, da m\u00fasica e das artes c\u00eanicas. Mas o que nunca prestamos aten\u00e7\u00e3o \u00e9: quantos desses artistas s\u00e3o acreanos? Quantas vezes, em todo esse tempo, consumimos da nossa pr\u00f3pria arte? O processo criativo demanda tempo, inspira\u00e7\u00e3o e imagina\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de que o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":1802,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[50],"tags":[8],"coauthors":[],"class_list":["post-1801","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-travessias","tag-destaque"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/WhatsApp-Image-2021-10-22-at-16.23.58-1.jpeg?fit=720%2C709&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1801","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1801"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1801\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1811,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1801\/revisions\/1811"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1802"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1801"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1801"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1801"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcoauthors&post=1801"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}