{"id":1766,"date":"2022-01-07T17:45:33","date_gmt":"2022-01-07T22:45:33","guid":{"rendered":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=1766"},"modified":"2022-05-25T11:02:23","modified_gmt":"2022-05-25T16:02:23","slug":"para-alem-da-aldeia-os-indigenas-na-universidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=1766","title":{"rendered":"Para al\u00e9m da aldeia: os ind\u00edgenas na universidade"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"font-size:12px\">Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Internet<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por Bruna Giovanna e Ila Caira Verus<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Muitos sonham com o grande dia em que finalmente passar\u00e3o pelos port\u00f5es da universidade. Por mais que tenhamos um n\u00famero alto de institui\u00e7\u00f5es de n\u00edvel superior no Brasil, por muito tempo elas contemplavam apenas uma pequena parte da popula\u00e7\u00e3o, como apresenta uma pesquisa realizada pelo Caderno de Estudos e Pesquisas em Pol\u00edticas Educacionais do Inep, que aponta que o percentual de estudantes pretos, pardos e ind\u00edgenas nas universidades brasileiras era historicamente muito baixo. Em 1999, eles eram apenas 15 a cada 100 estudantes, embora representassem quase metade da popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi s\u00f3 a partir de 2000, que a participa\u00e7\u00e3o dos negros e ind\u00edgenas de fato foi notada, gra\u00e7as \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas de a\u00e7\u00e3o afirmativa e democratiza\u00e7\u00e3o do ensino superior. A Lei de Cotas, institu\u00edda em 2012, foi decisiva para esse processo ao reservar para negros, ind\u00edgenas e alunos da escola p\u00fablica pelo menos 50% das vagas dispon\u00edveis no Sistema de Sele\u00e7\u00e3o Unificada (Sisu), principal porta de entrada na universidade. Com isso, a parcela de alunos negros e ind\u00edgenas nas universidades triplicou em 20 anos no Brasil: em 2019, eles eram 46 a cada 100.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a professora Dra. Maria In\u00eas de Almeida, a lei de cotas n\u00e3o garante muita coisa caso as pessoas da universidade e comunidade acad\u00eamica n\u00e3o estejam dispostas a lidar com as diferen\u00e7as. \u201cA principal dificuldade que encontrei ao longo dos anos foi o elitismo, o comodismo, o corporativismo, a pregui\u00e7a, o medo e o des\u00e2nimo dos corpos docente e administrativo das universidades em que pude tratar do assunto \u201ccotas\u201d. A professora trabalha com forma\u00e7\u00e3o de professores ind\u00edgenas e produ\u00e7\u00e3o de material did\u00e1tico para escolas ind\u00edgenas desde 1996, e coordenou o Curso de Forma\u00e7\u00e3o Intercultural de Educadores Ind\u00edgenas da UFMG (FIEI &#8211; PROLIND), de 2006 a 2011.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/O0KoyDQ1PlxkVVDtYfUDtH9_Dfz25jOaLl_2pUliLXWocfWGYJ79RNrGq6yWio8v_I2ZeshIt0NtDEEFzwIuQMeNZvXePziX_AKPQSxiq53pBlf04gZWn0Jho2RawX1nkJSBsU8=s0\" alt=\"\"\/><figcaption><em>Dra. Maria In\u00eas de Almeida possui p\u00f3s-doutorado em Antropologia Social (Museu Nacional &#8211; UFRJ) e atualmente coordena o Laborat\u00f3rio de Interculturalidade (LaBinter) do PPGLI\/UFAC. Foto: arquivo do <\/em><a href=\"http:\/\/www.labintercult.org\/\"><em>www.labintercult.org<\/em><\/a><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O resultado dessas pol\u00edticas p\u00fablicas foi refletida no \u00faltimo Censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior, divulgado pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o em 2017, onde o relat\u00f3rio mostrou que o n\u00famero de ind\u00edgenas matriculados em institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas cresceu 52,5%, passando de 32.147 para 49.026.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/RfC0KgBtYHjyfFRtLDCYHqLFZ5ZbWmfvhBuvlAlEpAGGunEf4An4u1hOzdESBEbXgPMvpYgAvchf8-rUxr90IrADQFkIToOWb9NmH4hWa6mtW6LlHwwZqNNx_BdeD2mJdVIl4M8=s0\" alt=\"\"\/><figcaption><em>Foto: Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>A UNIVERSIDADE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Soleane de Souza Brasil Manchineri, 36, conta que o mestrado foi uma das melhores fases de sua vida, pois teve a oportunidade de estudar com professores que muito admira. Mas refor\u00e7a o despreparo da universidade em integrar efetivamente os estudantes ind\u00edgenas. &#8220;Acredito que a universidade ainda n\u00e3o est\u00e1 preparada, mas quando estiver realmente interessada em crescer em novos conhecimentos, ela ir\u00e1 se adaptar \u00e0 realidade ind\u00edgena. Assim, construindo pontes entre mundos poss\u00edveis&#8221;. Ela salienta que \u00e9 preciso criar as condi\u00e7\u00f5es de acesso e perman\u00eancia no ensino superior, bem como um espa\u00e7o dedicado \u00e0 pesquisa e extens\u00e3o para os estudantes ind\u00edgenas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/Xe89J12Ur-JG5WgQw9HcHanCi9zCAD84bBMzxWkECapIl75gcCeQtdi2gUGtNv9pS-F2n3_3jB-p3xIcMJ3fJwAsrWQRruUEdunCOcEI-BqfuEt-WhhMgLnGvgGSRI6y5M2Vphk=s0\" alt=\"\" width=\"738\" height=\"911\"\/><figcaption><em>Soleane de Souza Brasil Manchineri \u00e9 do povo Manchineri, possui Bacharelado em Hist\u00f3ria e \u00e9 professora ind\u00edgena. Foto: Arquivo pessoal<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Elcio Severino da Silva Filho Manchineri, mais conhecido como J\u00fanior Manchineri, est\u00e1 cursando o 4\u00ba per\u00edodo de Ci\u00eancias Sociais na UFAC e relata que sempre estudou em escolas p\u00fablicas durante a sua vida. Quando foi ingressar na faculdade optou pelas cotas, n\u00e3o porque precisasse, mas por ser um direito do qual ele queria usufruir. \u201cEu quis utilizar as a\u00e7\u00f5es afirmativas que s\u00e3o as cotas, justamente por ser ind\u00edgena, uma forma mais representativa de poder ingressar na universidade. Na minha perspectiva utilizar as cotas foi uma maneira de respeitar um direito que \u00e9 dos povos ind\u00edgenas, de quem estudou em escolas p\u00fablicas, dos negros e demais que se encaixam nas cotas\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00fanior Manchineri afirma que n\u00e3o teve tantas dificuldades como um ind\u00edgena dentro do ambiente universit\u00e1rio, gra\u00e7as a seu curso, que estuda sociedades e culturas, onde as pessoas respeitam os direitos e as diferen\u00e7as dos demais. \u201cMeu curso tem um pensamento mais aberto, tem estudos dentro das disciplinas sobre os povos ind\u00edgenas\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/gCFzX16f8SoyQLnEdV7iujO_fGlFpAjgUsjEJ3s1_8Bt-DVSG8Uxi_bcGE1wzBCxR8t7ZgB8lNI-6PgoKMm10_Rn4p_JYd70Vg9nUro8gVittRxhh7eqlnF_BvOigae8cVFv14Q=s0\" alt=\"\"\/><figcaption><em>J\u00fanior Manchineri \u00e9 da etnia Manchineri, da terra ind\u00edgena Mamoadate, Aldeia Extrema. Foto: arquivo pessoal<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Joaquim Paulo de Lima Kaxinaw\u00e1, 58, professor e doutor em Lingu\u00edstica, fala que analisou a quest\u00e3o do preconceito desde o in\u00edcio de sua forma\u00e7\u00e3o, por falar uma l\u00edngua diferente e ter outra cultura. \u201cMe lembro bem quando estava fazendo o primeiro ano do doutorado, um jovem que estava fazendo Ci\u00eancias Sociais chegou para mim e disse que se eu estava no Doutorado, n\u00e3o era mais ind\u00edgena. Ent\u00e3o falei para ele: n\u00e3o sou ind\u00edgena, sou Huni Kuin. Foi a minha autodeclara\u00e7\u00e3o, a autodenomina\u00e7\u00e3o que o povo Huni Kuin tem\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/PHbMrT6DR1gxHNSb7bWyB8shKzYkAWCXKycjmFqaV08HCvVqmun9nNTrcMPto4eoyQ6_VXgDqYnvamznytrnrdovXQ5Ry1y4pcG7ZF6sPE-zlucBBFc4NNWi8mwuOaOCTACbpZw=s0\" alt=\"\"\/><figcaption><em>O Dr. Joaquim Paulo de Lima Kaxinaw\u00e1 \u00e9 do povo Huni Kuin, sempre trabalhou como professor em sua comunidade e atualmente est\u00e1 aposentado.&nbsp; Foto: Arquivo pessoal<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Outra situa\u00e7\u00e3o que Joaquim Kaxinaw\u00e1 relata aconteceu tamb\u00e9m na sua p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. \u201cNo programa da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), havia dois tipos de povos considerados ind\u00edgenas, os da gradua\u00e7\u00e3o, que eram mantidos pela Funai e tinham alguns crit\u00e9rios para serem beneficiados, e n\u00f3s da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o \u00e9ramos considerados ind\u00edgenas. Assim, quando corr\u00edamos atr\u00e1s de alguns benef\u00edcios como desconto na alimenta\u00e7\u00e3o e transporte, n\u00e3o consegu\u00edamos. Essa \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o para a gente pensar, como somos tratados em uma institui\u00e7\u00e3o p\u00fablica, na administra\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o, judici\u00e1rio, legislativo e como o preconceito ainda \u00e9 muito grande\u201d, refor\u00e7a o Doutor.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>LICENCIATURA IND\u00cdGENA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O professor do curso de Licenciatura Ind\u00edgena da Universidade Federal do Acre do campus Floresta em Cruzeiro do Sul, Jos\u00e9 Alessandro Candido da Silva, atua desde 2008 com os acad\u00eamicos ind\u00edgenas e afirma que a academia v\u00eam garantindo a entrada dos ind\u00edgenas, principalmente no Norte do pa\u00eds, em vista que h\u00e1 um maior n\u00famero de ind\u00edgenas concentrados nesta regi\u00e3o. Segundo o censo demogr\u00e1fico de 2010 realizado pelo IBGE, a regi\u00e3o Norte tem mais de 300.000 ind\u00edgenas. Ele explica que a Ufac vem criando espa\u00e7os e oportunidades atrav\u00e9s de programas de forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. \u201cComo \u00e9 o caso da licenciatura ind\u00edgena, que \u00e9 um curso destinado \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de professores ind\u00edgenas, ou por meio da cria\u00e7\u00e3o de vagas, com uma previs\u00e3o j\u00e1 estabelecida dentro dos editais de sele\u00e7\u00e3o, para ingresso de estudantes ind\u00edgenas na Ufac\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/d2ZlKOBas1VHWuzN6WjJt-8TuOtNLUIm12xfvH7VcKWLiDTFpJctaELUvxeAhTR-uAXIJ920docpgl3WVEXNYbXpZXjOv87XGLGstNzMDL5n8lE5f2INSGvT1uk2nOyISXKkkUc=s0\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"555\"\/><figcaption><em>&nbsp;Jos\u00e9 Alessandro Candido da Silva, atua desde 2008 com os acad\u00eamicos ind\u00edgenas e afirma que v\u00eam sendo garantida a entrada de ind\u00edgenas na universidade. Foto: Arquivo pessoal<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O licenciado em Pedagogia e Filosofia ainda explica a import\u00e2ncia da forma\u00e7\u00e3o de professores ind\u00edgenas, pois assim a universidade trabalha e qualifica a forma como recebe os acad\u00eamicos ind\u00edgenas. E esclarece que a Ufac acolhe e entende o ind\u00edgenas dentro de todos os ambientes, como o restaurante universit\u00e1rio, a biblioteca, \u201cde tal forma que a presen\u00e7a do ind\u00edgena vem sendo percebida e ao mesmo tempo reconhecida cada vez mais pela institui\u00e7\u00e3o\u201d. Mas acrescenta que a inclus\u00e3o seria maior se a pr\u00f3pria universidade pudesse financiar, dentro de seu or\u00e7amento anual, a forma\u00e7\u00e3o de alunos de licenciatura ind\u00edgena, \u201ccom os recursos pr\u00f3prios, independentemente dos recursos do governos federal, fazer acontecer a entrada bianual das turmas\u201d. Para ele, em um momento de grandes dificuldades em rela\u00e7\u00e3o aos cortes na educa\u00e7\u00e3o e sobretudo nessa onda de discursos \u201canti-ind\u00edgenas\u201d, que refletem na forma\u00e7\u00e3o dos professores ind\u00edgenas, isso refor\u00e7a a necessidade da institui\u00e7\u00e3o de abra\u00e7ar o curso de licenciatura de modo efetivo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O professor da Ufac do campus Floresta acrescenta que a pol\u00edtica de cotas representa uma a\u00e7\u00e3o afirmativa que visa proteger minorias e grupos que foram discriminados no passado, buscando remover barreiras que possibilitem a entrada nas universidades. Mas considera que isso n\u00e3o \u00e9 suficiente: \u201c\u00e9 preciso pensar em programas espec\u00edficos de forma\u00e7\u00e3o de acad\u00eamicos ind\u00edgenas em \u00e1reas mais diversas\u201d, pois n\u00e3o \u00e9 somente a entrada que \u00e9 importante, mas sim a perman\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Jos\u00e9 Alessandro Silva, o grande desafio das gest\u00f5es de ensino superior \u00e9 a perman\u00eancia dos alunos, e diz que na Universidade Federal do Acre n\u00e3o \u00e9 diferente. \u201cNesse sentido, \u00e9 necess\u00e1rio pol\u00edtica e a\u00e7\u00f5es que v\u00e3o garantir a perman\u00eancia do acad\u00eamico ind\u00edgena nos cursos que ingressam\u201d. E pontua que h\u00e1 uma discuss\u00e3o sobre a suspens\u00e3o de bolsa destinada aos ind\u00edgenas, chamada de bolsa perman\u00eancia. Diz que n\u00e3o sabem at\u00e9 quando elas v\u00e3o ser mantidas e que se for retirado esse amparo que os alunos recebem mensalmente, ele se pergunta se ainda vai haver alunos ind\u00edgenas presentes na universidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ENSINO REMOTO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A professora do curso de Licenciatura Ind\u00edgena, Mariana Ciavatta Pantoja, explica que com a chegada da pandemia do Novo Coronav\u00edrus o curso precisou parar. Mas mesmo ap\u00f3s o di\u00e1logo acerca do ensino remoto, o curso tentou resistir, por conta da falta de recursos materiais, tecnol\u00f3gicos e pela pr\u00f3pria din\u00e2mica de ensino. Por\u00e9m, entre o final do ano passado e in\u00edcio deste ano, houve uma demanda por parte dos alunos de retomarem as aulas. Ent\u00e3o, a partir do edital de aquisi\u00e7\u00e3o de equipamento, boa parte dos alunos conseguiram adquirir um tablet ou notebook, somado ao edital de chips com dados m\u00f3veis.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"208\" class=\"wp-image-2451\" style=\"width: 150px;\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Mariana-Pantoja-livro.png?resize=150%2C208&#038;ssl=1\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Mariana-Pantoja-livro.png?w=279&amp;ssl=1 279w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Mariana-Pantoja-livro.png?resize=216%2C300&amp;ssl=1 216w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" class=\"wp-image-2450\" style=\"width: 150px;\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Mariana-Pantoja.png?resize=150%2C150&#038;ssl=1\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Mariana-Pantoja.png?w=179&amp;ssl=1 179w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Mariana-Pantoja.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Mariana-Pantoja.png?resize=80%2C80&amp;ssl=1 80w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Mariana-Pantoja.png?resize=70%2C70&amp;ssl=1 70w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/p>\n\n\n\n<p><em>Mariana Ciavatta Pantoja \u00e9 docente do curso de Licenciatura Ind\u00edgena e autora do livro Os Milton: cem anos de hist\u00f3ria nos seringais. Foto: Arquivo pessoal<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cExistem v\u00e1rios alunos, e as dificuldades v\u00e3o de t\u00e9cnicas de operar um aparelho para conectar, entrar nas plataformas do G<em>suite, Classroom, Meet <\/em>e at\u00e9 o sinal.<em> <\/em>Mas mesmo com muita dificuldade eles v\u00e3o aprendendo. Essas dificuldades n\u00e3o acontecem para todos, por estarem em diferentes lugares. Eu sentia que mesmo a gente gravando, n\u00e3o s\u00e3o todos que tem sinal para assistir as aulas. A universidade fez esse movimento do edital, pois sem ele n\u00e3o seria poss\u00edvel o retorno das aulas em ensino remoto\u201d, explica Mariana Pantoja.<\/p>\n\n\n\n<p>A professora fala que esse modelo apresenta preju\u00edzos na concentra\u00e7\u00e3o, na intera\u00e7\u00e3o, de n\u00e3o ser poss\u00edvel usar um quadro negro. Dessa forma, s\u00e3o utilizados outros recursos como Powerpoint, mas \u00e9 diferente de estar interagindo diretamente.\u00a0 \u201cQuando voc\u00ea est\u00e1 em sala de aula, consegue entender melhor, v\u00ea como est\u00e1 aten\u00e7\u00e3o, observa a fisionomia deles e \u00e9 poss\u00edvel pressentir o que est\u00e1 acontecendo. Eu e outros professores pedimos que os alunos fizessem um di\u00e1rio ap\u00f3s todas as aulas sobre o que tinham aprendido, visto e como a aula tinha sido. A partir disso dava para perceber coisas que na outra aula eu buscava corrigir, como n\u00e3o compreens\u00e3o\u201d, enfatiza.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Mariana ainda enfatiza que no remoto s\u00e3o apenas duas horas de aula por dia e que presencialmente o curso funcionava de forma integral, onde \u00e9 poss\u00edvel trabalhar com uma atividade de desenho, gr\u00e1fica, externa e depois voltar para uma de escrita e leitura. Dessa forma, a din\u00e2mica faz com que o assunto v\u00e1 assentando aos poucos. Agora, quando se tem apenas duas horas de aula, por mais que o professor pe\u00e7a para ler, escrever, fazer o di\u00e1rio de aula, n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/C83lf3cNvOz8-GwGOeYZOXAhAAWZhe2E1egD1JwdSpAd3i9NEuPbrbtBOBGfrjYN5fnknqQwMbogjWOOAzhvSm_pjlUIZ4CD9Rh7Yy7h7LsDWII0uFwHKgeTM2X_SvNrp2CeiPY=s0\" alt=\"\" width=\"739\" height=\"728\"\/><figcaption>Carolina de Souza Brasil do povo Manchineri, faz gradua\u00e7\u00e3o na Universidade Federal do Acre<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Cursando o 7\u00ba per\u00edodo de Engenharia Florestal, Carolina de Souza Brasil, 23, diz sentir falta de passar o dia todo na Ufac. Ela explica que enfrenta dificuldades no ensino remoto, pois sente falta das explica\u00e7\u00f5es pessoalmente e considera que o modelo de ensino \u00e9 cansativo. Al\u00e9m disso, a graduanda acrescenta que seu curso tem a necessidade de alguns materiais para os desenhos e agora ela tem que providenciar, o que antes era o curso que oferecia.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00fanior Manchineri afirma que sempre foi contra o ensino remoto emergencial, pois \u00e9 um modelo de ensino que exclui as pessoas, n\u00e3o oferece amparo aos alunos em vulnerabilidade social, n\u00e3o d\u00e1 a mesma oportunidade a todos, dando margem \u00e0 desigualdade. Segundo o graduando, a academia n\u00e3o ampara todos os alunos de baixa renda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Internet Por Bruna Giovanna e Ila Caira Verus Muitos sonham com o grande dia em que finalmente passar\u00e3o pelos port\u00f5es da universidade. Por mais que tenhamos um n\u00famero alto de institui\u00e7\u00f5es de n\u00edvel superior no Brasil, por muito tempo elas contemplavam apenas uma pequena parte da popula\u00e7\u00e3o, como apresenta uma pesquisa realizada pelo Caderno [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":2201,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[2],"tags":[8],"coauthors":[],"class_list":["post-1766","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-rotas","tag-destaque"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/1-unicampBig.jpg?fit=1440%2C800&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1766","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1766"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1766\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2455,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1766\/revisions\/2455"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2201"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1766"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1766"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1766"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcoauthors&post=1766"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}