{"id":1740,"date":"2021-10-07T10:11:00","date_gmt":"2021-10-07T15:11:00","guid":{"rendered":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=1740"},"modified":"2021-10-05T18:06:14","modified_gmt":"2021-10-05T23:06:14","slug":"medo-no-comercio-informal-na-fronteira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=1740","title":{"rendered":"Medo no com\u00e9rcio informal na fronteira"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"font-size:12px\">Foto: Ila Caira Verus<\/p>\n\n\n\n<p><em>A luta di\u00e1ria das vendedoras ambulantes bolivianas:<strong> <\/strong>\u201co Brasil j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais seguro\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ila Caira Verus&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para moradores de Brasil\u00e9ia, munic\u00edpio fronteiri\u00e7o com a Bol\u00edvia, \u00e9 comum encontrar vendedoras ambulantes pelas ruas e cal\u00e7adas da cidade. Elas, em sua maioria mulheres, atravessam a fronteira Brasil-Bol\u00edvia em busca de vender seus produtos. As sacoleiras bolivianas possuem um desafio em dobro, pois n\u00e3o somente burlam a regula\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio como as barreiras fronteiri\u00e7as dos dois pa\u00edses. No dia 4 de agosto de 2021, uma boliviana foi brutalmente roubada e morta na cidade com dois tiros no rosto.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A v\u00edtima era Maria Eug\u00eania Alavi Burgoa, de 40 anos, que mesmo entregando o dinheiro de suas mercadorias, foi morta em plena luz do dia no Mercado Municipal de Epitaciol\u00e2ndia, com testemunhas no local. Sempre houve medo em quem enfrenta as ruas para ter o que comer, mas essa realidade \u00e9 ainda pior para quem est\u00e1 em um pa\u00eds estranho. E o ocorrido aumentou ainda mais o temor de quem \u00e9 vendedor ambulante.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O crime chocou os mun\u00edcipes e espalhou o medo para as sacoleiras ambulantes do pa\u00eds vizinho. Danixa Antelovaca \u00e9 uma dessas bolivianas que teme a viol\u00eancia brasileira. Ela est\u00e1 t\u00e3o amedrontada com o crime contra uma pessoa de seu pa\u00eds que n\u00e3o aceitou aparecer em uma foto. A boliviana de apenas 24 anos, que est\u00e1 h\u00e1 dez como sacoleira ambulante no pa\u00eds, tem medo, pois j\u00e1 foi assaltada duas vezes, quando levaram sua bolsa e algumas mercadorias. Ela relembra que Maria Eug\u00eania foi morta mesmo entregando suas coisas, e diz: \u201co Brasil j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais seguro para as bolivianas\u201d. Fala com pesar, mas afirma que precisa desse trabalho, pois mesmo sendo casada, ainda depende da renda que faz nas ruas de Brasil\u00e9ia.<\/p>\n\n\n\n<p>O com\u00e9rcio ambulante tamb\u00e9m \u00e9 uma realidade para Alma Yanete Copeman, de 50 anos. A senhora de sorriso largo \u00e9 m\u00e3e solteira e est\u00e1 no ramo h\u00e1 12 anos. Ela conta que durante todo esse per\u00edodo teve dias muito dif\u00edceis, j\u00e1 morou na rua, j\u00e1 teve suas coisas tomadas diversas vezes pela Pol\u00edcia Federal (PF) e tamb\u00e9m j\u00e1 foi v\u00edtima de viol\u00eancia verbal. Na ocasi\u00e3o, Alma disse que a pessoa foi agressiva e falou coisas ruins, mas afirma que \u201cas pessoas t\u00eam o direito de falar e pensar o que quiserem, n\u00e3o liguei, pois, existem pessoas ruins tanto no Brasil quanto na Bol\u00edvia\u201d. A boliviana, apesar das dificuldades e da viol\u00eancia sofrida, se diz feliz com o que faz, pois \u00e9 gra\u00e7as \u00e0 venda nas ruas que ela hoje em dia tem um lugar para morar e comida para o filho. Mas ressalta que \u00e9 muito dif\u00edcil sair todos os dias \u00e0s 8h da Bol\u00edvia, 7h no Brasil, pagando t\u00e1xi e com a incerteza de talvez n\u00e3o voltar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/TmuU9CgpPWRpRO62NRYm4sFk-Nl9vc4xZ7tw7U2Cmb3pxq6DfijDVTMqSWPazbACAM4GdG_JpDBWVa1-CK_fjfDtBrroCufALxU6_7yWqyuNmNU3HQkh68Q99DAcWOqyt5e1v50=s0\" alt=\"\"\/><figcaption>Foto: Ila Verus<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O medo assola essas mulheres, mas a necessidade de enfrentar as ruas para vender \u00e9 o que une todas elas. E essa realidade n\u00e3o \u00e9 diferente para Justina Barros, de 40 anos, que meio cabisbaixa, sentada na cal\u00e7ada, explica que sai todos os dias de manh\u00e3 cedo \u00e0 p\u00e9 da Bol\u00edvia. Ela justifica que nem todo dia tem dinheiro para pagar t\u00e1xi, ent\u00e3o vai andando. Justina, meio t\u00edmida, relata que \u00e9 m\u00e3e solteira e que o medo n\u00e3o \u00e9 maior do que a sua necessidade para colocar o p\u00e3o dentro de casa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de estar h\u00e1 oito anos no com\u00e9rcio ambulante, Justina confirma que o medo a acompanha ao sair de casa, \u201co medo de ser roubada, pois o que levarem, vai fazer falta\u201d. Quando indagada de seu maior sonho, ela diz que \u00e9 do filho estudar para que n\u00e3o fique como ela, \u201cem la calle\u201d (na rua). E termina a conversa com sabedoria: \u201ctem que ser am\u00e1vel com as pessoas porque se voc\u00ea retruca uma viol\u00eancia voc\u00ea \u00e9 t\u00e3o ignorante quanto\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/QnqZkThi59pQ7xTPuhP87lBZcrCKVejg6JjdBxsBI7AhLJNr9ATa9XltdSGZkaNYRQSxe9nKPzVbb8e86E3bkcVLS_BcRFa8tTkdyFmI9aFkchWPh6MbbmCQ5OSVy2kl93GFqnw=s0\" alt=\"\"\/><figcaption>Foto: Ila Verus<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Essas mulheres n\u00e3o querem nada al\u00e9m de respeito para poderem ganhar o p\u00e3o de cada dia. Todas elas compartilham o sonho de uma vida melhor, de um lugar melhor para viver e trabalhar e talvez pessoas que esque\u00e7am o preconceito e as barreiras alfandeg\u00e1rias que dividem pa\u00edses. Mas as fronteiras n\u00e3o s\u00e3o as maiores barreiras que dividem na\u00e7\u00f5es e sim a xenofobia, a falta de humanidade pelo estrangeiro.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O com\u00e9rcio ambulante \u00e9 um trabalho antigo e, apesar disso, os sacoleiros ainda enfrentam a viol\u00eancia e as autoridades por n\u00e3o terem uma regula\u00e7\u00e3o definida. E quando se tratam de sacoleiros de outros pa\u00edses, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 pior, pois n\u00e3o existe amparo da lei e nem da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O auditor fiscal da Receita Federal do munic\u00edpio de Epitaciol\u00e2ndia, Leonardo de Castro Faria, explica que as apreens\u00f5es de mercadorias estrangeiras acontecem em opera\u00e7\u00f5es de vigil\u00e2ncia e repress\u00e3o, tendo apoio de v\u00e1rias for\u00e7as policiais presentes na fronteira. Ele fala que, depois de apreendidas, abre-se um processo para averigua\u00e7\u00e3o da entrada das mercadorias estrangeiras. Assim, se o propriet\u00e1rio comprovar a regula\u00e7\u00e3o da mercadoria, ela \u00e9 liberada, no caso de n\u00e3o comprova\u00e7\u00e3o, as mercadorias s\u00e3o apreendidas pela Uni\u00e3o. O auditor acrescenta que \u201cno caso de mercadorias que entram irregularmente no territ\u00f3rio nacional, n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o de multa, somente a perda da mercadoria\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Ila Caira Verus A luta di\u00e1ria das vendedoras ambulantes bolivianas: \u201co Brasil j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais seguro\u201d Ila Caira Verus&nbsp; Para moradores de Brasil\u00e9ia, munic\u00edpio fronteiri\u00e7o com a Bol\u00edvia, \u00e9 comum encontrar vendedoras ambulantes pelas ruas e cal\u00e7adas da cidade. 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