{"id":1586,"date":"2021-09-22T09:00:00","date_gmt":"2021-09-22T14:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=1586"},"modified":"2021-09-15T08:37:30","modified_gmt":"2021-09-15T13:37:30","slug":"vozes-trans-do-norte-desempenha-relevante-papel-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=1586","title":{"rendered":"&#8220;Vozes Trans do Norte&#8221; desempenha relevante papel social"},"content":{"rendered":"\n<p>Projeto de extens\u00e3o da Ufac volta-se ao protagonismo da popula\u00e7\u00e3o transg\u00eanero<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por Guadalupe de Souza Pereira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Casos de viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos envolvendo pessoas transg\u00eanero cresceram durante a pandemia de Covid-19, segundo o Dossi\u00ea 2020 da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). No diagn\u00f3stico est\u00e3o, entre as formas de viol\u00eancia, a amea\u00e7a\/ass\u00e9dio\/agress\u00e3o, a viol\u00eancia dom\u00e9stica, a agress\u00e3o policial e o cyberbullying.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 luz das adversidades da comunidade trans, o projeto de extens\u00e3o da Ufac Vozes Trans do Norte promove encontros entre pessoas transg\u00eanero. Wisney Berig Batista, docente do curso de Psicologia que idealizou o projeto, endossa que o projeto &#8220;surge em meio \u00e0 pandemia com objetivo de realizar apoio a minorias sociais, que estariam mais expostas \u00e0 viol\u00eancia&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/HLzTMOx6fGZLak1AF3EGfGRkqO5gQHEINtpTQO98AVpGgdsuaceKt1l_T7NlHyTSa4VnPx80AMKfUp-aAJzb7CNjGVi_uStsE73Hzxo8BNv50yav1r3KCCQuYJBZg9EgqXoD__sk=s0\" alt=\"\" width=\"738\" height=\"741\"\/><figcaption>Imagem divulga o projeto de extens\u00e3o &#8216;Vozes Trans do Norte&#8217;<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Os encontros, que ocorrem quinzenalmente por chamadas de v\u00eddeo, j\u00e1 reuniram cerca de 15 pessoas. Segundo a coordenadora do projeto, a professora Patr\u00edcia da Silva, os encontros, com base na psicologia social, t\u00eam os temas das discuss\u00f5es sendo definidos pelo pr\u00f3prio grupo. &#8220;\u00c9 importante romper com essa ideia de que a psicologia \u00e9 [somente] cl\u00ednica e voltada apenas ao indiv\u00edduo. A psicologia social \u00e9 trabalhada com pol\u00edticas p\u00fablicas e tem abarcado em seus direcionamentos o resgate identit\u00e1rio. Seja quilombola, negro, de povos origin\u00e1rios e nesse caso da popula\u00e7\u00e3o transg\u00eanero&#8221;, explica Patr\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>Colaboradora do projeto, Gabe Lopes Al\u00f3dio avalia que os encontros n\u00e3o tomam car\u00e1ter de uma interven\u00e7\u00e3o terap\u00eautica. Graduada em psicologia, ela os define como &#8220;uma mentoria que ocorre de maneira horizontal&#8221; e ressalta a heterogeneidade do grupo \u2013 com pessoas trans de viv\u00eancias e gera\u00e7\u00f5es diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de dar suporte ao grupo, Gabe tamb\u00e9m participa ativamente dos encontros e conta que falar sobre a sua viv\u00eancia enquanto mulher trans com familiares, amigos ou com uma psic\u00f3loga n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que compartilhar essa viv\u00eancia com quem tamb\u00e9m a vive. Ela enfatiza: &#8220;Criei la\u00e7os. Essa \u00e9 a principal experi\u00eancia. E a segunda foi ver as necessidades da comunidade. Se sentir encontrada na outra pessoa \u00e9 importante&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O sentimento de solid\u00e3o toma outra palavra na entrevista com Nara Nascimento, tamb\u00e9m participante do projeto, que \u00e9 o termo &#8220;transolid\u00e3o&#8221;. Assertivo, ele opina: &#8220;a partir do momento que percebo a exist\u00eancia de outras vozes trans, sobretudo do Norte, na mesma frequ\u00eancia da minha, o processo, que ora fez-se na &#8216;transolid\u00e3o&#8217;, agora caminha por outros horizontes e ressoa mais em coletivo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, Nara, trans masculino \u2013 isto \u00e9, uma identidade masculina \u2013 que se identifica como &#8216;boyceta&#8217;, passou por situa\u00e7\u00f5es de ass\u00e9dio sexual recorrente e tamb\u00e9m por transfobia dentro do ambiente universit\u00e1rio. O Vozes Trans do Norte foi um projeto com o qual ele pode contar. &#8220;Todas as pessoas que estavam ali me ouviram e foram emp\u00e1ticas. Ofere\u00e7am aux\u00edlio jur\u00eddico, psicol\u00f3gico e sobretudo apoio para tamb\u00e9m n\u00e3o me sentir sozinho&#8221;, relembra Nascimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Em alguns encontros ocorrem exerc\u00edcios relacionados ao controle do corpo e da mente, orientados pela colaboradora Dra. Ariel Kuma. &#8220;Entrei como participante no ano passado e esse ano fui convidada para atuar como professora de yoga. O que eu proponho s\u00e3o atividades relacionadas ao conhecimento do corpo e respira\u00e7\u00e3o&#8221;, comenta Ariel, que mora em Manaus. Como mulher trans, ela tamb\u00e9m se envolve nas discuss\u00f5es dos encontros e pontua: &#8220;a import\u00e2ncia \u00e9 saber que estamos sendo vistas e cuidadas umas pelas outras&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Se h\u00e1 um desafio&nbsp; em lidar com pessoas transg\u00eaneros, a coordenadora do projeto Patr\u00edcia Silva pensa que o obst\u00e1culo para a \u00e1rea de Psicologia \u00e9 outro. &#8220;N\u00e3o \u00e9 a viv\u00eancia das pessoas transg\u00eanero que \u00e9 um desafio, mas sim romper com a ideia hegem\u00f4nica do patriarcado. Temos que sair desse lugar c\u00f4modo de teorias antigas, pois os contextos sociais j\u00e1 s\u00e3o diferentes. Requer um trabalho reflexivo que nem todas, todos e &#8216;todes&#8217; profissionais da Psicologia est\u00e3o abertos a essa possibilidade&#8221;, afirma a professora.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Idealiza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A ideia do projeto surgiu de Wisney Berig, quando desenvolvia seu trabalho de conclus\u00e3o no curso de Psicologia da Ufac, onde hoje leciona. O tema da pesquisa foi sobre a s\u00e9rie estadunidense Pose (FX), que possui o maior elenco transg\u00eanero da hist\u00f3ria da televis\u00e3o. A produ\u00e7\u00e3o televisiva aborda a cultura <em>ballroom<\/em> \u2013 marcada por festas e locais que acolhiam pessoas LGBTs nas d\u00e9cadas de 80 e 90 em Nova Iorque.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/yakArw0lusvMVi49LsYHkxIXXvG587YbMkJwmZN5t_vZy_Dr6p_76PDRL5V9QhsGHFNahPvRP0-K_BrNNMKgF1hF6OLxX7-gbS2q8qErtgMZtVTajiTS8OvDBzpakJvm6qqyuibi=s0\" alt=\"\"\/><figcaption>Cena de Pose com a atriz Dominique Jackson, atuando como a personagem Elektra Abundance, em um dos ic\u00f4nicos bailes da cultura <em>ballroom<\/em> (Fonte: JoJo Whilden\/FX)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;A idealiza\u00e7\u00e3o do projeto voltado para as mulheres trans vinha de uma provoca\u00e7\u00e3o de Wisney, uma pessoa n\u00e3o bin\u00e1ria, que fez seu TCC sobre a s\u00e9rie Pose. Por conta dessa provoca\u00e7\u00e3o, surgiu a ideia do grupo Vozes&#8221;, relembra a professora Patr\u00edcia da Silva.<\/p>\n\n\n\n<p>O Vozes, citado por Patr\u00edcia, ainda n\u00e3o era o Vozes Trans do Norte como existe hoje. Antes de ter \u00eanfase em pessoas trans, travestis e n\u00e3o bin\u00e1rias, o projeto se chamava, na verdade, Vozes Femininas e se dividia em dois grupos: um para mulheres cisg\u00eanero negras e outro para mulheres trans e travestis. Essa primeira formula\u00e7\u00e3o foi executada entre setembro e dezembro de 2020 e contava tamb\u00e9m, al\u00e9m dos encontros dos participantes, com uma reuni\u00e3o entre discentes de Psicologia para refletir sobre os assuntos discutidos e para alinhar o supervisionamento do projeto.<\/p>\n\n\n\n<p>A professora descreve o funcionamento do embrion\u00e1rio projeto de extens\u00e3o: &#8220;Tinha participa\u00e7\u00e3o de discentes do curso de Psicologia e da ouvidora Solene Costa, da Defensoria P\u00fablica. Tinham rodas de conversas, grupos focais, com quest\u00f5es que eram demandadas no pr\u00f3prio encontro. Teve dura\u00e7\u00e3o de 4 meses e tinha bolsas para as alunas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/H2JelTHSRNlM5hkkFTQVivRVbeXcLinbgY8EjtlUrGvwMUoO31ecD07MaAR6ITn5PMPv-FGE9P1f1BXjL9X0VvqI9zBGBoL6V_ThDo68fAYcnYcxz76a09CPKlhDw4GDWUwjqWkC=s0\" alt=\"\" width=\"737\" height=\"737\"\/><figcaption>Imagem do antigo projeto &#8216;Vozes Femininas&#8217;, que originou o atual &#8216;Vozes Trans do Norte&#8217;<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Protagonismo trans<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 frente do projeto, Wisney Berig Batista, Gabe Al\u00f3dio e Ariel Kuma formam um trabalho conjunto \u2013 desde a idealiza\u00e7\u00e3o at\u00e9 o suporte e o trabalho necess\u00e1rio para o funcionamento \u2013 que revela um protagonismo transg\u00eanero.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Acho sempre importante evidenciar isso [o protagonismo]. \u00c9 que n\u00f3s podemos ocupar posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a, de organizadoras do &#8216;rol\u00ea&#8217;, sabe? Acho fundamental, pois traz esse resgate do que \u00e9 nosso por direito&#8221;, defende Wisney.<\/p>\n\n\n\n<p>Ariel observa a relev\u00e2ncia para a pr\u00f3pria din\u00e2mica do projeto, j\u00e1 que muitos dos assuntos abordados s\u00e3o delicados e acabam exigindo uma maior compreens\u00e3o das quest\u00f5es da comunidade trans. &#8220;A import\u00e2ncia do protagonismo [trans] est\u00e1 na nossa forma de lidar com a discuss\u00e3o, na forma de conduzir quest\u00f5es e acolher o que as pessoas que participam trazem&#8221;, aponta Ariel Kuma.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de pautar esse assunto na conversa com a professora Patr\u00edcia da Silva \u2013 que \u00e9 uma mulher cisg\u00eanero e est\u00e1 na coordena\u00e7\u00e3o do Vozes Trans do Norte \u2013 ela se antecipa e faz um coment\u00e1rio, ap\u00f3s citar que este \u00e9 o \u00fanico projeto de extens\u00e3o que conhece na Ufac destinado a esse p\u00fablico: &#8220;o que mais gosto \u00e9 do protagonismo&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Projeto de extens\u00e3o da Ufac volta-se ao protagonismo da popula\u00e7\u00e3o transg\u00eanero Por Guadalupe de Souza Pereira Casos de viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos envolvendo pessoas transg\u00eanero cresceram durante a pandemia de Covid-19, segundo o Dossi\u00ea 2020 da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). 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