{"id":1531,"date":"2021-09-01T10:00:00","date_gmt":"2021-09-01T15:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=1531"},"modified":"2021-09-14T20:48:32","modified_gmt":"2021-09-15T01:48:32","slug":"o-adolescente-caua-e-o-autismo-no-acre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=1531","title":{"rendered":"O adolescente Cau\u00e3 e o autismo no Acre"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"font-size:12px\">Cau\u00e3 atendeu ao chamado da av\u00f3. Foto: Danna Anute<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por Bruna Giovanna e Danna Anute<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As hist\u00f3rias relacionadas ao autismo geralmente trazem uma por\u00e7\u00e3o de crueldade, seja por falta de conhecimento e da\u00ed surgir enganos, seja pelo seu teor de tristeza, dor ou indiferen\u00e7a. H\u00e1 aproximadamente tr\u00eas anos, o adolescente Cau\u00e3 Victor Silva, de 13 anos, foi diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista&nbsp;(TEA).<\/p>\n\n\n\n<p>Risonho, observador e degustador fiel de peito de frango, o menino faz parte de uma estat\u00edstica que cresceu com nuances a partir de 2007 e teve um <em>boom <\/em>em 2013. Estima-se que h\u00e1 2 milh\u00f5es de pessoas com autismo no Brasil, de acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, mas n\u00e3o existem dados precisos sobre as pessoas diagnosticadas, que, por lei, ser\u00e3o inclu\u00eddos no pr\u00f3ximo censo populacional realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n\n\n\n<p>Cau\u00e3 anda nas pontas dos p\u00e9s desde pequeno e desenvolveu uma les\u00e3o nos tend\u00f5es por isso. O adolescente fala pouco, essencialmente com a av\u00f3, Francisca Selma da Silva, funcion\u00e1ria da Sa\u00fade h\u00e1 35 anos. Quando o Cau\u00e3 ainda era beb\u00ea, Selma notava \u201cproblemas\u201d no modo de ser do neto, mas a m\u00e3e n\u00e3o compartilhava da mesma ideia. Apesar disso, a cozinheira da Sa\u00fade continuou a busca para saber o motivo do neto ser diferente das outras crian\u00e7as que ela estava acostumada a ver.<\/p>\n\n\n\n<p>Cau\u00e3 tem medo de cachorros, talvez porque quando eles latem, a maioria emite um som agudo ou muito grave, isso gera uma sonoridade que causa medo, irritabilidade ou sofrimento para muitas pessoas com esse transtorno. As rea\u00e7\u00f5es e\u00a0 prefer\u00eancias sobre alimentos ou animais podem variar conforme a pessoa, a idade ou estar relacionadas aos est\u00edmulos, dados pela fam\u00edlia, escola ou servi\u00e7os de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/9FvWLWNHYjZdZ2RgWO6Xq3G99axEvjJoGrDO3EWNYVTdGRYCG1OBTqtL6vE60wqvpZnAN98XLou2ZW5qZgIlpLoVr-RuaAGZjlBkl59-9LYoxwpJPUUZw0wCEpD3UA=s0\" alt=\"C:\\Users\\USER\\Desktop\\FOTOS Cau\u00e3\\WhatsApp Image 2021-08-02 at 13.35.19 (3).jpeg\"\/><figcaption>Servidora da sa\u00fade relata sua hist\u00f3ria | Foto: Bruna Giovanna<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Francisca Selma Silva completar\u00e1 60 anos em outubro. A av\u00f3, ao insistir na percep\u00e7\u00e3o de que havia algo diferente em Cau\u00e3, teve sua sanidade questionada&#8230; \u201cMinha fam\u00edlia achava que eu estava \u2018caduca\u2019. N\u00e3o me importei com as falas das pessoas, fui buscar ajuda e o Cau\u00e3 foi consultado pela primeira vez com a\u00a0 Cholen Werklaenhg, que pediu uma resson\u00e2ncia para concluir o diagn\u00f3stico de TEA\u201d relatou, se referindo \u00e0 m\u00e9dica neuropediatra da Funda\u00e7\u00e3o Hospitalar do Acre.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/PVCZKDbtdQz8ZjJAJQsEq8ZbWVeDzT0sf79iLLARjUUi6t-ABRul_sjO7eulJLtfAtvB54ybOrm6qUH2XP4Xg336mb9kOsvUzffto0R3iiKeCgfoTZmeABdZK1GBZw=s0\" alt=\"C:\\Users\\USER\\Desktop\\FOTOS Cau\u00e3\\WhatsApp Image 2021-08-02 at 13.35.19 (2).jpeg\"\/><figcaption>Francisca Selma Silva, av\u00f3 de Cau\u00e3 | Foto: Danna Anute<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Como diria o acreano do \u201cp\u00e9 rachado\u201d, dona Selma pelejou para conseguir o diagn\u00f3stico do neto, definido aos dez anos de idade. \u00c9 considerado um diagn\u00f3stico tardio, assim como acontece com outros Cau\u00e3s, mundo afora. Essa demora pode afetar a qualidade de vida, pois existem interven\u00e7\u00f5es e tratamentos que se iniciados na primeira inf\u00e2ncia ajudam a desenvolver habilidades e aprendizado. Apesar de ter ocorrido uma mudan\u00e7a a partir de 2013 no Brasil, na regi\u00e3o Norte ainda h\u00e1 poucos profissionais qualificados e centros especializados.<\/p>\n\n\n\n<p>Nenhuma crian\u00e7a \u00e9 igual a outra e isso fica evidente tamb\u00e9m ao considerar que o autismo n\u00e3o \u00e9 um transtorno espec\u00edfico, mas sim o espectro de transtornos que variam em cada indiv\u00edduo. Em boa parte das vezes, o autismo apresenta dificuldades em rela\u00e7\u00e3o a comunica\u00e7\u00e3o ou intera\u00e7\u00e3o social, al\u00e9m da repeti\u00e7\u00e3o de comportamento. Olhar nos olhos e abra\u00e7ar s\u00e3o tipos de intera\u00e7\u00e3o que constituem algumas das dificuldades aparentes para alguns autistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Separar mitos e verdades sobre o TEA \u00e9 fundamental para n\u00e3o disseminar preconceitos sobre o transtorno, como a hist\u00f3ria de que vacinas poderiam estar associadas ao autismo. Isso foi divulgado em larga escala nos Estados Unidos, mas \u00e9 uma informa\u00e7\u00e3o falsa. Outra mentira: o merc\u00fario n\u00e3o causa o transtorno.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, para n\u00e3o passar por erros ou equ\u00edvocos, \u00e9 crucial procurar ajuda m\u00e9dica de pediatras, psic\u00f3logos, neuropediatras, neurologistas, psiquiatras e demais profissionais que podem trabalhar em conjunto. Com base em estudos, existem terapias que associadas ao cuidado, carinho e aten\u00e7\u00e3o podem elevar os est\u00edmulos que busquem melhor qualidade de vida das crian\u00e7as, adolescentes e adultos com o transtorno.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Servi\u00e7o p\u00fablico de sa\u00fade em Rio Branco<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/xuFfsqIBsYUYbBBUrUxGKKDYa04PjNo1SDFwkM3fJW0NSrwOQEQ4ikoCv59BVvuJi1TnGVdMDXwG42BkRcdfpGhwMWpCjUSDT4-rI7RJ6xCKwZ9RJCdqyERtwfvTVw=s0\" alt=\"\"\/><figcaption>Em Rio Branco, a institui\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel pelos acompanhamentos dos dist\u00farbios e transtornos do desenvolvimento da aprendizagem \u00e9 a Funda\u00e7\u00e3o Hospitalar do Acre (Fundhacre) | Foto: Danna Anute<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s uma manh\u00e3 com v\u00e1rios atendimentos e avalia\u00e7\u00f5es na Funda\u00e7\u00e3o Hospital Estadual do Acre (Fundhacre), a neuropediatra Bruna Beyruth explica sobre o TEA. \u201cO Transtorno do Espectro Autista \u00e9 uma dificuldade de socializa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o associada a comportamentos estereotipados, repetitivos e rigidez comportamental\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/I33eCO5KnjYJn8QX-sSzbkbz-a3wi1z8nhMzI6MK2N3tJgZ_tyFmMs8MfaXHFp_pfPhXdXi7Qx4EjJLDVao1fiLszPRqPEa99B3jlQkHcUTDAa5ZVUlZSPbbkpwHCw=s0\" alt=\"\"\/><figcaption>Pr\u00e9-consulta para a especialidade de Neuropediatra | Foto: Danna Anute<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O autismo precisa ser tratado e acompanhado. Para isso, o ideal \u00e9 que o diagn\u00f3stico ocorra cedo, j\u00e1 que pode prevenir preju\u00edzos de ordem social e cognitiva (no aprendizado).<\/p>\n\n\n\n<p>Em Rio Branco-Acre, O Mundo Azul \u00e9 um centro especializado direcionado ao tratamento de crian\u00e7as de 2 at\u00e9 12 anos. Funciona diariamente, de segunda a sexta-feira, localizado na Travessa S\u00e3o L\u00e1zaro, s\/n &#8211; Conj. Tangar\u00e1. O espa\u00e7o tem como objetivo contribuir com o desenvolvimento da crian\u00e7a por meio dos espa\u00e7os familiar, educacional e social.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/FDjYhO5u7Ki_syxoTeBSKybieoeSna6xDu0jJZppV8vTczwfM2ao50OqWfdvsHqlulAOrc6GP6r_LwOyvf-zsdFPxmZ6JAOp2rTEqySfE_yevSR0ZtV7XKsl5MydPw=s0\" alt=\"\"\/><figcaption>O espa\u00e7o fica anexado ao Centro de Sa\u00fade Barral y Barral | Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/ A Gazeta do Acre<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>No centro s\u00e3o realizados atendimentos terap\u00eauticos com uma equipe multiprofissional formada por psic\u00f3logos, fonoaudi\u00f3logos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, enfermeiros e assistentes sociais. Devido \u00e0 alta procura, o espa\u00e7o est\u00e1 com uma extensa fila de espera.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/JLcifbdAKl3XQzokqX-SsSsRjwmqnRgEmLND2DRqPv1LArqXQyaXVEdUZbO7udydhokOdE08k-vqQJ8H6q4XFeh09aO729SuWoa24FKMmfn_o4denOobzPdNTKl7wg=s0\" alt=\"\"\/><figcaption>Espa\u00e7o em que \u00e9 realizado alguns dos tratamentos | Foto: Tattiana Jim\u00e9nez\/ Internet<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/HyZQ2sUSMtLOvlOTvBPe7jMxCHhdnMPA_zbTMw9zuIiswIpClFAM4X7yW-DKLDDrMfxn1kARA_Eh2pEuAC-WL84jfIUfGjLMckB9_FSTAj4AFy1ywwTpz29ThXW3Kg=s0\" alt=\"\"\/><figcaption>Espa\u00e7o em que \u00e9 realizado alguns dos tratamentos | Foto: Tattiana Jim\u00e9nez\/ Internet<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A psic\u00f3loga \u00c9dila Sousa, coordenadora do Mundo Azul, destaca que o autismo tem crescido muito e at\u00e9 pessoas com plano de sa\u00fade t\u00eam dificuldades para conseguir uma consulta com especialista. \u201cO TEA n\u00e3o pode ser fechado em uma \u00fanica avalia\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso ser feito um rastreio, \u00e9 necess\u00e1rio o aux\u00edlio de outros profissionais, s\u00e3o fonoaudi\u00f3logos, neuropsic\u00f3logos, fisioterapeutas ocupacionais e demais especialistas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rodas de conversa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando a crian\u00e7a recebe o diagn\u00f3stico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) os cuidadores, sobretudo a m\u00e3e, tendem a focar a aten\u00e7\u00e3o para aquela crian\u00e7a. Muitas vezes resulta em um isolamento, em que eles acabam se afastando dos familiares que demonstram preconceito e, consequentemente, da sociedade. Por n\u00e3o aceitarem a realidade do diagn\u00f3stico, alguns pais decidem dar um ponto final no casamento. Algumas m\u00e3es, sozinhas, v\u00e3o ter que criar essa crian\u00e7a com todas as dificuldades que s\u00e3o adicionadas ao diagn\u00f3stico.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir desta realidade, a Coordenadora do Mundo Azul, junto \u00e0 sua equipe, tiveram a iniciativa de criar rodas de conversa com o objetivo de diminuir o sofrimento dos pais. \u201cO tema da nossa roda de conversa piloto foi <strong>\u2018Vivendo o infinito Azul\u2019<\/strong>, realizado com o primeiro grupo de pais, que nos rendeu bons frutos e <em>feedbacks<\/em> positivos das m\u00e3es participantes\u201d, contou a coordenadora.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/qkOBkHSbKWUg7aK2jezqQwq4L-fjJN2Ddxl9dI2vOPMhldpLUvhmMA0NlSXO-zvmCG4CvIfwDX_-ZhsrvXmSaEAKgL9Q2HT-8Nmg8y2CW1PW9xgFH0hJVN1lp2qIgQ=s0\" alt=\"\"\/><figcaption>Cartaz de divulga\u00e7\u00e3o | Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/ Internet<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A terapeuta ocupacional Rosimara Werner explica que eles buscam a cada roda de conversa dar oportunidade para os outros pais que est\u00e3o na fila de espera por uma vaga para o tratamento no espa\u00e7o. \u201cA partir de um di\u00e1logo com as m\u00e3es, identificamos quais eram os temas mais pertinentes. Ent\u00e3o, criamos os grupos e a partir disso vamos abrindo para outros pais que ainda n\u00e3o participaram da roda\u201d, explicou a especialista.<\/p>\n\n\n\n<p>A coordenadora \u00c9dila Sousa explica que muitas quest\u00f5es devem ser trabalhadas ap\u00f3s o diagn\u00f3stico e que \u00e9 necess\u00e1rio n\u00e3o apenas o tratamento com a crian\u00e7a, mas tamb\u00e9m com toda fam\u00edlia. As rodas de conversa contam com a participa\u00e7\u00e3o de profissionais do espa\u00e7o como fonoaudi\u00f3logos, assistentes sociais, psicoterapeutas, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessas rodas, os pais encontram tem\u00e1ticas que tem como objetivo auxiliar com dicas de como lidar com a crian\u00e7a em casa, fortalecer as emo\u00e7\u00f5es e at\u00e9 mesmo a parte nutricional, pois muitas m\u00e3es relatam que seus filhos n\u00e3o comem certos alimentos. \u201cFomos atr\u00e1s de uma profissional da nutri\u00e7\u00e3o que trabalhe com crian\u00e7as autistas pois n\u00e3o temos esse servi\u00e7o. E conseguimos uma parceira que est\u00e1 disposta a sempre estar conosco\u201d, completou a coordenadora, acrescentando que buscam ajudar no relacionamento com a fam\u00edlia que n\u00e3o est\u00e1 aceitando o diagn\u00f3stico.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro tema da roda de conversa foi o autocuidado, pois essas m\u00e3es tinham dificuldades de falar sobre si, elas s\u00f3 queriam falar sobre o filho. Segundo a terapeuta ocupacional Rosimara Werner, nessa roda o primeiro cuidado foi a atividade do espelho: olhar para ela mesma, falar sobre si e se cuidar, com o objetivo de resgatar essa viv\u00eancia que elas perdem de si mesmas em prol da viv\u00eancia voltada apenas do filho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tendo em vista o retorno positivo que as rodas de conversas est\u00e3o tendo, a equipe decidiu continuar com a iniciativa. Quando uma m\u00e3e chega em busca do tratamento, eles falam sobre n\u00e3o terem vagas dispon\u00edveis no momento, mas recomendam a sua inscri\u00e7\u00e3o na roda de conversa, que pode confortar de alguma forma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alguns sinais de autismo&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o neurologista Matheus Trilico, refer\u00eancia na \u00e1rea de Neurologia em Curitiba e regi\u00e3o, os sintomas de autismo, geralmente, s\u00e3o percebidos durante os tr\u00eas primeiros anos. Mas eles tamb\u00e9m podem demorar para serem percebidos, principalmente para os indiv\u00edduos que apresentam um espectro leve, como os diagnosticados com a S\u00edndrome de Asperger.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante dizer que n\u00e3o existe um exame espec\u00edfico que possa identificar o TEA. O diagn\u00f3stico para autismo \u00e9 feito com base no acompanhamento e an\u00e1lise de v\u00e1rios profissionais como psic\u00f3logos, pediatras, psiquiatras e neurologistas. No caso de crian\u00e7as, \u00e9 imprescind\u00edvel a avalia\u00e7\u00e3o de um neuropediatra.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para Matheus Trilico \u00e9 importante observar qualquer sintoma associado ao transtorno. &#8220;Perceber os sintomas do autismo \u00e9 fundamental em qualquer idade, para que seja realizado o acompanhamento neurol\u00f3gico e o indiv\u00edduo consiga se compreender melhor\u201d. E finaliza explicando como esse acompanhamento \u00e9 essencial para melhorar a sociabiliza\u00e7\u00e3o, obter uma qualidade de vida e bem-estar.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-jetpack-slideshow aligncenter\" data-effect=\"slide\"><div class=\"wp-block-jetpack-slideshow_container swiper-container\"><ul class=\"wp-block-jetpack-slideshow_swiper-wrapper swiper-wrapper\"><li class=\"wp-block-jetpack-slideshow_slide swiper-slide\"><figure><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"467\" height=\"827\" alt=\"\" class=\"wp-block-jetpack-slideshow_image wp-image-1537\" data-id=\"1537\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/flyer1.png.png?resize=467%2C827&#038;ssl=1\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/flyer1.png.png?w=467&amp;ssl=1 467w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/flyer1.png.png?resize=169%2C300&amp;ssl=1 169w\" sizes=\"(max-width: 467px) 100vw, 467px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"wp-block-jetpack-slideshow_slide swiper-slide\"><figure><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"344\" height=\"859\" alt=\"\" class=\"wp-block-jetpack-slideshow_image wp-image-1538\" data-id=\"1538\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/flyer2.png?resize=344%2C859&#038;ssl=1\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/flyer2.png?w=344&amp;ssl=1 344w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/flyer2.png?resize=120%2C300&amp;ssl=1 120w\" sizes=\"(max-width: 344px) 100vw, 344px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><a class=\"wp-block-jetpack-slideshow_button-prev swiper-button-prev swiper-button-white\" role=\"button\"><\/a><a class=\"wp-block-jetpack-slideshow_button-next swiper-button-next swiper-button-white\" role=\"button\"><\/a><a aria-label=\"Pause Slideshow\" class=\"wp-block-jetpack-slideshow_button-pause\" role=\"button\"><\/a><div class=\"wp-block-jetpack-slideshow_pagination swiper-pagination swiper-pagination-white\"><\/div><\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p style=\"font-size:15px\"><em>Flyer produzido por Bruna Giovanna e Danna Anute com dados da Salz Cl\u00ednica e Paho Org.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>TEA nas Am\u00e9ricas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O conceito de autismo surgiu em meados de 1943. Os estudos sobre o transtorno tiveram maior envolvimento dos psiquiatras dos Estados Unidos da Am\u00e9rica.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o lan\u00e7amento da quinta edi\u00e7\u00e3o do Manual Diagn\u00f3stico e Estat\u00edstico de Transtornos Mentais (DSM-V) em 2013, o autismo recebeu uma nova nomenclatura, o Transtorno do Espectro Autista (TEA). A partir disso, os especialistas passam a poder avaliar melhor o grau de autismo com base nos espectros e o diagn\u00f3stico pode variar de pessoa para pessoa. Dependendo do espectro, o autismo pode ser mais leve ou mais disfuncional.<\/p>\n\n\n\n<p>O TEA pode estar associado a outras defici\u00eancias e d\u00e9ficits de aprendizagem. Desta forma, h\u00e1 muitos preconceitos, mitos e vulnerabilidades em torno das sociabilidades entre pais, respons\u00e1veis e a sociedade, pois a maioria olha com estranheza as particularidades de uma pessoa autista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Autismo no Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No dia 2 de abril \u00e9 comemorado O Dia Mundial da Conscientiza\u00e7\u00e3o do Autismo, criado pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) no ano de 2007. A data foi escolhida com a inten\u00e7\u00e3o de levar informa\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o com o objetivo de diminuir a discrimina\u00e7\u00e3o e o preconceito contra os indiv\u00edduos que possuem Transtorno do Espectro Autista (TEA).\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), acredita-se que, em todo o mundo, h\u00e1 um autista para cada 160 crian\u00e7as. No Brasil, os dados continuam bem limitados, por\u00e9m as informa\u00e7\u00f5es do Censo Escolar apontam que o n\u00famero de autistas matriculados em classes comuns no Brasil teve um aumento de 37,27% entre os anos de 2017 (77.102) e 2018 (105.842).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/7uMgupk4MCCAyQeOMHAIi3sVwmWGj_YTxxZizC5YONvMdnaA4dF83B9bHzRYapbdKvZh9siPSeW4O6cwShzj-u0Zh3sECweSmcP5FwD95_Dhj45OhocRuF3MHHTViA=s0\" alt=\"\"\/><figcaption>N\u00famero de autistas matriculados em classes comuns no Brasil teve um aumento de 37,27%. | Gr\u00e1fico produzido por Bruna Giovanna com dados do Censo Escolar de 2018<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>De acordo com a neuropsic\u00f3loga Joana Portolese, coordenadora do Ambulat\u00f3rio de Autismo do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Cl\u00ednicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP), n\u00e3o h\u00e1 um rem\u00e9dio para o autismo, por\u00e9m, algumas comorbidades associadas podem ser tratadas com o uso de medicamentos. Existem tamb\u00e9m algumas terapias e interven\u00e7\u00f5es que podem auxiliar.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas conquistas importantes para os autistas ocorreram no Brasil, como a Lei Berenice Piana (12.764\/12), que oficializou os autistas como pessoas com defici\u00eancia instituindo a Pol\u00edtica Nacional de Prote\u00e7\u00e3o dos Direitos da Pessoa com Transtornos do Espectro Autista. E a Lei Romeo Mion (13.977\/20), que cria a Ciptea, Carteira de Identifica\u00e7\u00e3o da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, com o objetivo de identificar pessoas com autismo nos servi\u00e7os p\u00fablicos e privados, tendo em vista que n\u00e3o poss\u00edvel identificar se a pessoa \u00e9 autista apenas pelo olhar.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor do Instituto de Psiquiatria da Universidade de S\u00e3o Paulo, Estev\u00e3o Vadasz, ressalta as dificuldades dos autistas, sobretudo relacionadas \u00e0 falta de profissionais preparados para lidar com o TEA. Para ele, o problema parece come\u00e7ar durante a forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica: \u201ctemos centenas de escolas de Medicina e todas deveriam colocar na gradua\u00e7\u00e3o o ensino de autismo para pediatras\u201d, refor\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cau\u00e3 atendeu ao chamado da av\u00f3. Foto: Danna Anute Por Bruna Giovanna e Danna Anute As hist\u00f3rias relacionadas ao autismo geralmente trazem uma por\u00e7\u00e3o de crueldade, seja por falta de conhecimento e da\u00ed surgir enganos, seja pelo seu teor de tristeza, dor ou indiferen\u00e7a. H\u00e1 aproximadamente tr\u00eas anos, o adolescente Cau\u00e3 Victor Silva, de 13 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":1535,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[4],"tags":[8],"coauthors":[],"class_list":["post-1531","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nascente","tag-destaque"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/1.-Caua.jpg?fit=517%2C390&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1531","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1531"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1531\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1556,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1531\/revisions\/1556"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1535"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1531"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1531"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1531"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcoauthors&post=1531"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}