{"id":1513,"date":"2021-08-26T15:37:52","date_gmt":"2021-08-26T20:37:52","guid":{"rendered":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=1513"},"modified":"2021-08-26T15:37:55","modified_gmt":"2021-08-26T20:37:55","slug":"do-interior-do-acre-para-o-maracanazinho-lotado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acatraia.ufac.br\/?p=1513","title":{"rendered":"Do interior do Acre para o Maracan\u00e3zinho lotado"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Por Maria Fernanda Arival<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>No dia do concurso n\u00e3o parecia ser eu, parecia que eu estava flutuando, como em um sonho, eu n\u00e3o sei explicar a emo\u00e7\u00e3o. Foi no Maracan\u00e3zinho, tinha 30 mil pessoas e todos aqueles refletores em mim\u2026 Quando chamou: \u2018Miss Acre\u2019, fui a primeira a pisar na passarela, o cora\u00e7\u00e3o acelera e os olhos enchem de l\u00e1grima, parece mesmo que eu estava flutuando<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos 73 anos, a senhora Raimunda da Silva Farias relembra seus dias de passarela. H\u00e1 54 anos ela foi coroada Miss Acre. Hoje, Raimundinha, como \u00e9 conhecida por todos, \u00e9 aposentada pelo Estado do Acre, vi\u00fava, m\u00e3e de tr\u00eas filhos, av\u00f3 de seis netos e bisav\u00f3 de uma menina<\/p>\n\n\n\n<p>Ela nasceu em Sena Madureira, interior do Acre, em 1948, e \u00e9 a \u00fanica mulher dentre 7 irm\u00e3os. Em 1967, ainda solteira, levava consigo o nome de batismo: Raimunda Nogueira da Silva. Quando recebeu o convite tinha apenas 18 anos e cursava o \u00faltimo ano do ensino m\u00e9dio na Escola T\u00e9cnica do Acre, em Rio Branco. \u201cEm fevereiro foram duas mo\u00e7as do gr\u00eamio l\u00e1 na minha casa me convidar. Eu fiquei muito surpresa porque eu era uma pessoa muito pobre, muito humilde e nem participava de eventos e de festas da sociedade, s\u00f3 trabalhava e estudava\u201d, diz ela, relembrando o convite.<\/p>\n\n\n\n<p>Deitada na rede cor de rosa, ela conta que n\u00e3o tinha no\u00e7\u00e3o do que fazer, n\u00e3o sabia desfilar e nem tinha roupas e sapatos adequados. \u201cEu n\u00e3o sabia se aceitava. E elas falaram \u2018n\u00e3o se preocupe, a gente vai preparar voc\u00ea\u2019. Ent\u00e3o, compraram roupas e sapatos que eu n\u00e3o tinha. N\u00e3o sabia desfilar, fui na casa da Islene Farias (uma das integrantes do gr\u00eamio), a m\u00e3e dela me ensinou a desfilar e me ensinou etiqueta. O Miss Acre aconteceu em maio de 1967\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/iIK37lms_qg5HYp_c3sx23S36DB6jI0dz_EJFR18U-7BpftfZeaBW_wfsfuxQQb_hdtdcI9Hq5j075zrwupkiQNyhqnNLOrqG4zHMoun2JlppQaoUMtb4oXj6wRx6hWe9-OWkjw=s0\" alt=\"\"\/><figcaption><em>Raimunda Nogueira \u00e0 direita<\/em>. <em>Foto: Arquivo Pessoal.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Na \u00e9poca com 1,68 m de altura, 90 cm de quadril, 55 cm de cintura, loira e com os olhos verdes, a Miss Acre 67 recebeu a coroa pelas m\u00e3os da primeira-dama do Estado, Georgete Kalume, esposa do governador Jorge Kalume, e a faixa pelas m\u00e3os do presidente do Rio Branco Futebol Clube, Ary Rodrigues. \u201cEu desfilei de mai\u00f4 e com traje de gala. Era um vestido brilhante azul petr\u00f3leo no modelo tomara que caia. O gr\u00eamio do clube mandou fazer para mim e o concurso aconteceu na sede do clube. Eu fui muito aplaudida, todos gostaram da minha vit\u00f3ria, at\u00e9 hoje as pessoas dizem que eu fui a Miss mais bonita at\u00e9 ent\u00e3o. No ano seguinte, quando passei a coroa, j\u00e1 foi em um est\u00e1dio, o clube havia ficado pequeno.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Raimundinha preparou-se pelos dois meses seguintes para ir ao Rio de Janeiro, onde aconteceu o Miss Brasil. \u201cEu viajei e fiquei hospedada no hotel junto com as outras participantes. Fomos em v\u00e1rios eventos e jantares que eram organizados somente para que n\u00f3s pud\u00e9ssemos aparecer\u201d, conta Raimundinha, lembrando que era muito cansativo, levantavam cedo para se arrumar e cumprir com os compromissos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"554\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/image-2-e1630008920251-1024x766.jpeg?resize=740%2C554&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-1514\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/image-2-e1630008920251.jpeg?resize=1024%2C766&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/image-2-e1630008920251.jpeg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/image-2-e1630008920251.jpeg?resize=768%2C575&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/image-2-e1630008920251.jpeg?w=1280&amp;ssl=1 1280w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><figcaption><em>Um dos jantares oferecido para as candidatas no Rio de Janeiro. Raimunda \u00e9 a primeira, no canto esquerdo<\/em>. <em>Foto: Arquivo Pessoal.<\/em><br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cNo dia do concurso n\u00e3o parecia ser eu, parecia que eu estava flutuando, como em um sonho, eu n\u00e3o sei explicar a emo\u00e7\u00e3o. Foi no Maracan\u00e3zinho, tinha 30 mil pessoas e todos aqueles refletores em mim\u2026 Quando chamou: \u2018Miss Acre\u2019, fui a primeira a pisar na passarela, o cora\u00e7\u00e3o acelera e os olhos enchem de l\u00e1grima, parece mesmo que eu estava flutuando\u201d, conta a ex-miss, suspirando.<strong> <\/strong>Com muita emo\u00e7\u00e3o, Raimundinha fala que ficou entre as 15 finalistas, mas a vencedora daquela edi\u00e7\u00e3o foi a Miss S\u00e3o Paulo, Carmen Silva, seguida pela Miss Paran\u00e1 e Miss Par\u00e1.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando voltei para Rio Branco, ainda fiquei tr\u00eas meses fora da minha casa. Me hospedei na casa da minha colega Lucibeth, que tamb\u00e9m fazia parte do gr\u00eamio, porque ela morava no Centro e ficava mais f\u00e1cil para ir aos lugares que a agenda de miss necessitava\u201d. A Miss Acre 67 conta que visitou v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, o Pal\u00e1cio do Governador e a sede da Prefeitura, bem como v\u00e1rios munic\u00edpios, para que as pessoas conhecessem a Miss. \u201cNas festas, a atra\u00e7\u00e3o era a Miss Acre, desfilava com o traje t\u00edpico. N\u00e3o tinha televis\u00e3o na \u00e9poca, ent\u00e3o, eu tinha que ir para as pessoas me verem.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>No tempo que precisou ficar longe de casa, ela s\u00f3 se comunicava com a fam\u00edlia por radioamador. Ao ser questionada sobre o trabalho e os estudos, Raimundinha conta que pediu f\u00e9rias do trabalho e teve problemas na escola. \u201cEu cheguei a tirar at\u00e9 zero porque o professor n\u00e3o me deu a nota que eu precisava. Eu cursava o terceiro ano do ensino m\u00e9dio. Quando voltei para escola virei autoridade, era miss para c\u00e1 e para l\u00e1, os rapazes todos querendo namorar.\u201d At\u00e9 hoje, onde ela chega, as pessoas dizem: \u2018<em>ela j\u00e1 foi miss<\/em>\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando fez 50 anos, dona Raimunda foi convidada para uma festa realizada pela Associa\u00e7\u00e3o do Banacre (Banco do Estado do Acre) e l\u00e1 foi homenageada, desfilando com outras misses da associa\u00e7\u00e3o. \u201cFoi muito bacana. S\u00f3 n\u00e3o fui feliz na minha escolha de roupas, eu tinha muita vergonha, ent\u00e3o preferi um vestido mais simples\u201d, conta ela, dando risadas por assumir que n\u00e3o usava a cor vermelha no dia a dia para n\u00e3o chamar aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, Raimundinha relata tudo com brilho nos olhos. E sempre que revive esse per\u00edodo da vida, ela lembra de algo diferente. Por isso que eu, neta dela, sempre lhe pe\u00e7o para contar a hist\u00f3ria da \u00e9poca em que foi Miss Acre.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-jetpack-slideshow aligncenter\" data-effect=\"slide\"><div class=\"wp-block-jetpack-slideshow_container swiper-container\"><ul class=\"wp-block-jetpack-slideshow_swiper-wrapper swiper-wrapper\"><li class=\"wp-block-jetpack-slideshow_slide swiper-slide\"><figure><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"863\" alt=\"\" class=\"wp-block-jetpack-slideshow_image wp-image-1515\" data-id=\"1515\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/image-3.jpeg?resize=740%2C863&#038;ssl=1\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/image-3.jpeg?w=958&amp;ssl=1 958w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/image-3.jpeg?resize=257%2C300&amp;ssl=1 257w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/image-3.jpeg?resize=878%2C1024&amp;ssl=1 878w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/image-3.jpeg?resize=768%2C895&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><figcaption class=\"wp-block-jetpack-slideshow_caption gallery-caption\">Recorte de jornal n\u00e3o identificado. Raimunda \u00e0 esquerda com a filha do meio, Lilian<\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"wp-block-jetpack-slideshow_slide swiper-slide\"><figure><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"987\" alt=\"\" class=\"wp-block-jetpack-slideshow_image wp-image-1517\" data-id=\"1517\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/WhatsApp-Image-2021-08-26-at-15.14.54.jpeg?resize=740%2C987&#038;ssl=1\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/WhatsApp-Image-2021-08-26-at-15.14.54.jpeg?w=1200&amp;ssl=1 1200w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/WhatsApp-Image-2021-08-26-at-15.14.54.jpeg?resize=225%2C300&amp;ssl=1 225w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/WhatsApp-Image-2021-08-26-at-15.14.54.jpeg?resize=768%2C1024&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/acatraia.ufac.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/WhatsApp-Image-2021-08-26-at-15.14.54.jpeg?resize=1152%2C1536&amp;ssl=1 1152w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><figcaption class=\"wp-block-jetpack-slideshow_caption gallery-caption\">Raimunda em seu anivers\u00e1rio de 73 anos, em 2021. Foto: Arquivo Pessoal.<\/figcaption><\/figure><\/li><\/ul><a class=\"wp-block-jetpack-slideshow_button-prev swiper-button-prev swiper-button-white\" role=\"button\"><\/a><a class=\"wp-block-jetpack-slideshow_button-next swiper-button-next swiper-button-white\" role=\"button\"><\/a><a aria-label=\"Pause Slideshow\" class=\"wp-block-jetpack-slideshow_button-pause\" role=\"button\"><\/a><div class=\"wp-block-jetpack-slideshow_pagination swiper-pagination swiper-pagination-white\"><\/div><\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Maria Fernanda Arival \u201cNo dia do concurso n\u00e3o parecia ser eu, parecia que eu estava flutuando, como em um sonho, eu n\u00e3o sei explicar a emo\u00e7\u00e3o. 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