Por Isabelle Magalhães
Aprender a dirigir já é, por si só, uma experiência um tanto quanto difícil. É preciso prestar atenção no trânsito, nos outros carros, nos pedestres, nos sinais e, principalmente, no próprio carro. Dirigir em Rio Branco acrescenta mais uma preocupação à lista: os buracos.
A pavimentação não é das melhores. Talvez seja o solo, o clima, a prefeitura ou os carros. Talvez seja tudo isso junto. O fato é que, no caminho de casa para a faculdade, dirigir deixou de ser apenas um caminho qualquer e passou a ser também uma espécie de treinamento para identificar buracos.
Conversei com a prefeitura para tentar entender como funciona a pavimentação na cidade. Pelo menos tentei. Não obtive resposta. Procurei pelas ruas algum sinal da famosa placa “Prefeitura nas ruas”. Encontrei as placas. Prefeitura, pelo menos naquele momento, não.
O caminho até a faculdade é sempre estressante. Não apenas pelo trânsito ou pela obrigação de chegar à aula, mas pela possibilidade de encontrar, a qualquer momento, um novo buraco.
E existe todo tipo de buraco.
Há aquele que você consegue enxergar de longe. É grande, fundo e não faz questão nenhuma de esconder sua existência. Esse é fácil, basta desviar.
Existe também o buraco pequeno. Parece inofensivo. Quase uma pequena imperfeição no asfalto mas é justamente ele que pode levar uma roda sua.
E existe o mais novo tipo de buraco que consegui identificar: aquele que você não consegue ver que é definitivamente um buraco, mas que, depois de passar por ele, percebe que uma pequena parte do seu coração ficou lá dentro também.
Quando acho que finalmente decorei os buracos do caminho, aparecem outros. É como se a cidade tivesse decidido atualizar o trajeto sem me avisar.
E, de repente, como num passe de mágica, a prefeitura aparece. Passa pelo buraco como a fada dos dentes passa pelo travesseiro. Só que existe uma diferença: nesse caso, no dia seguinte, o buraco volta.
Tentei novamente entrar em contato com a prefeitura. Mandei mensagem. Liguei. Perguntei como funciona a pavimentação. A resposta, dessa vez, veio em forma de silêncio.
Enquanto procurava alguma autoridade ou alguém que trabalhasse diretamente com pavimentação, conversei com uma iniciante na direção. Elana Crisóstomo está aprendendo a dirigir pelas ruas de Rio Branco. Ela conta que dirigir já é difícil, mas que os buracos tornam o aprendizado ainda mais complicado.
Além de aprender a dirigir, é preciso aprender a desviar.
Em um dia na casa de uma amiga, enquanto a televisão estava ligada, encontrei uma reportagem do Cidade Alerta falando justamente sobre os buracos nas ruas. A reportagem mostrava moradores cobrando da prefeitura a pavimentação, mas sem receber retorno.
Foi nesse momento que entendi que talvez minhas mensagens não respondidas não fossem exatamente uma exclusividade minha.
Eu não era a única procurando uma resposta.
Enquanto continuo a dirigir, também continuo aprendendo a reconhecer os buracos do caminho. Alguns já conheço. Outros aparecem de surpresa. E há aqueles que, aparentemente, fazem parte da paisagem.
No fim, talvez essa seja mais uma habilidade que a cidade ensina a quem dirige por suas ruas: não basta saber dirigir. É preciso saber desviar

