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“Feliz, alegre e forte”

Gesse de Freitas, uma vida dedicada à educação, arte e cultura e marcada por boas amizades

Por José Henrique Nascimento e Miguel Feitosa

Durante mais de duas décadas, Geesse de Freitas, produtor cultural conhecido por todos como Branco, dedicou sua vida ao movimento junino acreano. À frente da quadrilha Sassaricano na Roça por 23 anos, ajudou a transformar o grupo em uma das principais referências das festas juninas no Acre.

Aos 44 anos, Branco morreu de infarto e deixou amigos, afilhados, sua mãe e pessoas que afirmam ter sido marcadas por sua presença. Para familiares, amigos e integrantes do movimento cultural, Branco deixou um legado marcado pelo compromisso com a cultura popular, pela capacidade de reunir pessoas e pelo incentivo às novas gerações.

A Liga de Quadrilhas Juninas do Acre (Liquajac) suspendeu as apresentações previstas para a terceira noite do 18º Circuito Junino de Rio Branco, em respeito à sua história e ao seu legado.

Trajetória de alegria e dedicação

Nascido em Tarauacá (AC) em 1981, Branco teve uma infância marcada pela superação. Filho de uma família humilde, desde cedo buscou contribuir com a renda da casa. Ainda jovem, vendia pães pelas ruas do bairro Nova Esperança.

Carregava os pães em um saco de fibra apoiado nas costas e percorria as ruas anunciando sua chegada com o tradicional grito: “Olha o padeiro!”. A lembrança dessa rotina permanece viva entre pessoas que conviveram com ele e ajuda a explicar o espírito trabalhador que o acompanhou ao longo da vida.

Segundo amigos de infância, Branco sempre demonstrou facilidade para criar vínculos com as pessoas. Era conhecido pela alegria, pelo bom humor e pela disposição em ouvir e ajudar quem estivesse ao seu redor. Essas características também marcaram sua atuação na educação.

Antes mesmo de concluir a graduação, dedicou parte do seu tempo a oferecer aulas voluntárias para crianças da comunidade. O objetivo era acolher filhos de mães que precisavam trabalhar e não tinham com quem deixá-los durante o dia. Mais tarde, formou-se em Pedagogia pela Universidade Federal do Acre (UFAC). Em seguida, ingressou no curso de Artes Cênicas, área na qual encontrou um caminho para unir educação, arte e cultura.

A fé também ocupou um lugar importante em sua trajetória. Participante ativo da Comunidade São José, integrou o grupo de jovens da igreja, onde construiu amizades que permaneceram por toda a vida.

Uma dessas amizades foi com Katiucia Cunha. Os dois se conheceram ainda crianças, quando tinham cerca de dez anos de idade. Ela acompanhou de perto a rotina de Branco vendendo pães pelas ruas do bairro e viu sua dedicação em ajudar a família. Com o passar dos anos, a convivência na comunidade fortaleceu a amizade, transformando-a em uma relação de confiança e afeto. O vínculo tornou-se tão próximo que Branco foi escolhido para ser padrinho de batismo e, posteriormente, padrinho de casamento de Katiucia.

Em entrevista para este obituário, Katiucia lembra que a escolha de Branco como padrinho foi questionada por algumas pessoas, mas nunca teve dúvidas da decisão. Para ela, ele era um homem íntegro, presente e comprometido com aqueles que amava. Segundo a amiga, essa convivência também influenciou a formação de sua família, especialmente do filho, que cresceu tendo Branco como uma de suas principais referências.

Foi na cultura popular, porém, que Branco encontrou o espaço onde seria mais reconhecido. Como fundador e presidente da quadrilha Sassaricano na Roça, dedicou mais de duas décadas ao fortalecimento do movimento junino acreano. Sob sua liderança, a agremiação formou gerações de brincantes, incentivou jovens artistas e ajudou a preservar uma das mais importantes manifestações culturais do Acre.

Para quem conviveu com Branco, a lembrança que permanece vai além dos títulos e da atuação na cultura. Amigos o descrevem como alguém que enfrentava as dificuldades sem perder a esperança, valorizava a amizade, cultivava a fé e encontrava na arte uma forma de transformar vidas.

Seu legado continua presente na memória da família, dos amigos, da comunidade junina e de todos aqueles que tiveram a oportunidade de caminhar ao seu lado.

Redação

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