Como a revitalização do patrimônio histórico impulsiona o turismo e a economia no Acre
Por Lis Gabriela Fernandes e Raíça Oliveira
A preservação do patrimônio histórico vai além da manutenção de monumentos e fachadas antigas, mas também representa o resgate da identidade coletiva e uma janela de oportunidades econômicas. Aqui em Rio Branco, o avanço de obras públicas voltadas para a restauração de espaços históricos estimula o debate sobre o papel da cultura e de sua preservação como pilar essencial para o desenvolvimento do turismo no estado do Acre.
Historicamente rico em manifestações culturais, biodiversidade e episódios marcantes da história nacional, o Acre possui um ecossistema com grande potencial para diversas formas de visitação, como o turismo de experiência, o turismo gastronômico e o ecoturismo. É importante ressaltar também que a atratividade de uma região depende diretamente da qualidade e do cuidado dedicados à sua infraestrutura e aos seus cartões-postais, bem como sua visitação.

Economia e Cultura: Um Ecossistema Integrado
A relação entre investimentos em infraestrutura cultural e o retorno financeiro para os municípios é direta. Quando uma área histórica é revitalizada e devolvida à comunidade em condições plenas de uso, desencadeia-se um efeito multiplicador que beneficia pequenos empreendedores, o setor hoteleiro, a gastronomia e o transporte local, além de .
É o que diz Jackson Viana, Diretor de Turismo da Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo (SETE). Segundo Jackson, o turismo ainda não é a principal renda do Estado, mas já atua como principal fonte de recursos de diversos empreendedores nos municípios. “O setor de turismo é transversal, diversas áreas estão vinculadas ao turismo, e sempre que o estado e os municípios fazem obras e intervenções, isso influencia o turismo de diversas maneiras.”, diz o diretor.
Desafios: Da Necessidade de Manutenção ao Potencial Inexplorado
Apesar do impacto positivo gerado pelas intervenções recentes, o setor turístico do estado ainda enfrenta desafios crônicos vinculados à continuidade das políticas de preservação. Por muito tempo, pontos turísticos significativos da capital enfrentaram períodos de inatividade ou abandono estrutural, gerando questionamentos sobre a suficiência das ações públicas implementadas ao longo dos anos.
Para profissionais do turismo, um dos desafios está em cuidar desse patrimônio. A técnica em guiamento e atual presidente do sindicato de guias de turismo do Acre, Vera Lúcia, diz que, para além do restauro, é preciso manutenção e cuidado com cada espaço, bem como seu reconhecimento. A bacharel em turismo também afirma que “O turismo em nosso estado está engatinhando, e economicamente todos são beneficiados. Esse recurso circula no estado e promove e impacta positivamente na economia local. E isso é muito positivo.”
O diagnóstico do cenário atual sugere que o Acre tem boa quantidade de patrimônios culturais ou históricos; mas o principal obstáculo está na otimização e na manutenção constante dessas estruturas. O investimento público em obras de restauro tem uma função emergencial, mas o retorno socioeconômico depende do planejamento de longo prazo, capaz de manter tais espaços dinâmicos, seguros e integrados à rotina urbana. Profissionais também afirmam que a presença de melhores políticas e leis mais eficazes são essenciais para o momento em que vivemos no turismo.
Caminhos para o Futuro
A valorização de Rio Branco como um polo turístico exige que a conservação do patrimônio seja realizada e reconhecida como importante fator de desenvolvimento econômico, e não apenas como uma despesa no orçamento. Com o avanço de novos projetos, a cobrança social e o monitoramento da eficácia desses gastos públicos tornam-se indispensáveis.
Valorizar o patrimônio acreano significa compreender que cada monumento restaurado reconecta o morador à sua própria história e, simultaneamente, cria as condições necessárias para acolher o turista, que faz da riqueza cultural do Acre um motor sólido para o futuro da economia local.