Pouca arborização aumenta sensação de calor e afeta qualidade de vida em Rio Branco
Por Jamile Romano e Vanessa Sousa
A escassez de árvores em diferentes regiões de Rio Branco tem impactado diretamente a qualidade de vida da população. O aumento das temperaturas, a falta de sombra em vias públicas e a redução das áreas verdes são problemas percebidos tanto por moradores de bairros centrais quanto das áreas periféricas da capital acreana.
Além de contribuir para o conforto térmico, a arborização urbana também tem papel importante na melhoria da qualidade do ar, na redução da poluição sonora e na criação de espaços mais agradáveis para a convivência. No entanto, o crescimento urbano e a ocupação de novas áreas têm alterado a paisagem da cidade e levantado discussões sobre a distribuição desigual das áreas verdes.
O autônomo Kevin Morais, que sempre viveu em Rio Branco e trabalha como motorista de aplicativo, afirma que a falta de árvores interfere diretamente na rotina dos moradores.

Ele observa diferenças claras entre bairros mais arborizados e regiões com pouca vegetação. Segundo ele, o calor também influencia os hábitos da família, que evita a exposição ao sol nos horários mais quentes.
“É mais quente e desconfortável, principalmente durante a tarde. A falta de sombra acaba dificultando ficar muito tempo na rua. A gente evita ficar muito tempo no sol e procura sair em horários mais frescos quando possível”, relata
Na avaliação de Kevin, mais áreas verdes trariam benefícios diretos para a população. “O bairro ficaria mais fresco, mais bonito e mais confortável. Além disso, teria mais sombra para as pessoas”, afirma.
A percepção é compartilhada por Patrícia Oliveira, que viveu parte da vida na zona rural de Acrelândia e hoje mora em Rio Branco. Ela destaca a diferença entre os ambientes, principalmente em relação ao clima.
“Lá era bem arejado e ventilado. Tínhamos pés de laranja, coco e goiaba. Era um ambiente muito mais fresco”, lembra.
Mesmo na capital, ela diz perceber diferenças quando visita áreas mais verdes.
“Sempre que vou a um sítio ou chácara percebo a diferença. Onde tem árvores existe uma ventilação natural. Na cidade é muito mais quente”, afirma.
Patrícia reforça que a falta de vegetação afeta diretamente o conforto. Para ela, investir em arborização é fundamental para melhorar a qualidade de vida.
“As árvores ajudam a deixar a cidade mais agradável, diminuem o calor e melhoram a qualidade do ar”, destaca.
A professora de geografia Ana Oliveira, do Instituto São José, explica que a ausência de árvores contribui para o aumento das temperaturas nas áreas urbanas. Segundo ela, superfícies como asfalto e concreto absorvem calor ao longo do dia, intensificando o fenômeno das ilhas de calor.
“A falta de arborização aumenta a absorção de calor nas ruas, prédios e asfaltos, fazendo com que as temperaturas fiquem mais altas. As áreas arborizadas possuem melhor processo de evapotranspiração, que ajuda a reduzir a temperatura do ar”, explica.
Segundo Ana, os impactos vão além do calor, afetando também a saúde e o bem-estar da população. Entre eles estão a piora da qualidade do ar, aumento de doenças respiratórias, redução de áreas de lazer e queda na qualidade de vida. Como alternativa, ela defende políticas públicas voltadas à arborização urbana.
“É necessário investir em arborização de ruas, praças, escolas e espaços públicos, além de promover programas de reflorestamento urbano e ações de fiscalização para evitar a retirada de áreas verdes”, ressalta.
Os relatos dos moradores e a análise da especialista mostram que a arborização é um fator essencial para a qualidade de vida em Rio Branco. Em uma cidade marcada por altas temperaturas durante grande parte do ano, ampliar as áreas verdes aparece como uma das principais estratégias para reduzir o calor e tornar os espaços urbanos mais confortáveis.
Nota: A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semeia) para solicitar um posicionamento sobre a arborização urbana em Rio Branco. No entanto, até o fechamento desta matéria, não obteve resposta.