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Feira de Economia Solidária mantém vivas as raízes urbanas da capital acreana 

Entre artesanato, culinária regional e produtos locais, a feira reúne histórias de empreendedores e visitantes que ajudam a preservar a identidade cultural de Rio Branco. 

Por Lis Gabriela e Raíça Oliveira 

Em uma cidade que se transforma constantemente, alguns espaços permanecem preservando costumes, histórias e tradições. A Feira de Economia Solidária, realizada em frente ao Mercado Velho, em Rio Branco, é um desses lugares. Muito além da comercialização de produtos, o espaço reúne artesãos, empreendedores e visitantes em torno da cultura acreana, mantendo vivas as raízes urbanas da capital acreana. 

Segundo Maurilênio Melo, professor de História e graduado pela Universidade Federal do Acre (Ufac), as feiras vão além do caráter comercial e assumem um importante papel cultural ao expressarem a identidade da sociedade por meio dos produtos que oferecem. Para o professor, a culinária típica, o artesanato e os produtos regionais refletem os hábitos e os saberes da população acreana, contribuindo para a preservação da cultura local.

A Feira de Economia Solidária reúne artesãos, empreendedores e visitantes em um dos espaços mais tradicionais de Rio Branco. Foto: Lis Gabriela 

Saberes que atravessam gerações 

Para a artesã Marlene Fernandes, de 59 anos, a feira representa muito mais do que um espaço de comercialização. Há cerca de nove anos participando da Economia Solidária, ela encontrou no artesanato uma forma de preservar saberes e garantir sua renda. “Essa feira, para mim, é minha vida”, resume. 

Há cerca de nove anos na feira, Marlene Fernandes encontrou no artesanato uma forma de preservar conhecimentos e garantir sua fonte de renda. Foto: Lis Gabriela

Entre as barracas, as plantas ornamentais e medicinais também despertam a atenção do público. O vendedor Max de Oliveira, de 30 anos, participa da feira há oito anos e observa que, após a pandemia, muitas pessoas passaram a procurar plantas como forma de lazer e bem-estar. “As plantas são como um tratamento para a ansiedade”, afirma. Para ele, a feira também representa sua principal fonte de renda. 

Plantas ornamentais e medicinais estão entre os produtos encontrados na Feira de Economia Solidária. Foto: Lis Gabriela 

A gastronomia regional também faz parte da identidade do espaço. O vendedor Crisomar Ribeiro Guimarães, de 46 anos, destaca que produtos como quibe de arroz, quibe de macaxeira e saltenha de jambu com camarão estão entre os mais procurados pelos visitantes. Segundo ele, além de divulgar a culinária acreana, a feira garante o sustento de muitas famílias. “É um trabalho honesto que a gente faz para manter a família”, afirma. 

Um espaço que acolhe moradores e visitantes 

Além de movimentar a economia local, a Feira de Economia Solidária também desperta o interesse de quem visita Rio Branco. A assistente social Luciana Rocha Bitencourt, de Minas Gerais, procurava um espaço onde pudesse encontrar produtos que representassem a cultura acreana e afirma ter encontrado exatamente o que buscava. Entre as lembranças escolhidas, estão peças de artesanato produzidas com elementos regionais. “Foi exatamente o que eu queria. Eu me encontrei aqui”, relata. 

Para Luciana, a feira representa a identidade cultural da cidade e isso é o que os turistas buscam nas viagens. “Acho que sua ausência seria uma perda muito grande para Rio Branco”, afirma.

A turista mineira Luciana Rocha Bitencourt buscava produtos que representassem a cultura acreana e encontrou na feira lembranças típicas do estado. Foto: Lis Gabriela 

Ao reunir cultura, gastronomia, artesanato e convivência em um mesmo espaço, a Feira de Economia Solidária reafirma seu papel na preservação das raízes urbanas de Rio Branco, mantendo vivas tradições que atravessam gerações e fortalecem a identidade da capital acreana.

Redação

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